Grande Sertão: Veredas

Há 32 anos, equipe da Globo consumia um boi por refeição em minissérie

Fotos: Divulgação/Globo

Tony Ramos e Bruna Lombardi foram os protagonistas da minissérie Grande Sertão: Veredas - Fotos: Divulgação/Globo

Tony Ramos e Bruna Lombardi foram os protagonistas da minissérie Grande Sertão: Veredas

REDAÇÃO - Publicado em 18/12/2017, às 05h13

Considerada "inadaptável", Grande Sertão: Veredas foi uma das obras com maior mobilização de profissionais da Globo nos anos 1980. A minissérie, que estreia no canal Viva nesta segunda-feira (18), foi gravada no interior de Minas Gerais, e cerca de 2.000 pessoas trabalharam no local. Com tanta gente, a cada refeição a equipe consumia o equivalente a um boi inteiro, além de toneladas de frutas e milhares de litros de água.

Livro consagrado de Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas foi transformado em minissérie como parte das comemorações dos 20 anos da TV Globo. A produção procurou retratar o universo dos jagunços de forma mais fiel possível, desde os tecidos para os figurinos até a direção das cenas intensas dos protagonistas Riobaldo (Tony Ramos) e Diadorim (Bruna Lombardi).

A escalação de Bruna, aliás, foi sugerida e muito defendida pelo diretor Walter Avancini, que queria uma atriz bonita e conhecida para o papel de um cangaceiro. Ela foi muito elogiada pela personagem e logo depois emplacou papéis de protagonista em uma minissérie e uma novela.

Relembre curiosidades e fatos que marcaram Grande Sertão: Veredas:

Sebastião Vasconcellos e Tarcísio Meira também interpretaram jagunços na minissérie

Superprodução
Grande Sertão: Veredas foi gravada ao longo de três meses, e nesse período a Globo levou 2.000 pessoas para trabalharem nas locações, no lugarejo de Paredão de Minas, distrito de Buritizeiro, cidade de 29 mil habitantes no norte de Minas Gerais. Uma grande estrutura de gravação e hospedagem foi construída para acomodar tanta gente, e os números são impressionantes.

Além de comerem um boi por refeição, os profissionais consumiam uma tonelada de frutas por semana e 13 mil copos de água a cada dia de trabalho. A equipe de maquiagem usava oito quilos de base e 50 litros de sangue cenográfico por semana, segundo o site Memória Globo.

Ramos e Bruna em cena da trama: os dois duvidaram de que poderiam fazer esse trabalho

Esforço dos atores
O elenco principal da minissérie passou por percalços durante os meses de gravação. Tony Ramos teve de emagrecer oito quilos, além de fazer treinamentos de equitação, rastejamento militar e tiro.

Já Bruna Lombardi por pouco não foi picada por escorpiões. "Vivemos como vive um jagunço. Eu passava 12, 15 horas em cima de um cavalo, tirava escorpião de dentro da bota... Descobri em mim uma força que eu não sabia que tinha", contou ao Memória Globo.

Tony Ramos teve de ser convencido pelo diretor da minissérie a fazer o papel de Riobaldo

A dúvida de Tony Ramos
Tony Ramos não acreditava que seria capaz de interpretar o jagunço Riobaldo, que explora o sertão, enfrenta seus demônios, encara batalhas com outros grupos de cangaceiros e descobre seus sentimentos mais íntimos na relação com Diadorim (por quem se apaixona sem saber que se trata de uma mulher).

"Eu, o Riobaldo jagunço? Tenho inglês, italiano, espanhol e português na família. Eu não vou convencer", disse Ramos ao diretor Walter Avancini (1935-2001). "Ele disse: 'É o péssimo hábito do artista brasileiro de achar que não pode. Eu quero você enquanto ator'", contou Ramos ao Memória Globo.

Bruna Lombardi interpretou Diadorim e conseguiu emplacar duas protagonistas em seguida

A escolha de Bruna Lombardi
Em seu livro O Circo Eletrônico, o diretor Daniel Filho contou que, como supervisor de Grande Sertão, no início foi contra a escolha de Bruna Lombardi para o papel de Diadorim, mulher que se esconde sob a identidade de um jagunço para vingar a morte do pai e desperta a paixão (e a confusão sentimental) de Riobaldo.

"Avancini me vendeu com grande dificuldade a escolha de Bruna Lombardi para o papel de Diadorim. O grande conflito é a paixão entre os dois jagunços. Ao se saber de antemão tratar-se de uma mulher, some o enredo principal. Mas Avancini defendia que na televisão, e com a distância entre gravação e exibição, o segredo seria revelado de qualquer maneira. Melhor seria uma linda e conhecida atriz no papel de homem. Concordei", explicou.

Bruna, por sua vez, também ficou assustada com a proposta. "Entrei numa crise quando o Avancini me convidou para fazer Diadorim. Conhecia o livro e achei que não tinha nada a ver comigo. Eu era vista como uma heroína romântica, frágil. Durante um tempo me perguntei o que tinha em comum com aquela força da natureza. Foi um trabalho vital, mesmo", disse ao Memória Globo.

Pelo bom desempenho com a personagem, Bruna foi "premiada": ganhou os papéis principais nas duas produções seguintes que fez na Globo, a minissérie Memórias de um Gigolô (1986) e a novela Roda de Fogo (1986).

Com 25 episódios, Grande Sertão: Veredas fez sucesso e foi vendida para vários países

Repercussão da "inadaptável"
Daniel Filho lembra que, nos bastidores da Globo, Grande Sertão: Veredas era considerada uma obra muito difícil de transformar em minissérie, muito complexa, praticamente "inadaptável". "Mas julgo que Avancini conseguiu um trabalho maravilhoso de pesquisa, de persistência", afirmou em seu livro.

A experiência ousada, com 25 capítulos e cenas impactantes (com nudez de Bruna Lombardi e Tony Ramos vagando pela floresta transtornado, por exemplo), foi muito bem recebida por público e crítica. A minissérie foi vendida para países como Estados Unidos, França, Peru, Polônia e Portugal.

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