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FIM DA LINHA

Marisa Orth explica por que Sai de Baixo acabou no auge: 'Estávamos sufocados'

Reprodução/YouTube

Marisa Orth (Magda) com Miguel Falabella (Caco Antibes) no trailer de Sai de Baixo - O Filme - Reprodução/YouTube

Marisa Orth (Magda) com Miguel Falabella (Caco Antibes) no trailer de Sai de Baixo - O Filme

LUCIANO GUARALDO

Publicado em 17/2/2019 - 7h08

Grande sucesso da Globo nas noites de domingo, o Sai de Baixo (1996-2002) acabou em sua sexta temporada. A possibilidade de uma vida mais longa, como A Grande Família (2001-2014), nunca foi cogitada pelo elenco e pela equipe. Para Marisa Orth, intérprete de Magda, o programa acabou porque todos tinham chegado ao limite. "Estávamos sufocados, nos asfixiava um pouco no fim de seis anos", desabafou a atriz.

"Todo mundo pergunta: 'Ai, por que acabou?'. Mas as pessoas não param para pensar como é que faz para ter seis ou sete personagens dentro de uma sala. Porque não tinha nem um lavabo, um corredor... Vai chegando no limite", explicou.

O Sai de Baixo, de fato, raramente saiu da sala do apartamento no Largo do Arouche. Em 1997, houve uma tentativa de fazer cenas na cozinha do lar, mas o cenário foi pouco utilizado. No início da quinta temporada, a casa foi trocada pela cafeteria Arouche's Place --o fracasso foi tão grande que um dos oito episódios gravados no cenário acabou engavetado e a família voltou rapidamente para sua sala.

Sem a possibilidade de criar histórias que explorassem novos cenários, os roteiristas do Sai de Baixo tinham de tirar humor dos próprios personagens. Assim, as principais características de cada um eram levadas ao extremo.

"A Magda começou tola, terminou bebendo água da privada. O Caco [Miguel Falabella] dava pequenos golpes, terminou um serial killer. O tio Vavá [Luis Gustavo] virou um imbecil, não tinha mais para onde ir", falou Marisa.

Agora, 17 anos depois do fim da atração original, os personagens estão de volta pela segunda vez --em 2013, Globo e Viva se uniram para a produção de quatro episódios especiais, como celebração do terceiro aniversário do canal pago. Sai de Baixo - O Filme chega aos cinemas na próxima quinta (21) e coloca Caco, Magda e companhia em uma viagem de ônibus repleta de trapalhadas.

Sair do apartamento no Arouche foi a maneira encontrada por Miguel Falabella, que assina o roteiro do longa, de criar novas confusões para os personagens. "O filme explode isso [a limitação de contar uma história na sala]. Quando explode o cenário, a gente renova as piadas, as situações", filosofa Marisa.

"Como será que a Madga agiria dentro de um ônibus? Aliás, como seria um ônibus da Vavá Tour [empresa de turismo do personagem de Luis Gustavo]? O filme finalmente mostra tudo isso", ressalta a atriz de 55 anos, que comemorou o fato de ainda caber no figurino ousado da sua personagem. "Fiquei bem feliz."

Espera de décadas para chegar ao cinema
A ida do Sai de Baixo ao cinema pode parecer tardia. Afinal, A Grande Família migrou para as telonas em 2007, enquanto ainda estava no ar semanalmente na Globo. Os Normais (2001-2003) também virou filme durante sua exibição na TV, em 2003 --e ganhou uma sequência em 2009, atendendo a pedidos dos fãs.

Questionado sobre essa demora, Miguel Falabella é direto. "Na época que a gente fazia o programa, não existia cinema no Brasil. Ainda não tinha isso [produção cinematográfica forte] no Brasil nos anos 1990", resume.

De fato, entre a retomada do cinema nacional, em 1995, e o fim do Sai de Baixo, em março de 2002, apenas um longa brasileiro conseguiu superar a marca de 2 milhões de espectadores --Xuxa Requebra (1999). Até Central do Brasil (1998), com suas duas indicações ao Oscar, não passou de 1,6 milhão.

O panorama das comédias começou a mudar só no ano seguinte ao término da atração, justamente com Os Normais - O Filme (2003), que foi visto por 2,9 milhões de pessoas. Sucessos como Se Eu Fosse Você (2006), Até que a Sorte nos Separe (2012) e Minha Mãe É Uma Peça (2013) sedimentaram o humor nacional nas telonas. E isso abriu as portas para que o Sai de Baixo voltasse.

"O bom cenário das comédias brasileiras colaborou muito. E acho que é um bom momento para voltarmos. Porque era um texto muito crítico ao Brasil, e tudo piorou. A gente está bem mais pobre, mais desonesto, mais burro", finaliza Marisa.

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