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Roberto Carlos proíbe Record de tocar músicas e mostrar imagens antigas

Reprodução/RecordTV

Roberto Carlos no Jovem Guarda: Record não pode mostrar o programa que produziu - Reprodução/RecordTV

Roberto Carlos no Jovem Guarda: Record não pode mostrar o programa que produziu

DANIEL CASTRO

Publicado em 23/11/2017 - 6h33

Emissora que ajudou a impulsionar a carreira de Roberto Carlos, com o programa Jovem Guarda nos anos 1960, a Record hoje não pode tocar nenhuma música nem mostrar imagens de arquivo do cantor sem sua prévia autorização. É por isso que os programas da Record sequer citam o nome do músico mais popular do país.

Sob a ameaça de levar um processo judicial, a Record fez um acordo com Roberto Carlos, no início dos anos 2000, em que se comprometeu a não tocar nenhuma música dele. A emissora pode, no máximo, executar suas canções desde que com outros intérpretes. Mesmo assim, tem de pagar um preço alto pelo direito de sincronização, a autorização da editora da música para usá-la em algum programa.

A Record também não pode exibir ou ceder trechos dos programas Jovem Guarda, produzidos entre 1965 e 1968, ou de qualquer outra atração que tenha imagens do cantor, sem sua prévia autorização. Quando autorizada a veiculação, a Record tem de mostrar um crédito dizendo que as imagens pertencem a seu centro de documentação.

O argumento é o de que Roberto Carlos é artista exclusivo da TV Globo, logo precisa proteger a veiculação de sua imagem e voz nas emissoras concorrentes.

A Record se sentiu obrigada a fazer o acordo, para não correr o risco de pagar uma multa milionária, e até hoje não engoliu a história. Por isso, o nome de Roberto Carlos é até hoje proibido nos programas da emissora. Suas músicas, mesmo entoadas por outros intérpretes, também não entram na programação.

Já o material de acervo só é mostrado em ocasiões muito especiais, como em aniversários da emissora.

Tratamento semelhante a Record dispensa a seu acervo de imagens e sons com Elis Regina (1945-1982). Nesse caso, por força de decisão judicial, obtida pela família da cantora. Ao lado de Jair Rodrigues, Elis foi apresentadora do programa O Fino da Bossa, nos anos 1960.

Roberto Carlos dividiu o Jovem Guarda com Erasmo Carlos e Wanderléa. A atração mostrava os titulares e convidados cantando músicas da chamada Jovem Guarda, movimento dos anos 1960 que misturava música (rock), moda e comportamento.

O veto de Roberto Carlos vale apenas para a Record. O SBT, por exemplo, usou duas músicas suas (Jesus Cristo e A Montanha) na novela Carinha de Anjo. Mas teve que negociar previamente.

Além de Roberto Carlos, exigem negociação prévia para o uso de suas músicas Gorge Harrison, Edu Lobo, familiares de Heitor Villa-Lobos, Roberto Menescal, Ronaldo Bôscoli, John Lennon, Yoko Ono, Paul McCartney, Pink Floyd e Bruce Springsteen.

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