NOVOS TEMPOS

Politicamente correto, Os Trapalhões volta ao ar 'sem ofender ninguém'

Ricardo Borges/TV Globo

Bruno Gissoni, Mumuzinho, Gui Santana e Lucas Veloso com Renato Aragão em Os Trapalhões - Ricardo Borges/TV Globo

Bruno Gissoni, Mumuzinho, Gui Santana e Lucas Veloso com Renato Aragão em Os Trapalhões

LUCIANO GUARALDO - Publicado em 16/07/2017, às 05h47

Quando o primeiro episódio de Os Trapalhões estrear no Viva, nesta segunda-feira (17), às 20h30, Lucas Veloso, Bruno Gissoni, Mumuzinho e Gui Santana estarão em uma linha de tiro. Afinal, as comparações com o quarteto original serão inevitáveis, e a patrulha do politicamente correto faz com que boa parte das piadas realizadas entre 1977 e 1995 não tenham a menor chance no panorama atual da televisão.

Os nove episódios da nova série mantêm o clima inocente e malandro do programa original, mas o senso de humor é outro. Os termos usados por Didi para se referir a Mussum no passado, como "criolo" e "frango de macumba", que poderiam ser considerados racistas, não têm vez agora _aliás, podem dar até cadeia.

"Batem muito na tecla do politicamente correto, ou do incorreto, mas nós nem deveríamos falar mais disso. Acho que o que não pode é ofender as pessoas", defende Gui Santana. "Não dá para simplesmente falar que alguém está acima do peso a troco de nada, entende? Gays, negros, mulheres... Ninguém mais é minoria, mas não dá mais para sair batendo também!"

Mais experiente da nova trupe, com passagens pela MTV e Pânico, Santana é da teoria de que Os Trapalhões originais era feito de mais do que apenas piadas com cor de pele, alvo preferido da patrulha do politicamente correto.

"Era um programa que brincava com tudo, que tinha vários tipos de comédia. Tinha humor de situação, com as esquetes; humor de bordão, principalmente com as frases do Mussum, o riso do Zacarias; tinha pastelão, com tombo, água, torta na cara... Era uma atração lúdica e que atingia todas as vertentes", analisa.

maurício fidalgo/tv globo

Dedé Santana e Renato Aragão fazem o elo entre o passado e a nova série: pés no chão

Intérprete de Mussa, Mumuzinho minimiza a questão: "O Mussum levava tudo na boa, até o racismo. Eu também levo, mas entendo que hoje não dá mais para fazer piada com certas coisas. Então, não me senti mal em nenhum momento das gravações. As brincadeiras foram maravilhosas, sadias. É uma atualização do que eles fizeram no passado para a linguagem e a estrutura de hoje", resume.

O elo com o passado fica a cargo de Renato Aragão e Dedé Santana, que marcam presença na série, como mestres do novo quarteto. Veteranos do formato, também foram professores nos laboratórios promovidos para o elenco. Aragão, porém, fez questão de manter os pés no chão com os novatos.

"Eles se emocionaram muito na hora de contracenar com a gente, então eu quis chegar sem assustar ninguém. Falei: 'Estamos todos nivelados, não tem ninguém maior ou menor. Não existe mestre ou aprendiz, eu também estou aqui para aprender com vocês. Aí, senti que eles ficaram mais calmos, à vontade", lembra.

Apesar disso, o eterno Didi teve receio de que o novo projeto fosse rejeitado pelo público. "No começo, eu fiquei muito preocupado com os quatro meninos que chegaram agora, de talvez acontecer alguma rejeição por parte daquele público que assistiu a Os Trapalhões em outra época. Com os mais novos, nem tanto, porque não conheceram, não acompanharam aquilo que a gente já fez", diz ele.

A solução, desde o início, foi criar uma diferenciação. "Tivemos muito cuidado de dizer que eles não são o Didi, o Dedé, o Mussum, o Zacarias... São Didico, Dedeco, Mussa e Zaca, sobrinhos dos outros quatro", esclarece o veterano.

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