GRACINHA NO CINEMA

Casa fake, salto quebrado e roupão de cobertor: Os bastidores do filme da Hebe

Fotos: Divulgação/Warner Bros.

Caio Horowicz (Marcello) e Andréa Beltrão (Hebe) em filmagem acompanhada pelo Notícias da TV - Fotos: Divulgação/Warner Bros.

Caio Horowicz (Marcello) e Andréa Beltrão (Hebe) em filmagem acompanhada pelo Notícias da TV

LUCIANO GUARALDO - Publicado em 03/08/2018, às 06h15

Hebe Camargo (1929-2012) é uma das figuras mais marcantes da história da TV brasileira, e sua história será retratada em um longa que pretende mostrar a mulher por trás do mito. O Notícias da TV acompanhou um dia de filmagens e viu que a desmistificação é a tônica até nos bastidores: a mansão usada não era a de Hebe, o sapato calçado por Andréa Beltrão quebrou e precisou ser colado às pressas, e até um quimono de oncinha no armário da apresentadora foi adaptado _originalmente, a peça era um cobertor.

A escolha de uma casa fake no Morumbi para abrigar as gravações se deve por motivos judiciais: a mansão em que Hebe morou durante os anos 1980, período em que a história se passa, virou alvo de uma disputa familiar. "Encontramos o imóvel em uma condição que não teria como utilizar", lamenta a roteirista Carolina Kotscho. 

A mansão mais famosa de Hebe, na qual ela promovia grandes festas e passou os últimos dias de sua vida, porém, será aproveitada pela produção _que também virará série na Globo e mostrará outros momentos da vida da apresentadora.

Já o problema com o salto se deu justamente por causa de o sapato ser original do armário de Hebe. Como, aliás, boa parte do figurino usado por Andréa no longa. "Eu diria que cerca de 80% das peças são do acervo dela", conta o figurinista Antônio Medeiros, que valoriza o fato de a atriz calçar o mesmo número e ter um corpo parecido com o da "gracinha". "Não precisei fazer alteração nas roupas."

Medeiros conta que Hebe tinha muito carinho por suas roupas. "Dá até medo de mexer, porque ela era extremamente cuidadosa. Desde as peças caríssimas às roupas que ela encomendava para alguma pessoa que encontrou na rua, todas foram muito bem guardadas", diz ele. É claro que, como são peças antigas, incidentes podem acontecer _como o salto citado, prontamente colado pela equipe.

Para os 20% do figurino que não foram aproveitados do guarda-roupa original de Hebe, Medeiros precisou improvisar. Comprou, por exemplo, um vestido da grife inglesa Biba. "Eu tenho certeza de que se a Hebe visse essa peça, ela ia querer. Ele é curtinho, é alegre, tem uma brincadeira que é a cara dela", adianta.

O figurinista também usou a imaginação para adaptar algumas roupas, como um roupão de oncinha usado por Andréa Beltrão em momentos de intimidade.

"Era o tipo de peça que a gente precisava ter no filme, era um desejo da Andréa de ter uma peça grande e aconchegante. Mas esse tipo de tecido não existe mais. E aí achamos um cobertor, meio de pelúcia, que tinha a estampa de oncinha. Fizemos o corte de quimono e ficou maravilhoso, exuberante, bem Hebe (risos)", conta ele.

Andréa Beltrão caracterizada como Hebe Camargo: os altos e baixos da vida da apresentadora

Uma outra Hebe
Responsável por transformar a vida de Hebe Camargo em um roteiro de filme, Carolina Kotscho bebeu em todas as fontes disponíveis. "Eu tinha um material muito rico. Tem uma fã da Hebe que ajudou bastante, porque guardou todos os recortes de jornais, de revistas. Desde a época do rádio, quando a Hebe tinha 14 anos. São mais de 3 mil matérias. E a Hebe falava sem pudor, sem filtro, dividia tudo."

A roteirista, que tem no currículo cinebiografias de Zezé Di Camargo & Luciano (2 Filhos de Francisco, de 2005) e Paulo Coelho (Não Pare na Pista, de 2014), diz que topou o desafio de levar Hebe aos cinemas pela possibilidade de mostrar a mulher que o público do programa dela não chegou a conhecer.

"Eu brinco que a vida dela é uma mistura de Pedro Almodóvar com irmãos Grimm. Porque todo mundo se lembra do conto de fada, do sorriso, do brilho, mas ela teve uma vida dramática, de muitos desafios, enfrentamentos. Ela não escondia nada, chorava com a mesma intensidade com que gargalhava. Mas, por algum motivo, parece que a gente decidiu só se lembrar das partes boas", justifica ela.

Carolina, porém, defende que explorar a tristeza de Hebe na telona não é uma afronta à memória da apresentadora.

"Não estamos fazendo nada à revelia dela, porque ela mesma tentou mostrar isso. Mas ninguém quis ver, ou quem viu não deu atenção. Tem uma entrevista em que ela diz: 'Só meu pai sabe o quanto eu sou infeliz, porque eu nunca fui feliz na minha vida'. Isso é muito forte, mas é também uma das coisas que a história dela tem de mais bonito."

Além de Andréa Beltrão, o longa sobre a vida de Hebe Camargo conta com Gabriel Braga Nunes (o primeiro marido, Décio Capuano), Marco Ricca (o segundo marido, Lélio Ravagnani), Danton Mello (o sobrinho, Claudio), Caio Horowicz (o filho, Marcello), Daniel Boaventura (Silvio Santos) e Stella Miranda (Dercy Gonçalves).

Melhores amigas da apresentadora, Lolita Rodrigues e Nair Bello serão interpretadas por Karine Telles e Claudia Missura, respectivamente.

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