GABRIELA LORAN

'Brasil é o país que mais mata pessoas como eu', diz primeira atriz trans de Malhação

FOTOS: DIVULGAÇÃO/TV GLOBO

Gabriela Loran em cena como Priscila, professora de dança que ensina Leandro a dançar de salto alto - FOTOS: DIVULGAÇÃO/TV GLOBO

Gabriela Loran em cena como Priscila, professora de dança que ensina Leandro a dançar de salto alto

GABRIEL PERLINE - Publicado em 09/05/2018, às 04h57

Transexualidade está fora dos temas centrais de Malhação - Vidas Brasileiras, mas a novela da Globo flertou com o assunto e o tratou com sutileza ao apresentar Priscila, jovem que ensina Leandro (Dhonata Augusto) a dançar usando salto alto. E Gabriela Loran, atriz que dá vida à personagem, tornou-se a primeira transexual a atuar em Malhação. "O Brasil é o país que mais mata pessoas como eu", diz ao Notícias da TV.

"A importância de ser a primeira atriz trans em Malhação é enorme. Tem uma responsabilidade muito grande, porque estou representando um monte de gente que não se sentia representada. Tanto que recebo mensagens de meninas que voltaram a assistir a TV por conta disso. E não só para nós, pessoas trans, como também para pessoas que não entendem e que não conhecem", comenta.

Gabriela tem 24 anos de idade, formou-se em Artes Cênicas em abril de 2017. Iniciou seu processo de transição de gênero há pouco mais de dois anos, com total apoio dos pais e respeito dos amigos.

"Quando comecei a minha transição de gênero era uma coisa nova para mim e para a minha família, que sempre esteve ao meu lado e nunca me questionou nada. Houve um estranhamento de início. Quando você começa a se ver se transformando, caminhando e se identificando consigo mesma, realmente é muito bom. E a minha familia foi muito receptiva. Eles são meu alicerce. Nunca me questionaram e sabiam que era um momento muito meu", lembra.

Malhação marca a estreia de Gabriela Loran na TV

Malhação - Vidas Brasileiras é o primeiro trabalho de Gabriela Loran na TV. Embora sua personagem não faça parte do núcleo de estudantes da Escola Sapiência e tenha tido destaque durante a quinzena de protagonismo de Leandro, sua participação na novela não se deu por encerrada e ela pode voltar a gravar novas participações.

"Quando a Gabi Medeiros [produtora de elenco] me convidou para fazer o teste eu já sabia que era a minha vez. Sabia. Porque quando eu li a descrição da personagem, era muito parecida comigo. Fiquei muito feliz logo de cara."

Na trama, Priscila fala abertamente sobre seu gênero e não é vítima de preconceito por parte dos alunos da escola. No entanto, usa de certo didatismo para falar sobre preconceito com o amigo e seu aluno Leandro, quando o aspirante a dançarino reclama do bullying que sofreu dos colegas após se vestir de mulher para dançar em uma boate e por não ser homossexual.

"Lido com o preconceito de maneira sutil. Preconceito é ignorância. Quando a sociedade não entende uma coisa, ela quer repelir aquilo. Tanto que nós dizemos que as pessoas vivem à margem da sociedade, porque para a pessoa trans não é permitido amor, afeto e diversas coisas. Mas estamos mudando esse universo e essa realidade", reflete.

"Sei que tem leis que me defendem. Quando me sinto constrangida em algum ambiente eu procuro sempre me embasar em leis. Não grito e não faço escândalo. Mostro para a pessoa que ela está equivocada e tento inverter o papel, mostrar que sou um ser humano e que ela está tendo uma atitude ignorante. Na maioria das vezes saio bem-sucedida na modificação do indivíduo. Mas quando é uma pessoa muito ignorante eu não perco o meu tempo. Ou viro as costas e saio andando, ou filmo [o agressor] e processo", afirma.

 

 

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