Emissoras vs Operadoras

Maior beneficiado, Silvio Santos articulou briga com a TV paga

Reprodução/RecordTV

Edir Macedo e Silvio Santos em encontro, em 2015, em que decidiram cobrar a TV paga - Reprodução/RecordTV

Edir Macedo e Silvio Santos em encontro, em 2015, em que decidiram cobrar a TV paga

DANIEL CASTRO - Publicado em 15/05/2017, às 05h22

Se você é assinante da Net ou da Sky e está sem acesso ao SBT e à Record, coloque na conta de Silvio Santos. Foi do empresário e apresentador a iniciativa de romper com as maiores operadoras de TV por assinatura, cortando os sinais das duas emissoras e da RedeTV! do cabo e do satélite na Grande São Paulo e no Distrito Federal, no final de março.

Coincidentemente, o SBT acabou se beneficiando da medida. Após 45 dias, já recuperou todo o público perdido e se aproximou da rede de Edir Macedo no Ibope, numa acirrada disputa pela vice-liderança. Nas duas concorrentes, avalia-se agora que a ruptura foi um erro estratégico. E seus bastidores começam a vir à tona. 

A estratégia da Simba, joint venture formada pelas três redes para comercializar seus sinais digitais, não era romper com as operadoras no dia 30 de março. A empresa pretendia abrir uma negociação formal a partir daquela data, com muita pressão, mas sem vetar a distribuição das emissoras.

Um comunicado da Net, veiculado uma semana antes do "apagão digital", mudou esse quadro. A operadora informava a seus assinantes que não havia chegado a um acordo com SBT, Record e RedeTV! e que, a partir de 30 de março, não poderia mais assegurar o carregamento de suas programações.

A operadora pretendia apenas cumprir uma obrigação legal, a de notificar os clientes sobre a interrupção de canais. Mas o alerta foi entendido como uma ameaça.

Silvio Santos, então, telefonou para Edir Macedo e Amilcare Dallevo, presidente da RedeTV!, e articulou uma ruptura imediata. A decisão das três redes de declarar guerra às operadoras só foi tomada dois dias antes do apagão.

A operação se revelou um tiro no pé das emissoras. As operadoras não perderam tantos assinantes quanto as emissorase esperavam. Mas o estrago nas audiências das emissoras foi dramático. Nos primeiros dias, a Record chegou a cair 35% em determinados horários.

Hoje, conclui-se na Record e na RedeTV! que romper com a TV paga no mesmo dia do apagão analógico no maior mercado do país foi um erro primário.

Na virada de 30 para 31 de março, as três redes perderam os telespectadores que ainda não tinham migrado para a TV digital aberta (de 5% a 10% da população) e os que só as viam por meio do cabo ou do satélite das operadoras (35%, segundo o Ibope).

Passadas seis semanas, os dados do Ibope mostram que o SBT se deu melhor entre as duas concorrentes parceiras. Nas últimas três semanas, a emissora registrou 6,0 pontos de média das 7h às 24h na Grande São Paulo, muito próximo do que tinha antes (6,4). Já a Record tem oscilado entre 5,9 e 6,4 pontos por dia. Antes do apagão, tinha 8,0 pontos.

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