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COLUNA DE MÍDIA

Influenciadores digitais ajudam investidores a ganhar bilhões de dólares

REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

Keith Grill em vídeo publicado no YouTube: sentado, youtuber usa faixa vermelha, camiseta preta e está do lado de um microfone de mesa vermelho

Keith Grill em vídeo publicado no YouTube: influencer foi o estopim da confusão com fundos

GUILHERME RAVACHE

gravache@gmail.com

Publicado em 4/2/2021 - 6h50

Semana passada, o mundo foi surpreendido com a notícia de que um bando de investidores amadores, organizados por influenciadores digitais, fez alguns dos mais renomados fundos de investimento de Wall Street parecerem imbecis.

Ao longo de quatro dias, um exército de indivíduos organizados em redes sociais como Twitter e Reddit fez o preço das ações da GameStop e de outras empresas dispararem. As cotas da loja de videogames subiram 1.600% em menos de um mês.

O movimento surpreendeu, já que a empresa é vista por muitos como fadada ao fracasso, pois o consumo de games cada vez mais acontece online e não em lojas físicas. 

Os fundos de hedge do outro lado, que apostaram na queda de preço das ações da GameStop, perderam bilhões. Um deles, o Melvin Capital, precisou ser resgatado com uma injeção bilionária de capital.

O ponto aqui não é explicar o papel de opções e de corretoras, como a Robinhood, que permitem investir "alavancado" e comprar sem taxa de corretagem (você pode ler mais sobre estes temas aqui).

A ideia é destacar o papel dos influenciadores digitais nesse evento que entrará para a história do mercado financeiro e que mudou a visão dos grandes investidores com relação às sardinhas do mercado, que agora podem ser digitalmente organizadas como grandes exércitos e ameaçar a elite financeira global que habita os maiores fundos de investimento do mundo.  

Em retrospecto, o evento não deveria surpreender. Se celebridades e famosos podem ser "cancelados" pela internet, por que não cancelar grandes investidores e fundos bilionários? Basta ter uma massa motivada e de alguma maneira organizada. 

Um dos personagens centrais da saga é Keith Gill, de 34 anos, ex-educador financeiro de uma seguradora em Massachusetts, conhecido como Roaring Kitty no YouTube e DeepF-in-gValue no Reddit. No meio de 2019, Gill postou em um fórum do Reddit (uma rede onde pessoas compartilham links e comentários) uma imagem de um investimento de US$ 53 mil na GameStop.

No início, ninguém deu muita bola. Mas Gill começou a tuitar com frequência sobre a GameStop e a fazer vídeos no YouTube e TikTok sobre seu investimento. Ele também passou a divulgar seus investimentos. Outros usuários influentes do Reddit, como Ackilles e Bowlerguy92, seguiram cada movimento de Gill e também investiram na GameStop e divulgaram nas redes essa ideia.

O ápice veio com a adesão dos bilionários Chamath Palihapitiya e Elon Musk, personalidades com grande influência nas redes sociais. Chamat tem 1,2 milhão de seguidores no Twitter; Musk, 44,8 milhões. 

Na terça-feira da semana passada, Gill postou uma foto no Reddit de seu investimento de 2019. Os US$ 53 mil na GameStop haviam disparado e valiam US$ 48 milhões. A imagem foi curtida mais de 140 mil vezes. A ação da GameStop, que há cerca de um ano valia US$ 4, era negociada a US$ 325 na sexta-feira da semana passada. 

"Eu não esperava por isso", disse Gill ao Wall Street Journal. Ele acrescentou que não pretendia chamar a atenção do Congresso americano, do Banco Central dos Estados Unidos, dos fundos de hedge, da mídia, de plataformas de negociação nem de centenas de milhares de investidores.

Gill transmite seus vídeos do porão da casa alugada onde vive. Um vídeo de sete horas, em que bebia champanhe e cerveja, teve mais de 200 mil visualizações.

Investidores experientes estão começando a levar a sério influenciadores como Gill. Mark Sebastian, fundador da Option Pit e trader de opções durante 20 anos, desenvolveu um rastreador que identifica ações com forte atividade de investidores individuais. Ele compra ou vende opções com base nas ações que estão ganhando momento, tentando pegar a onda para cima ou para baixo.

É importante notar que o fenômeno GameStop não seria possível sem as redes sociais e seus algoritmos. Quanto mais envolvente o conteúdo online, melhor.

E não raro isso significa ideias absurdas, conspiratórias ou que provocam medo ou ganância. E casos que antes se limitavam ao mundo virtual cada vez mais influenciam o mundo real, seja na política ou economia. Vale o alerta: ideias estapafúrdias e ganância não raro levam a bolhas (e nada impede que sejam bolhas políticas ou bolhas financeiras).

REPRODUÇÃO/ INSTAGRAM

Os influenciadores Bettina Rudolph e Thiago Nigro 

Por que isso importa?

Os influenciadores digitais despertam reações apaixonadas. Da Bettina, da Empiricus; a Thiago Nigro, o Primo Rico; com seus milhares de seguidores.

Você pode até não gostar deles e não acompanhar o que falam, mas milhões de pessoas estão cada vez mais conectadas e atentas ao que os influenciadores fazem e dizem. Como Wall Street, você pode ignorá-los, mas os riscos serão surpreendentes.  

Bolha de pensamento

A economia da atenção ganhará cada vez mais relevância. As ações da GameStop aumentaram de valor em proporção direta ao número de pessoas prestando atenção a elas. A GameStop tornou-se viral da mesma maneira que um meme.

Como definiu o Axios: a história da GameStop nasceu no Reddit, foi cultivada no YouTube, popularizada no TikTok e no Twitter. Como qualquer piada na internet, quanto mais rude, mais engraçada se torna --e mais atraente para "senhores dos memes" como Elon Musk.

Outro fato notável é o impacto na mídia tradicional (com a TV aberta perdendo): se você quiser saber o que realmente está acontecendo com a GameStop, o lugar em que você precisa estar é no canal wallstreetbets do Reddit (que já conta com mais de 7 milhões de seguidores), não na CNBC ou na Bloomberg. De certo modo, eles são concorrentes --e por enquanto, o Reddit está vencendo a guerra de relevância.


Este texto não expressa necessariamente a opinião do Notícias da TV. A Coluna de Mídia é publicada toda quinta-feira.


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