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Desmotivados, autores de séries acusam 'coronelismo' na Globo

João Miguel Jr./TV Globo

Leandro Hassum em cena de Chapa Quente: continuidade da série é criticada nos bastidores - João Miguel Jr./TV Globo

Leandro Hassum em cena de Chapa Quente: continuidade da série é criticada nos bastidores

DANIEL CASTRO

Publicado em 26/1/2016 - 6h04

Roteiristas de séries de humor da Globo não estão achando a menor graça na atual conjuntura da emissora. Reservadamente, eles reclamam da falta de espaço e se dizem desmotivados a apresentar novos projetos de programas. Apontam para um suposto "coronelismo": os dois principais horários para humorísticos na emissora são dominados, desde 2011, por Claudio Paiva (autor) e Guel Arraes (diretor de gênero). A situação não deve mudar pelo menos até o final de 2017. A dupla é acusada de só investir em projetos deles mesmos. A Globo nega.

Paiva comanda o fórum de humor, onde são apresentados os projetos; Arraes é diretor de dramaturgia seriada, que executa os projetos. Desde o fim do Casseta & Planeta, em 2010, os dois ocupam os principais horários de humor da emissora, a faixa após a novela das nove, primeiro com Tapas & Beijos e A Grande Família e, atualmente, com Mister Brau e Chapa Quente.

Miguel Falabella (Pé Na Cova) e a dupla Marcius Melhem e Marcelo Adnet (Tá No Ar) são vistos como "heróis da resistência", que conseguem emplacar projetos correndo por fora, em horários menos nobres, assim como Fernanda Young e Alexandre Machado, com as noites de sextas. Zorra, aos sábados, é um caso à parte.

A Globo tem mais de uma centena de roteiristas de humor. Quase todos ambicionam emplacar um projeto próprio. No final do ano passado, a emissora os reuniu para um balanço da produção de humor. O encontro foi imediatamente batizado de "palestra desmotivacional": os principais horários da emissora já estão ocupados até o final de 2017. Até lá, a Globo insistirá em Mister Brau (encomenda de Arraes a Jorge Furtado) e em Chapa Quente (criada por Paiva). A segunda, com Leandro Hassum e Ingrid Guimarães, essa é quase uma unanimidade: é ruim, deveria ter acabado em 2015. São séries líderes no Ibope, mas suas audiências são inferiores às de minisséries e reality shows que ocupam o mesmo horário, como Big Brother Brasil. 

O que mais desmotiva os roteiristas é que a área de humor é dirigida por dois profissionais que também produzem e que não se envolvem com projetos que não lhes interessam. Diferentemente da área de novelas, em que o diretor, Silvio de Abreu, parou de escrever temporariamente, no humor o diretor de gênero e o diretor do fórum de ideias são muito ativos. São apontados internamente como "promotores" e "juízes". Eles mesmos julgam os projetos que apresentam. E ignoram as ideias alheias.

Nada do que se oferece para o fórum de humor ou para a direção de dramaturgia seriada vinga. Só quem tem cacife para chegar à alta cúpula da emissora, como Miguel Falabella, consegue driblar o "coronelismo". E, ainda assim, só conseguem pegar as "sobras": a terceira linha de shows (caso do Tá no Ar em 2014), as noites de sextas-feiras (quando a audiência é menor, caso de Fernanda Young) ou o pós-Fantástico (caso do novo projeto de Falabella, sobre uma companhia aérea falida).

A área de humor tem uma estrutura tão singular que Brasil a Bordo, nome do novo seriado de Miguel Falabella, ficará sob o guarda-chuva de Ricardo Waddington, diretor de variedades (responsável por programas como Amor & Sexo, Domingão do Faustão e Caldeirão do Huck). O fracassado Tomara que Caia só andou sob o comando de J.B. Oliveira, o Boninho, considerado um especialista em reality shows. Pé na Cova só emplacou porque Miguel Falabella se entendeu diretamente com Carlos Henrique Schroder, diretor-geral da emissora.

"As pessoas estão desestimuladas a apresentar projetos de humor. A Globo está aberta a novos projetos, mas os roteiristas não se sentem à vontade para mostrar suas ideias por causa desse coronelismo na área", diz um autor, que pede para não ser identificado. "Por que vou apresentantar se não vão aprovar?", questiona. 

Outro lado

Procurada, a Globo nega "coronelismo". A emissora argumenta que a existência de "um fórum de criação e aprovação não é novidade" e que a lista de programas que estão no ar e que estão em produção comprova que não há um único grupo criando essas atrações. A rede cita a inédita Supermax, escrita por Fernando Bonassi e Marçal Aquino, além de co-autores como Braulio Montovani, Carolina Kotsho, Dennison Ramalho, Juliana Rojas, Raphael Draccon e Raphael Montes. Supermax, no entanto, não é uma série de humor e não deve ficar com a primeira linha de shows (após a novela das nove).

"Em Mister Brau, a redação final é de Jorge Furtado; em Chapa Quente, é de Claudio Paiva, mas a cada episódio um grupo diferente de roteiristas escreve o texto. Em Chapa Quente, por exemplo, temos autores como Marcio Wilson, Jovane Nunes, Victor Leal, Alexandre Plosk e Cristiane Dantas. Em Mister Brau, Adriana Falcão, Claudia Jouvin, Marcelo Gonçalves, Bernardi Guilherme, Péricles Barro, entre outros", lembra o departamento de Comunicação da emissora.


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