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Teledramaturgia

Excesso de autores prejudica Babilônia, diz Lauro César Muniz

JOÃO MIGUEL JÚNIOR/TV GLOBO

Ricardo Linhares, Gilberto Braga, Dennis Carvalho, Maria de Médicis e João Ximenes Braga - JOÃO MIGUEL JÚNIOR/TV GLOBO

Ricardo Linhares, Gilberto Braga, Dennis Carvalho, Maria de Médicis e João Ximenes Braga

PAULO PACHECO

Publicado em 12/5/2015 - 5h49

Fora da TV desde dezembro de 2013, o dramaturgo Lauro César Muniz decidiu que não vai mais escrever telenovelas. "É muito desgastante", diz o autor de 77 anos, responsável por sucessos como Roda de Fogo (1986) e O Salvador da Pátria (1989). Um folhetim com muitos colaboradores, para ele, atrapalha a criação do autor principal. Seria esse, em sua opinião, o motivo do insucesso de Babilônia, pior audiência da Globo às 21h desde os anos 1970.

"O processo industrial, em que muitos coautores e colaboradores participam, abafou o ímpeto criativo do Gilberto [Braga]. Este talvez seja o mais cruel desse processo industrial que tomou conta das novelas desde meados da década de 1990. Muitas cabeças diluem o estilo do autor principal", opina Muniz em entrevista ao Notícias da TV.

Babilônia tem três autores principais (Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga) e sete roteiristas colaboradores. A novela teve um início terrível no Ibope, em março, e só começou a se recuperar nas últimas duas semanas, quando a Globo reeditou capítulos e aceleou a trama. Mesmo com a operação de salvamento, a trama tem média baixa para o padrão da emissora: 25 pontos na Grande São Paulo (cada ponto equivale a 67 mil domicílios).

Para Muniz, as novelas precisam ser enxugadas para saírem da crise: seria bom para a audiência (o público atual, que se comunica instantaneamente, prefere tramas mais curtas) e para a emissora (novelas mais curtas custam menos).

"Está na hora de repensarmos a telenovela. Nenhuma história necessita de 200 capítulos para ser narrada. Acredito que vai melhorar quando reduzirmos o número de capítulos para 150. As emissoras terão novelas com menos personagens, menos cenários, locações e figurinos", sugere.

Angelina Muniz e Eduardo Lago em Os Dez Mandamentos, novela da Record (Reprodução)

Os Dez Mandamentos

Se a Record comemora a audiência de Os Dez Mandamentos, a maior de uma novela da emissora nos últimos cinco anos (média de 12 pontos na Grande São Paulo), para Lauro César Muniz é motivo de preocupação. O novelista, que trabalhou na Record entre 2005 e 2013, teme que a rede desista de tramas cotidianas e priorize apenas histórias bíblicas.

"Os Dez Mandamentos é um sucesso. Lamentavelmente sobre um tema bíblico em uma emissora ligada a uma igreja evangélica. Meu temor é que, daqui para a frente, a Record só faça novelas religiosas. Um desvio de nossas preocupações mais cotidianas", lamenta. "Meu ponto de vista é que os temas bíblicos anestesiem a capacidade crítica dos telespectadores", completa.

Enquanto esteve na Record, Muniz escreveu as bem-sucedidas Cidadão Brasileiro (2006) e Poder Paralelo (2009), mas fracassou em sua última novela, Máscaras (2012), que iniciou uma fase tenebrosa na teledramaturgia da emissora, que até o final de Vitória, em março deste ano, estava atrás do SBT.

"Durante minha última novela, a emissora teve uma completa reestruturação de comando, não apenas no setor de dramaturgia como no comando geral. Isso pesou muito, não apenas para Máscaras mas para todos os fracassos que seguiram minha novela", diz.

Lauro César Muniz em sua casa, em São Paulo, em dezembro de 2013 (Foto: Notícias da TV)

Fora da TV

Atualmente, mesmo sem vínculo com nenhuma emissora, Lauro César Muniz mantém o ritmo de trabalho, inclusive nas madrugadas. Escreve para teatro e cinema e está transformando em filme (o 15° da carreira) a história de Chiquinha Gonzaga, minissérie escrita por ele e exibida pela Globo em 1999. Quer lançá-lo em 2017.

"Não manter contrato com uma emissora, atualmente, foi opção minha. Passei a vida adiando projetos pessoais importantes no teatro e no cinema para cumprir meus contratos com as redes de TV. Tenho um pouco mais de tempo e liberdade para trabalhar", afirma.

Além das novelas, Muniz assiste a séries norte-americanas e é fã de Breaking Bad. Embora esteja longe da TV, o dramaturgo planeja voltar com uma minissérie com o maestro Júlio Medaglia e o diretor Del Rangel: "A televisão é um veículo muito importante para que eu fique de fora, olhando".


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