Meca do jornalismo?

Volta de correspondente do Japão assusta jornalistas da Globo em SP

Reprodução/TV Globo

Marcio Gomes em entrada, diretamente de Tóquio, no Jornal Hoje da última quinta-feira (25) - Reprodução/TV Globo

Marcio Gomes em entrada, diretamente de Tóquio, no Jornal Hoje da última quinta-feira (25)

DANIEL CASTRO - Publicado em 30/01/2018, às 06h33

A notícia de que Marcio Gomes deixará de ser correspondente em Tóquio e passará a dar expediente em São Paulo caiu como uma bomba entre os jornalistas da Globo na capital paulista. Depois de Roberto Kovalick, Gomes será o segundo "medalhão" do jornalismo da emissora a migrar para a cidade, que está virando uma meca de ex-correspondentes. Repórteres e apresentadores ficaram assustados. Temem perder espaço _e até o emprego.

Outros correspondentes internacionais, como Rodrigo Bocardi, também passaram a trabalhar em São Paulo quando regressaram ao país. Mas, diferentemente de Bocardi, que já era "paulistano", Kovalick e Gomes construíram suas carreiras em outras cidades.

Kovalick atuou em Brasília e no Rio de Janeiro antes de reportar dos Estados Unidos e Japão. Gomes, apesar de ter estreado na Globo no SP Já (atual SP2), em meados dos anos 1990, ficou marcado mesmo foi como âncora de telejornais cariocas. Pertenceu ao primeiro time de apresentadores da Globo, com plantões e coberturas de férias no Jornal Nacional.

Com um currículo de peso, o correspondente da Globo na Ásia é visto como um concorrente imbatível para futuras vagas de apresentador de telejornais em São Paulo. Kovalick, por exemplo, já cobre as ausências de Carlos Tramontina no SP2. Gomes, acredita-se nos bastidores da emissora, poderá tomar o espaço de profissionais menos experientes em eventuais oportunidades no SP1, SP2 e Jornal da Globo.

Em Tóquio desde 2013, Marcio Gomes passará o posto para Carlos Gil, no final de junho. A partir do segundo semestre, será repórter especial do Jornal Nacional. Isso tornará ainda mais difícil a vida dos jornalistas que tentam emplacar reportagens no principal telejornal brasileiro a partir de São Paulo.

Com o predomínio do noticiário político nos últimos anos, caiu muito o espaço dos repórteres do JN em São Paulo. Em junho do ano passado, um levantamento do Notícias da TV mostrou que até jornalistas do naipe de Roberto Kovalick e José Roberto Burnier sofreram nos bastidores. O primeiro só conseguiu se ver quatro vezes no jornal de William Bonner; o segundo, só três. De lá para cá, não mudou muita coisa.

Para jornalistas de São Paulo, Marcio Gomes vai ocupar o lugar de repórteres que já disputam a tapa uma pauta no JN.

Uma outra questão que preocupa é econômica. Os salários dos chamados "medalhões" entram no orçamento da Globo de onde eles trabalham, ou seja, de São Paulo. Em época de corte de gastos, isso pode representar menos vagas para jornalistas que estão em início de carreira. Pode significar também demissão para repórteres com vários anos de casa, mas sem o mesmo "brilho".

Consultada, a Globo informou que foi o próprio Marcio Gomes que pediu para trabalhar em São Paulo após deixar Tóquio.

 

 

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