Ultra-alta definição

Rede japonesa usará Jogos do Rio para testar a TV com imagem 'real'

Eduardo Bonjoch/Notícias da TV

Masaru Takechi, engenheiro de pesquisa da NHK, durante apresentação da tecnologia 8K na SET Expo 2014 - Eduardo Bonjoch/Notícias da TV

Masaru Takechi, engenheiro de pesquisa da NHK, durante apresentação da tecnologia 8K na SET Expo 2014

EDUARDO BONJOCH - Publicado em 30/08/2014, às 13h50 - Atualizado em 03/09/2014, às 20h09

A transmissão experimental via satélite dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em resolução 8K, daqui a dois anos, é o próximo desafio da NHK, emissora japonesa que desenvolve essa tecnologia. Ainda pouco conhecida do público, a resolução 8K, a ultra-alta definição, utiliza mais de 33 milhões de pontos na formação da imagem, 16 vezes mais do que o padrão full HD atual, quatro vezes mais que a novíssima 4K. Os japoneses estimam que as primeiras TVs com altíssima definição chegarão ao mercado após 2016 e esperam transmitir a Olimpíada de Tóquio, em 2020, totalmente em 8K.

Com tanta nitidez, o telespectador consegue identificar todos os rostos, gestos e objetos nas mãos dos torcedores em qualquer ponto de um estádio de futebol, por exemplo. “Acreditamos que a resolução 8K seja a solução definitiva na busca por uma imagem real”, afirma Masaru Takechi, engenheiro de pesquisa da NHK. “Com o 8K, atingimos o limite de cores e detalhes que podem ser percebidos pelo olho humano", completa.

Parceira da Globo, a NHK já captou três grandes eventos em 8K no Brasil: o Carnaval carioca e a Copa das Confederações no ano passado e nove partidas da Copa do Mundo de 2014. Os jogos do Mundial foram transmitidos ao vivo para convidados especiais no Rio de Janeiro e também no Japão.

Três câmeras 8K, além de dois modelos 4K (usados para replays em câmera lenta registrados em resolução intermediária entre o full HD e o 8K) proporcionaram a captação nos estádios brasileiros. Dos gramados, o som e a imagem foram enviados para o caminhão de externas da emissora japonesa com os equipamentos de captura e de edição em 8K. Seguiram então por uma extensa rede de fibra óptica até os locais de exibição no Rio de Janeiro.

Transmissão 8K em casa: só em 2020

Para chegar ao Japão, os sinais percorreram longos trechos de cabos submarinos de fibra óptica interligando as redes brasileira, americana e japonesa.

“A transmissão internacional ao vivo dos nove jogos só foi possível porque houve uma cooperação entre provedores de redes acadêmicas de fibra óptica nos três países”, explica Leandro Ciuffo. Ele atua na RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa), que ofereceu infraestrutura de internet para o projeto.

A NHK também precisou desenvolver uma eficiente tecnologia de compressão do sinal original em 8K. “Com isso, a largura de banda necessária para a transmissão caiu de 24 gigabytes por segundo para 300 megabytes por segundo”, comenta.

No Rio, em 2016, a emissora quer testar a transmissão ao vivo via satélite, ainda de forma experimental. “Hoje, as grandes dificuldades seriam o alto custo e a garantia de manter um link de satélite estável com um sinal de 300 megabytes por segundo”, diz Ciuffo.

Para os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020, a meta é mais ambiciosa. A NHK quer transmitir o evento integralmente, já prevendo que as TVs 8K sejam uma realidade na casa das pessoas.

“As primeiras TVs com resolução de 7.680 por 4.320 pixels devem chegar às lojas entre 2016 e 2020”, prevê Takechi, da NHK. O mais provável, segundo ele, é que sejam modelos de 50 a 65 polegadas.

Comparação da imagem em resolução Full-HD, 4K e 8K (Foto: Reprodução)

Três pontos fortes da tecnologia 8K

O Notícias da TV acompanhou as demonstrações em resolução 8K realizadas pela NHK na SET Expo 2014, evento da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão realizado em São Paulo. Durante a avaliação, foram exibidas imagens do Carnaval do Rio e da Copa do Mundo em uma televisão LCD 8K de 85 polegadas. É um protótipo da marca Sharp com 1,27m de altura (sem considerar os alto-falantes) e que pesa 400kg.

► Nitidez total em planos abertos

Como o detalhamento das imagens em 8K é muito próximo da realidade, dá para ver perfeitamente a roupa, a expressão do rosto e o que cada folião está fazendo em qualquer arquibancada da Marquês de Sapucaí. Em uma tela gigante de 85 polegadas, é possível identificar até quem está falando ao celular, dançando com a mulher ou simplesmente ver com clareza cada papel ou imperfeição no asfalto por onde passam as escolas de samba.

A mistura de cores também salta aos olhos. O telespectador consegue identificar várias tonalidades diferentes, que certamente passariam despercebidas em uma transmissão convencional em alta definição.

Imagem perfeita, mesmo bem em frente a tela

É interessante observar como a imagem de uma partida de futebol continua perfeita, ao praticamente encostar os olhos na TV 8K de 85 polegadas. Nesse caso, o resultado é visivelmente melhor do que em uma televisão 4K.

► 22.2 canais de áudio

É muita diferença para os 5.1 canais de áudio atuais. Embora os estandes de eventos não contribuam para testes desse tipo, foi possível sentir uma maior sensação de envolvimento, com sons chegando por todos os lados. É como se o telespectador estivesse realmente dentro do estádio.


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