ANÁLISE

Feminista e anti-Trump, Supergirl é mais do que uma série de super-heróis

Fotos: Divulgação/The CW

Os atores Tyler Hoechlin e Melissa Benoist lutam no final da segunda temporada de Supergirl  - Fotos: Divulgação/The CW

Os atores Tyler Hoechlin e Melissa Benoist lutam no final da segunda temporada de Supergirl

JOÃO DA PAZ - Publicado em 07/06/2017, às 05h13

A segunda temporada de Supergirl deixou de lado a trama fofa e básica de heróis apresentada no ano de estreia para levantar a bandeira do feminismo e transformar a mocinha em uma poderosa militante política. Em meio a metáforas sobre as ações anti-imigração do governo norte-americano, mulheres esbanjam poder e homens são meros coadjuvantes.

A Supergirl, interpretada por Melissa Benoist, terá de provar sua força na base da porrada contra o primo Superman (Tyler Hoechlin) no último episódio da temporada, que vai ao ar nesta quarta (7), na Warner, às 22h30.

O duelo entre parentes representa a transformação da série de um ano para o outro. É como se Kara Danvers, a Supergirl, tivesse de provar o seu valor ao tentar derrotar o herói mais poderoso de todos.

E, se logo no começo a série foi criticada por apresentar uma heroína submissa envolvida em um típico triângulo amoroso extraído de livros baratos de romance, o segundo ano se concentrou no embate entre três mulheres fortes.

A vilã Rhea (Teri Hatcher), rainha do planeta Daxam, ameaça tomar conta de National City, lar de Kara, controlar o mundo e subjugar os humanos. A heroína está na defesa dos terráqueos ao lado da presidente dos Estados Unidos (Lynda Carter, a Mulher-Maravilha da série dos anos 1970), que é alienígena, assim como Kara. 

Esse conflito de extraterrestres contra humanos foi um dos grandes temas da temporada. Na história, vários habitantes de outros planetas vivem na Terra-38 (onde a história se passa), mas são execrados pela sociedade. Tudo isso é feito de propósito para criticar a política norte-americana contra imigrantes, que ganhou ares trágicos após a eleição de Donald Trump.

Em Supergirl, uma mulher do Partido Democrata é presidente do país, referência à candidata Hillary Clinton, derrotada por Trump, do Partido Republicano. Na série, Olivia Marsdin (Lynda) ganhou a eleição contra um homem branco.

 

Em Supergirl, a presidente dos Estados Unidos é mulher e interpretada por Lynda Carter (à dir.)

Por ser alienígena, ela é a favor da inserção dos seus semelhantes e cria uma lei para regularizá-los. Houve protestos de humanos contra o projeto de Olivia, que acredita em uma convivência pacífica entre ambos os seres.

No mundo real, Trump quer construir um muro na fronteira entre os Estados Unidos e o México. Ele chegou a decretar a proibição da entrada no país de cidadãos de sete países de maioria muçulmana, mas a ordem foi logo suspensa pela Justiça.

Porém, ela persistiu
O desfecho da temporada de Supergirl tem um viés doutrinário. O título do episódio é um lema feminista: Nevertheless, She Persisted (Porém, Ela Persistiu). Uma alusão à frase usada por um senador para calar o discurso de uma colega, em sessão realizada no Congresso norte-americano em fevereiro.

O republicano Mitch McConnell interrompeu um discurso da democrata Elizabeth Warren, por achar que ela teria esgotado seu tempo permitido de fala. O senador tentou justificar a atitude. "Ela foi avisada. Recebeu uma explicação. Porém, ela persistiu", falou o político.

Instantaneamente, a frase viralizou nas redes sociais e ganhou eco nos coletivos feministas. Antenados e partidários de ideologias esquerdistas, os produtores de Supergirl adotaram o lema para finalizar uma temporada diferente de todas as outras já vistas em séries de heróis, que comumente não saem do seu próprio universo.

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