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A Regra do Jogo

Para Anistia, novela da Globo presta 'desserviço' à defesa dos direitos humanos

Reprodução/TV Globo

Romero (Alexandre Nero, à direita) discute com segurança que o impede de entrar em presídio - Reprodução/TV Globo

Romero (Alexandre Nero, à direita) discute com segurança que o impede de entrar em presídio

DANIEL CASTRO

Publicado em 22/9/2015 - 10h40
Atualizado em 22/9/2015 - 12h00

A Anistia Internacional divulgou hoje (22) nota de repúdio a cena do capítulo de ontem de A Regra do Jogo em que o protagonista da novela da Globo, Romero Rômulo (Alexandre Nero), dá uma "carteirada" para entrar em um presídio de segurança máxima com uma bomba escondida na mochila. Na cena, Romero discute com um segurança que insiste em revistá-lo. "Olha aqui, sou da Anistia Internacional", fala o advogado bandido, mostrando a carteira. "Não quero saber de Anistia, meu amigo. Nem o papa entra aqui sem revista", responde o agente.

 "A Anistia Internacional manifesta total repúdio ao uso do nome da organização de maneira indevida no capítulo da novela A Regra do Jogo", diz a nota da ONG. "Embora se trate de uma obra de ficção, a novela, ao usar o nome da Anistia Internacional _uma organização referência e atuante no país_ presta um desserviço à consolidação de uma cultura de direitos humanos na sociedade brasileira", conclui.

Não apenas a cena incomoda a Anistia Internacional, mas a representação que a novela vem fazendo dos defensores dos direitos humanos como um todo. Na história, Romero Rômulo é um ex-vereador que usa uma ONG de defesa dos direitos de presidiários como fachada para ocultar sua atividade criminosa. Na verdade, Romero é membro de uma facção.

Na cena de ontem, Romero entrou no presídio com uma bomba para ajudar na fuga de um líder dessa facção, um traficante internacional. Ele recebeu R$ 150 mil para fazer o serviço. Conseguiu driblar a vigilância do agente que o barrou fingindo passar mal e pedindo para chamarem o diretor do presídio, que o liberou sem revista.

"A representação equivocada do trabalho de defensores de direitos humanos na novela tem sido explorada de forma irresponsável e contribuindo para criminalizar o mesmo", diz a nota da Anistia, que se apresenta como "uma organização respeitada, com 54 anos de historia, que conta com mais de 7 milhões de apoiadores que se mobilizam em defesa dos direitos humanos para todos e todas". Presente em 150 países, a Anistia ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1977.

Consultada, a Globo disse em nota que a cena recriou uma situação que pode "ocorrer na vida real". "As novelas são obras de ficção sem compromisso com a realidade, como registramos ao final de cada capítulo. Ao recriar livremente situações que podem ocorrer na vida real, a dramaturgia busca apenas tecer o pano de fundo para suas histórias", disse a emissora.


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