PEGOU MAL

CNN Brasil demite Leandro Narloch dois dias após comentários homofóbicos

REPRODUÇÃO/CNN BRASIL

O jornalista Leandro Narloch falando em vídeo publicado pela CNN Brasil no YouTube

Leandro Narloch não faz mais parte do time de comentaristas da CNN Brasil: fez comentários homofóbicos

REDAÇÃO - Publicado em 10/07/2020, às 16h01 - Atualizado às 18h03

Dois dias após fazer comentários homofóbicos, Leandro Narloch foi demitido da CNN Brasil. O canal confirma ao Notícias da TV que anunciou a decisão ao jornalista nesta sexta-feira (10). Ele afirmou ao vivo que a decisão do Supremo Tribunal Federal que libera que homossexuais doem sangue representava uma "mudança pequena" na sociedade e que "gays têm uma chance muito maior de ter Aids". A fala foi criticada na web.

"A mudança na verdade é pequena, ela vai restringir mais a conduta, e não o tipo de pessoa, a opção sexual (sic) do indivíduo. Toda essa polêmica começou porque, não há dúvida disso, os gays, os homens gays, eles têm uma chance muito maior de ter Aids, né? Em 2018, uma pesquisa mostrou que 25% dos gays de São Paulo eram portadores de HIV", começou Narloch no programa de quarta (8), sem citar a fonte da pesquisa.

"Mesmo que esse número seja exagerado, e de fato ele parece mesmo exagerado, o fato é que é dezenas de vezes maior, maior a chance do que na população geral. A questão é que outros critérios para exclusão já restringem os gays que têm comportamento promíscuo, né?", continuou o jornalista.

Apresentadores do Live CNN Brasil, Marcela Rahal e Phelipe Siani ficaram sem reação diante das frases ditas pelo comentarista. "Bom, é... A gente acabou de falar sobre essa mudança de protocolo. 2020 e só agora a gente teve retirado de fato esse impedimento de homossexuais fazendo doação de sangue", falou Siani. "Gente", limitou-se a falar Marcela, mudando o tema.

Narloch até tentou se explicar nas redes sociais, mas não foi suficiente para fazer a CNN mudar de ideia sobre a demissão. A saída do jornalista foi publicada em primeira mão pelo site NaTelinha na tarde desta sexta (10).

"Alguns reclamaram do termo 'opção' e não 'orientação' sexual. Aí discordo. Acho que existem as duas coisas: gays e lésbicas que o são por orientação e outros que optaram. Mas não tenho certeza sobre isso, é uma boa discussão para o futuro. De todo modo, lamento se o comentário pareceu a alguns homofóbico ou preconceituoso. Fiquei muito triste com isso. Não gosto de homofobia e me incomodo bastante em ser rotulado assim. abraços!", falou Narloch.

Leandro Narloch foi anunciado como contratado da CNN Brasil ainda em 2019 e já fazia comentários nas atrações desde março deste ano, quando o canal entrou no ar.

Leia os tuítes de "retratação" abaixo:

'Tenho horror a homofobia'

Após ser informado da decisão da CNN, Narloch publicou um posicionamento no Instagram e lamentou pelo motivo apontado pelo canal para a rescisão do contrato. "Não sou nem fui homofóbico, tenho horror a homofobia e concordei explicitamente com a doação de sangue por homossexuais", se defendeu ele.

"Me preocupa o clima da sociedade hoje, em que é impossível discordar até mesmo de termos ou terminologias sem causar histeria, sem que o outro lado seja considerado um monstro que precisa ser banido", opinou o agora ex-CNN.

Veja o post abaixo:

 
 
 
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