CRÍTICA

'Máquina de vilãs', Alessandra Negrini esquenta trama morna de Orgulho e Paixão

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Alessandra Negrini em cena como a terrível Susana, vilã de Orgulho e Paixão - Reprodução/Globo

Alessandra Negrini em cena como a terrível Susana, vilã de Orgulho e Paixão

RAPHAEL SCIRE - Publicado em 28/07/2018, às 06h41

Interpretar uma vilã não é corriqueiro para Alessandra Negrini. Em sua carreira televisiva, a atriz conta com uma extensa lista de megeras. Em Orgulho e Paixão, atual trama das seis da Globo, ela dá vida à sua sexta antagonista, Susana. Apesar de a novela ser um tanto quanto morna, Negrini consegue esquentar o folhetim ao dar um tom engraçado à personagem e movimentar a narrativa.

Praticamente uma "máquina de vilãs", Negrini impressiona pelas nuances que imprime em cada uma de suas criações. Apesar de os tipos serem parecidos, a atriz mostra-se versátil e consegue diferenciar suas personagens com sutilezas _é preciso registrar o "tempo de resguardo" que Alessandra Negrini dá entre seus papéis, ao não emendar uma novela na outra, o que contribui para descansar sua imagem.

Susana, ou Genésia, como é seu verdadeiro nome, em nada lembra as composições anteriores da atriz: não é mimada feito Paula (Anjo Mau, 1996), nem psicótica como Selma (Desejos de Mulher, 2002), tampouco desvairada como a "xará" Susana (Boogie Oogie, 2014).

Ao contrário, é digna de pena: entre a afetação e o deslumbre, passou parte da novela às sombras da riqueza de Julieta (Gabriela Duarte), a quem manipulou como bem entendeu, e agora serve de peça fundamental para as armações de Lady Margareth (Natália do Valle), de quem constantemente ouve pequenas humilhações.

É certo que a vilã contribui, nessa fase atual da trama, para criar o conflito que separa o insosso casal central, Darcy (Thiago Lacerda) e Elisabeta (Nathalia Dill), mas ainda assim, sozinha, era frágil demais. Muito mais do que um amor obsessivo pelo protagonista, Susana nutre o desejo de se dar bem na vida (leia-se enriquecer) e viu em Darcy o passaporte para viver seu "sonho de rainha".

Quase cômica, uma vilã de desenho animado, Susana precisou de um apoio extra para a concretização de suas maldades, daí a entrada em cena de Lady Margareth. Não fosse o humor da atriz, apoiado no texto espirituoso da personagem, Susana já teria perdido espaço na história.

Sarcástica e debochada, Susana não chega a ser cruel. Suas malandragens têm um tom infantil que casa com o horário de exibição da novela. Mesmo assim, dentro das possibilidades das seis da tarde, ela carrega, também, uma sensualidade quase disfarçada. O tom de voz sutil e sussurrante que Negrini dá à personagem só faz acentuar tal característica.

Ainda a seu favor, a dobradinha hilária que faz com Petúlia (Grace Gianoukas) e Olegário (Joaquim Lopes) rende bons momentos também aos outros dois personagens. É visível a descontração e o entrosamento dos intérpretes em cena.

Diante das mudanças de curso naturais em novela, Susana poderia ter caído no escárnio e no humor fácil. Alessandra Negrini, porém, seguiu por um caminho mais refinado e conquistou a simpatia do público.

Orgulho e Paixão não chega a ser uma novela extraordinária. É correta, mas sem acontecimentos marcantes. Suas sequências cotidianas raramente arrebatam os telespectadores, mas uma coisa é fato: Alessandra Negrini adiciona à mistura da história um tempero todo especial que faz valer a pena até mesmo as cenas mais banais de que participa.

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