ETERNO DIDI

'Não vejo TV aberta nem programa de humor', revela Renato Aragão

Fotos Paprica Fotografia/Divulgação

Renato Aragão (Didi) em cena do filme Os Saltimbancos Trapalhões: Rumo a Hollywood - Fotos Paprica Fotografia/Divulgação

Renato Aragão (Didi) em cena do filme Os Saltimbancos Trapalhões: Rumo a Hollywood

MÁRCIA PEREIRA - Publicado em 18/01/2017, às 05h26

Aos 82 anos, Renato Aragão, o eterno Didi Mocó, lança seu quinquagésimo filme nesta quinta-feira (19) e afirma que a produção representa o início de uma nova fase em sua carreira, agora mais musical. O humorista já escreve outros três projetos e volta aos Estúdios Globo em julho para gravar uma nova versão de Os Trapalhões.

Da nova geração de comediantes, o veterano conta que admira muito o trabalho de Leandro Hassum e que quase não assiste a programa de humor. "Não vejo muito TV aberta, não. É ruim falar isso, mas vejo mais esporte e noticiário", revela.

Para Aragão, a nova versão do programa de TV inspirado no quarteto formado por Didi, Dedé, Mussum (1941-1994) e Zacarias (1934-1990) é o reconhecimento da importância do grupo, que surgiu nos anos 1960 e seguiu na TV até 1994. "Cedo ou tarde, tinham de reconhecer que Os Trapalhões fizeram história não só na televisão, como no cinema", comenta.

O humorista diz que a temporada 2017 de Os Trapalhões não terá nem um novo Didi nem Dedé, pois os originais estarão no humorístico. "O que vai ter é um outro personagem inspirado no Didi", diz. Ex-Velho Chico e filho de Shaolin, Lucas Veloso interpretará esse personagem.

 

Emílio Dantas e Letícia Colin nos bastidores das filmagens de Os Saltimbancos Trapalhões

Em Os Saltimbancos Trapalhões: Rumo a Hollywood, a filha de Aragão, Livian Aragão, é coadjuvante, mas tem momentos solos cantando. Rafael Vitti, também em papel secundário, faz seu príncipe. A mocinha é interpretada por Letícia Colin, e o mocinho, por Emílio Santas.

A música é o carro-chefe do longa-metragem. Uma versão "safadinha" de Alinne Moraes com um "bruto" de Marcos Frota temperam o enredo, que termina com uma grande homenagem aos Trapalhões ausentes, Zacarias e Mussum. 

Notícias da TV - Como foi sua participação no filme? Foi além da interpretação?
Renato Aragão - Tudo começou no teatro, depois que eu fiz o musical Os Saltimbancos Trapalhões. O diretor João Daniel [Tikhomiroff] falou com o redator Paulo Lima, que fez uma história diferente. Só as músicas são iguais as do filme [original, de 1981]. Não mexi no roteiro, só coloquei alguns improvisos, uns cacos. Foram dois meses de filmagens diárias. Estou surpreso com a emoção do público que vi nas duas pré-estreias que participei. Não era assim tanto que eu queria, era um pouco menos. Eu também me emocionei muito mais na cadeira do cinema. 

 

Rafael Vitti (Pedro) faz par romântico com Livian Aragão (Luisa) em Os Saltimbancos

O que a produção representa para você?
É um presente. O início de uma nova fase musical. Vou fazer uns dois ou três musicais como esse, já estou escrevendo. É a fase musical do Renato Aragão no cinema. Não tenho vontade de parar. Enquanto tiver projeto, vou fazer. O segredo é ficar sempre atento, não parar. Estou sempre escrevendo e, quando surge oportunidade, eu lanço. Para quem faz aquilo que gosta, todo dia é feriado!

É um momento de homenagem para Os Trabalhões, já que o programa de TV ganhará uma nova versão na Globo com novos atores fazendo o quarteto do passado? Como foi a escolha do novo Didi, o ator Lucas Veloso?
Eu e o Dedé vamos participar. Não tem outra pessoa interpretando o Didi, porque ele, sou eu, estarei lá. O que vai ter é um outro personagem inspirado no Didi. Participei dos primeiros roteiros, mas, como é só para julho, eu parei um pouco. Agora a Globo está acertando os personagens, é com ela. Será uma temporada com 15 episódios. Depois para e entrarão outros seriados. Depois, voltamos para fazer outra temporada, e assim vai.

O cinema nacional voltou a fazer muito sucesso. Como você vê isso?
O cinema nacional vive uma fase maravilhosa. Tudo vai bem, do drama aos documentários. O importante é o povo ir às salas de cinema, e as pessoas estão fazendo questão de prestigiar o nosso cinema. Eu não sou muito de sair de casa, mas quando vou ao cinema eu assisto de tudo, os filmes internacionais também. 

 

Renato Aragão se emociona com homenagem aos Trapalhões no filme e vai às lágrimas

 

Na TV, o que você assiste? Como você avalia os atuais programas de humor?
Não vejo muito TV aberta, não. É ruim falar isso, mas vejo mais esporte e noticiário. Não fico avaliando os programas dos outros. Cada um tem sua praia. O meu humor é que não muda. Não quero olhar o dos outros para ficar igual, o que eu quero é fazer o humor do Didi, circense, família. Da nova geração do humor, eu gosto muito do Leandro Hassum. É um cara muito bacana e criativo.

Como é contracenar com a Livian Aragão, sua filha?
A Livinha começou no cinema comigo quando tinha nove meses de idade em uma participação como bebê em O Trapalhão e a Luz Azul [1999]. A mãe dela me acompanhava e a levava para as filmagens. Ela foi entrando em participações pequenas e, agora, já fez a novela A Flor do Caribe [2013] e Malhação [2015]. Ela, talvez, faça outras novelas. A Livinha está seguindo seu próprio caminho. Eu não sei se ela estará nos meus próximos projetos, é bom que ela faça outros trabalhos que não sejam com o pai.

Os Saltimbancos termina com uma homenagem aos Trapalhões, e a TV também vai ter esse momento neste ano. Em sua opinião, demorou muito para isso acontecer?
Cada homenagem tem seu tempo. Era a hora de reconhecer que Os Trapalhões fizeram história não só na televisão, como no cinema. Esse é um momento de reconhecimento, cedo ou tarde, tudo tem sua hora. 


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