Balanço 2014

Em crise, Zorra Total, Pânico e CQC serão reformulados em 2015

Divulgação/TV Globo

Thalita Carauta e Rodrigo Sant'anna em cena de Zorra Total; humorístico da Globo será reformulado - Divulgação/TV Globo

Thalita Carauta e Rodrigo Sant'anna em cena de Zorra Total; humorístico da Globo será reformulado

PAULO PACHECO - Publicado em 19/12/2014, às 17h28 - Atualizado em 21/12/2014, às 06h57

Três dos principais humorísticos da TV passaram 2014 em crise de audiência e serão completamente reformulados em 2015. Zorra Total (Globo), Pânico e CQC (Band) terão mudanças no elenco e no formato para melhorar o ibope e ter mais qualidade. Na opinião de comediantes e redatores de humor, as transformações são bem-vindas, mas podem trazer riscos.

Humorístico da Globo há mais tempo no ar (desde 1999), o Zorra Total será totalmente diferente do programa que foi ao ar até 2014. Chamado simplesmente de Zorra, será uma versão mais popular do Tá No Ar. Neste ano, algumas mudanças já começaram a ir ao ar em pequenas doses, como uma edição mais ágil e piadas com temas atuais. Um dos criadores do programa, Maurício Sherman, foi afastado da direção do programa e substituído por Maurício Farias e Marcius Melhem.

Sob novo comando, o Zorra manterá o apelo popular, mas será rejuvenescido. Grande parte do elenco também não será aproveitado. Katiuscia Canoro, a Lady Kate, não estará no Zorra em 2015. Rodrigo Sant'anna, que interpreta Valéria, Soninha Sapatão e Admílson, é um dos remanescentes.

Embora tenha perdido quase metade da audiência em oito anos (fechará 2014 com 17 pontos, contra 33 em 2006), o programa ainda agrada à Globo e aos anunciantes de produtos populares. Roteirista do Zorra Total entre 2008 e 2010, Jorge Barbosa, atualmente no Programa do Ratinho (SBT), acredita que o programa não está em crise, mas faz humor antigo e merece ser renovado.

"É difícil falar em fracasso. É um tipo de humor antigo, apenas. O Zorra é sucesso de vendas e público, só não é de crítica. Talvez seja isso que [a Globo] busca. Pode ser mais moderno, mudar o jeito de fazê-lo", opina o roteirista.

Redator de humorísticos da Globo nos anos 1980 e 1990, o apresentador João Kleber apoia a renovação do Zorra Total, mas teme pela situação do elenco mais velho do programa, como Paulo Silvino (75 anos), José Santa Cruz (85) e Orlando Drummond (95).

"Aprendi com o Chico Anysio que não existe humor velho ou novo. Existe humor. Se a pessoa riu, é humor. Se for para trazer renovação no sentido de trazer novos humoristas, que seja bem-vindo. Mas eles [os humoristas mais velhos] não podem sair. São nossos patrimônios", se preocupa.

Dani Calabresa, Marco Luque, Naty Graciano e Marcelo Tas no CQC

CQC reformulado

O CQC também será completamente reformulado após o pior ano da história no Ibope. O programa chegou a ficar em quinto lugar na Grande São Paulo e perdeu relevância. Para tentar levantar o humorístico, a Band deu um choque e trocou quase metade do elenco. Oscar Filho, Felipe Andreoli, Ronald Rios e Guga Noblat deixam a reportagem. Marcelo Tas e Dani Calabresa, a bancada.

Em 2015, o CQC terá Dan Stulbach, Rafinha Bastos e Marco Luque como apresentadores e Maurício Meirelles, Lucas Salles e Rafael Cortez como repórteres. Naty Graciano tem contrato e deverá continuar.

Remanescente, Maurício Meirelles defende a mudança no humorístico e acha que o CQC deve arriscar mais para melhorar em 2015: "Comédia é reinvenção. Se eu contar a mesma piada duas vezes seguidas, na terceira você nem ri mais. Toda tentativa de mudança na comédia é positiva. E comédia sem risco nunca vai ter graça".

Emílio Surita apresenta o Pânico na Band (Divulgação/Band)

Pânico: volta ao velhos tempos

O Pânico tentará voltar aos velhos tempos com o retorno de Carlinhos Silva, o Mendigo, que havia deixado o programa no começo de 2008 ao lado de Vinícius Vieira, o Gluglu. Ele ocupará o lugar de Wellington Muniz, o Ceará, de mudança para o canal pago Multishow.

Em 2015, o programa será mais cobrado pela direção da Band. O Pânico não consegue mais alcançar dois dígitos no Ibope, situação diferente da estreia do humorístico na emissora, em 2012, ou quando estava na RedeTV!. Fechará 2014 com média de cinco pontos, uma das piores da história.

Primeiro roteirista do Pânico, onde ficou até 2006, Jorge Barbosa sugere a volta do Pânico ao formato inicial, brincando com famosos e criando pegadinhas na imprensa: "Sou a favor de mais humor, mais imitações, mais celebridades. O negócio do Pânico é diversão, brincar, trollar, enganar, e eles sabem faz isso muito bem".


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