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MORTOS NÃO FALAM?

Cemitério Maldito: A Origem troca sangue por mistério para pôr fim a maldição

DIVULGAÇÃO/PARAMOUNT+

Glen Gould caracterizado como um cacique Mi'kmaq

O cacique Mi'kmaq (Glen Gould) guarda um dos mistérios do filme Cemitério Maldito: A Origem

DANIEL FARAD

vilela@noticiasdatv.com

Publicado em 6/10/2023 - 7h00

Cemitério Maldito: A Origem, que chega ao Paramount+ nesta sexta (6), quebra uma maldição que assombra o cinema de terror nos Estados Unidos. Além de responder questões que estão sem respostas desde a primeira adaptação cinematográfica do livro de Stephen King, em 1989, o filme também abandona de vez o "sonho americano" --em um desfecho capaz de deixar boa parte dos telespectadores de queixo caído.

A produção volta até 1969 para explicar o mecanismo por trás do cemitério que permite trazer de volta os mortos ali enterrados. A Guerra do Vietnã (1959-1975) serve como pano de fundo para tocar em feridas contemporâneas do país, abordando questões como trauma coletivo e reparação histórica.

"A década de 1960 se parece muito com a que estamos vivendo agora. Há essa desilusão em relação ao mundo e também um movimento muito forte de contracultura. Quis explorar o passado como reflexo do que está acontecendo agora", explica a diretora Lindsey Anderson Beer, em entrevista exclusiva ao Notícias da TV.

A cineasta parte de um pequeno trecho do livro original para expandir a história com a ajuda do roteirista Jeff Buhler --que esteve atrás das câmeras no remake não tão bem-sucedido de 2019.

A narrativa acompanha Jud Crandall (Fred Gwynne), que vê o sonho de deixar a sua cidadezinha no interior do Maine ir por água abaixo quando seu melhor amigo volta completamente transtornado do Vietnã. Ele, então, descobre um segredo de família que remete diretamente ao período de colonização inglesa.

Um dos trunfos da produção é justamente trocar os sustos fáceis e o excesso de sangue pelo clima de mistério. Os dois primeiros terços são capazes de prender o público, que se questiona o tempo todo sobre o que está acontecendo na tela. O terceiro ato, porém, é menos imaginativo --recorrendo à famosa "caça às bruxas" de qualquer filme de terror.

Novo terror

Um dos pontos positivos de Lindsey Anderson Beer é trazer questões que são bastante abordadas pelo cinema independente de terror em uma produção com um bom orçamento. Há um subtexto político muito forte, tocando em elementos como supremacia branca, drogas recreativas e pânico --sem necessariamente pisar na mão.

Cemitério Maldito: A Origem claramente bebe em fontes do novo horror, que consagrou filmes como Hereditário (2018), Midsommar (2019) e A Bruxa (2015). Ele, porém, não tem a pretensão de reinventar a roda --nem de se definir como um "novo clássico".

Ou seja, a produção é um bom entretenimento para fãs do gênero e para admiradores de Stephen King. O roteiro é cheio de referências ao universo do escritor, desde os mais conhecidos como It (1986) e Louca Obsessão (1987) até ilustres desconhecidos como Cujo (1981).

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