ANÁLISE | CARLOS AMORIM

Velho Chico supera tragédia e exibe perfeição técnica na TV brasileira

Caiuá Franco/TV Globo

O diretor Luiz Fernando Carvalho ajeita detalhes do figurino de Marina Nery em Velho Chico - Caiuá Franco/TV Globo

O diretor Luiz Fernando Carvalho ajeita detalhes do figurino de Marina Nery em Velho Chico

CARLOS AMORIM - Publicado em 30/09/2016, às 22h36

Velho Chico foi a melhor novela da TV brasileira nos últimos (muitos) anos. Teve desempenho dramatúrgico da melhor qualidade, promovido por um elenco notável de atores e técnicos, com direção impecável. Trouxe para a telinha os enquadramentos do cinema e o som direto captado de maneira corretíssima.

Quase toda baseada em gravações externas, correu o risco de cair na velha esparrela do áudio truncado e dos diálogos incompreensíveis, uma das pragas do cinema nacional. Mas isso não aconteceu: ouvia-se até o ruído do vento típico do Nordeste. Na pele dos atores e atrizes havia suor de verdade, refletindo o brilho do sol. A luz escaldante do Nordeste brasileiro poderia ter "estourado" as cenas. Isso também não aconteceu.

As imagens, captadas em alta definição, mostraram bem a textura produzida pelos novos (e caríssimos) equipamentos digitais. As câmeras absorvem os mínimos detalhes da luz ambiente, mesmo quando é a luz difusa de um entardecer ou de uma sala iluminada por velas. A isso se soma a competência do pessoal operacional da Globo, a melhor e a maior escola de televisão do país.

Edição e finalização foram primorosas, percorridas por uma das melhores trilhas sonoras dos últimos tempos. Tivemos até Geraldo Vandré, com música do seu admirável Das Terras do Benvirá, a última grande criação do cantor e compositor paraibano.

É claro que se pode fazer algumas críticas pontuais, especialmente em relação a certos capítulos que se arrastaram. Também podemos dizer que, após a morte de Santo dos Anjos na vida real, a trama passou a ter um tom melancólico, triste mesmo.

Mas o que fazer quanto a isso? O trágico desaparecimento de Domingos Montagner foi uma comoção nacional. Que dirá para o elenco, que teve que atuar à sombra dessa desgraça. Mas a solução encontrada por autores e diretores foi corajosa e criativa. Os atores contracenaram com um fantasma.

Para usar uma expressão muito em voga, o conjunto da obra foi espetacular. Vai ser difícil produzir outra novela com a mesma densidade dramática e com o mesmo calor de Benedito Rui Barbosa.


CARLOS AMORIMé jornalista. Trabalhou na Globo, SBT, Manchete, SBT e Record. Ocupou cargos de chefias em quase todos os telejornais da Globo. Foi diretor-geral do Fantástico. Implantou o Domingo Espetacular (Record) e escreveu, produziu e dirigiu 56 teledocumentários. Ganhou o prêmio Jabuti em 1994 pelo livro-reportagem Comando Vermelho - A História Secreta do Crime Organizado e em 2011 pelo livro Assalto ao Poder. É autor de CV_PCC - A Irmandade do Crime. Criou a série 9mm: São Paulo, da Fox. Atualmente, se dedica a projetos de cinema.


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