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ANÁLISE

Boca a Boca impressiona mais pela embalagem psicodélica do que pela história

Fotos: Vanessa Bumbeers/Netflix

Jovens dançam em festa tipo rave em cena de Boca a Boca, série nacional da Netflix

Fotografia néon de Boca a Boca é uma das principais qualidades da nova série nacional da Netflix

RAPHAEL SCIRE

Publicado em 22/7/2020 - 13h00

Um vírus que se alastra e atemoriza a população. Poderia ser alguma história sobre o novo coronavírus, mas é a premissa da nova série brasileira da Netflix. Boca a Boca flerta com a ficção científica e também com o momento atual da sociedade. Mas a atração nacional chama mais a atenção pela sua forma do que pelo conteúdo.

Boca a Boca conta a vida de uma cidade no interior, Progresso, às voltas com o surgimento de uma doença que acomete principalmente os jovens e causa "insensibilidade emocional".

Eles são constantemente avisados pelos adultos de que devem se manter à distância da fronteira com a aldeia, uma comunidade isolada que vive na floresta. E é exatamente lá que ocorre uma festa na qual a pegação rola solta.

Propagada pelo beijo, a nova praga se alastra entre os alunos da fictícia escola Modelo. Depois de uma alucinação, acordam com uma mancha preta na boca e aos poucos vão perdendo os sentidos. As pupilas ficam esbranquiçadas e as veias saltam na pele com um colorido néon, dando a eles uma aparência aterrorizante.

É a partir daí que o suspense adolescente começa a se desenvolver, mas a grande falha está no envolvimento do público. Linear demais, Boca a Boca apresenta raros momentos que causam algum solavanco em quem assiste, apesar de a trilha sonora tentar transportar para o universo misterioso.

Os diretores Esmir Filho e Juliana Rojas trazem a experiência acumulada no cinema de gênero para a série, e é notório o apuro estético que aplicam na tentativa de criar esse universo sobrenatural a que estão acostumados trabalhar. Mas o delírio visual que imprimem serve mais para explorar as sensações do público do que propriamente trazê-lo para dentro da história.

Denise Fraga é a diretora sinitra do colégio, um papel bem diferente dos que ela faz na Globo

Os aspectos técnicos da série são o ponto alto: a fotografia néon é exemplar, e a trilha sonora pop causa um contraponto interessante ao suposto clima pacato de Progresso. As intervenções gráficas, embora façam parte da linguagem proposta, são excessivas e, de certa forma, desfocam a história central. Para completar, os diálogos são bem pouco lapidados e, entre os jovens, soam básicos demais.

Do elenco central, Caio Horowicz (Alex) é quem apresenta o melhor e mais convincente desempenho. Michel Joelsas (Chico) começa tropeçando, mas consegue encontrar o tom do personagem ao longo da série.

Sem dúvida alguma, o grande destaque é Denise Fraga, na pele da sinistra diretora Guiomar, um tipo bastante incomum em sua carreira. Bianca Byington (Carminha) também não faz feio, mas seu papel é muito pequeno.

Ainda assim, é de uma criança, Kevin Vechiatto (Quim), a cena com a interpretação mais impactante. Durante um culto, o garoto pressente a agressão que o irmão Chico está prestes a sofrer e praticamente entra em transe.

Com uma proposta que mantém os dois pés na fantasia, Boca a Boca é um convite a outro mundo, mas a viagem psicodélica se mostra cansativa de acompanhar.


Este texto não reflete necessariamente a opinião do Notícias da TV.

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