Ex-Xica da Silva

Após falir bar, ex-galã peladão tenta dar a volta por cima em novela da Record

Vanessa Carvalho/Notícias da TV

Victor Wagner se exercita em praça perto de sua casa, em Itaim Paulista, na zona leste de SP - Vanessa Carvalho/Notícias da TV

Victor Wagner se exercita em praça perto de sua casa, em Itaim Paulista, na zona leste de SP

JANAÍNA NUNES - Publicado em 30/11/2015, às 05h35

Após sete anos sem fazer novela, Victor Wagner ensaia uma volta por cima na sua trepidante carreira. Galã anos 1990, protagonista de Xica da Silva na Manchete, o ator está terminando de gravar uma participação em 50 capítulos de Escrava-Mãe, novela que a Record deve estrear no primeiro trimestre de 2016. Na trama de época, o musculoso de 56 anos interpreta um pirata. Wagner caiu no ostracismo depois de posar nu duas vezes para uma revista gay. Passou a ganhar a vida como comerciante, mas há um ano faliu o boteco que mantinha na zona leste de São Paulo, onde vive. Neste ano, voltou ao teatro, interpretando um travesti, e retomou a carreira de ator, chamando a atenção das emissoras de TV.

Intérprete do primeiro par romântico de Taís Araújo, em 1996, Victor Wagner não se arrepende de ter posado pelado. "Precisava de dinheiro e posei. Quem quiser dar palpite que me contrate e pague minhas contas", diz.

Victor Wagner Escrava-Mãe, novela inédita da Record

Até dois meses atrás, seu último trabalho na TV era a novela Mutantes (Record), em 2008. Foi uma participação pequena, que de longe lembra a sequência de três novelas da Manchete (Tocaia Grande, em 1995, Xica da Silva, em 1996, e Mandacaru, em 1997). Sua última e derradeira novela na Manchete foi Brida (1998), interrompida com a falência da emissora. "Naquela época, só havia núcleo de teledramaturgia estruturado na Globo e na Manchete. Quando a Manchete faliu, a Globo não estava contratando mais ninguém. E aí tudo em volta ajudou a dar azar na minha vida profissional. Talvez tenha faltado um padrinho ou foi falta de conhecimento da minha parte mesmo", conta.

Para ganhar dinheiro, Wagner teve que  "se virar" posando em 1999 para a extinta revista G Magazine. "Sempre fiz o que aparecia. Fui chamado para fazer teatro, quando estava em um evento. Depois veio a TV. Quando entrei, tinha 35 anos. Era uma pessoa experiente. Então, quando não pintaram mais novelas, voltei a me virar. Precisava pagar contas, recebi a proposta para posar nu e topei. Fui criticado, claro, mas é a minha vida. Faço o que quero dela", discursa.

Wagner ainda participou de um episódio do Você Decide (2000, Globo), esteve em Pícara Sonhadora (2001, SBT) e no Linha Direta (Globo, 2005). Como os contratos estavam cada vez mais escassos, fez um novo ensaio peladão em 2005, justamente quando a novela Xica da Silva foi comprada e exibida pelo SBT. "Fiz novamente. É um trabalho como qualquer outro. Não tenho do que me arrepender", afirma.

divulgação/Manchete

Victor Wagner com Taís Araújo na novela Xica da Silva (1996), da extinta Manchete

Antes de cair de vez nos ostracismo, Victor Wagner ainda atuou na novela Cristal (SBT, 2006). Com o dinheiro que lhe restou do ensaio e das participações na TV, abriu um bar, que quebrou há um ano. "Sim, tive um bar e foi mais uma das minhas experiências. Não consigo sossegar. Fiquei três anos com ele e foi a gota d’água. Descobri que é um mundo que não me pertence. Não existe arte, apenas comércio frio. Ufa, acabou! E respirei", comenta.

Hoje, o ator vive no extremo da zona leste de São Paulo, no bairro de Itaim Paulista. Já viveu em bairros mais próximos do centro, como a Vila Matilde e a Vila Esperança. É da "ZL" há 20 anos. "Não é uma questão de gostar [da zona leste]. Vou onde o vento me leva e me adapto. Aqui se vive normalmente e é mais barato. Faço o que tenho de fazer de metrô, de ônibus ou de moto. Não sou preguiçoso", ensina.

Travesti e pirata da Record

Foi muitas vezes utilizando o transporte público que Victor Wagner se deslocou até o teatro Ruth Escobar, na Bela Vista (região central), para apresentar a peça E por Falar em Sexo, na qual interpretava três papéis: um hetero, um homossexual e uma travesti. O espetáculo ficou em cartaz durante seis meses neste ano, tempo suficiente para jogar holofote na carreira do ator.

Divulgação/RECORD

Victor Wagner em participação especial em Mutantes, da Record, no papel de um rei

"Nunca deixei de receber convites para peças. Poucos me interessavam. Gostei muito dessa última proposta, pelo tema e pelo diretor que já conhecia. Não foi tão bem quanto esperava e devemos voltar em março, mas me ajudou, sim, e muito. Me colocou em evidência", reconhece.

Por causa do espetáculo, Victor Wagner acabou participando de um programa-piloto do SBT que pretende mostrar por onde andam artistas que foram famosos. Na emissora, recebeu o convite para interpretar um delegado em um único capítulo da novela Cúmplices de um Resgate. No mesmo mês, outubro passado, foi chamado para integrar o elenco de Escrava-Mãe, da Record. A princípio, seria uma participação curta, mas o ator agradou e acabou ficando por 50 capítulos. Seu personagem, chamado de Pirata e Barbudo, entra na metade da história e fica até o fim.

Victor Wagner brinca com bicicleta no Itaim Paulista, zona leste de SP (Foto: Vanessa Carvalho)

"Fui muito bem recebido nas gravações na Record. Reencontrei o Jayme Periard e o Nill Marcondes, com quem atuei na Manchete. Foi ótimo. O diretor da trama, Ivan Zettel, também me acolheu muito bem", conta Seu contrato é por obra e ele não sabe o que será de sua vida no ano que vem. 

"Demorei a me livrar do estigma de que a gente tem de ser sempre bem-sucedido, possuir bens e ser apegado a um monte de coisas. Voltei a ser moleque, resgatei esse espírito. Sou um moleque de 56 anos com corpinho de 30", diverte-se.

Malhar e adorar Elvis Presley foram as duas únicas coisas que o ator não conseguiu desapegar. "Cuido do corpo desde os 14 anos. É um hobby. Fiquei fissurado no Bruce Lee na época e segui seu caminho. Não consegui parar. Por isso gozo de físico privilegiado, tiro onda e sirvo de exemplo", completa. 

Para Wagner, Elvis é igual a Jesus Cristo. "O Elvis foi um enviado para mudar a história da música e veio com todas as ferramentas: beleza, voz e coração. Abriu as porta para o futuro. O vi pela primeira vez na TV em 1974 e foi paixão à primeira vista. Passei noites a fio gravando fitas para dar aos amigos, era um remédio para a alma. Já converti muita gente. É como acreditar em Jesus...”


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