Morreu há 5 anos

De salário miserável a horror de pobre: os bordões eternos de Chico Anysio

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Chico Anysio em cena como seu personagem Raimundo Nonato, no cenário da Escolinha - Reprodução/Globo

Chico Anysio em cena como seu personagem Raimundo Nonato, no cenário da Escolinha

REDAÇÃO - Publicado em 22/03/2017, às 05h23

Há cinco anos, em 23 de março de 2012, morria Chico Anysio (1931-2012), um dos grandes criadores da televisão brasileira. A importância de seu trabalho na TV pode ser medida tanto por volume quanto pela relevância: ao longo de 44 anos de carreira na Globo, o humorista interpretou mais de 150 personagens, muitos com estilos e bordões que permanecem até hoje na memória do público.

O primeiro personagem criado por Chico Anysio, quando ele ainda trabalhava em uma rádio, é também o mais conhecido e representado até hoje: Professor Raimundo (vivido atualmente pelo filho do comediante, Bruno Mazzeo). O bordão do personagem continua atual para muitos professores: "E o salário, ó".

A crítica social sempre foi presente nos esquetes de Chico Anysio, ainda que muitos de seus personagens desprezassem o politicamente correto para cutucar feridas da sociedade. O político corrupto Justo Veríssimo, por exemplo, deixava suas opiniões claras de forma nada suave: "Quero que pobre se exploda", dizia.

Nesta quinta-feira (23), o canal Viva terá programação especial em homenagem ao humorista. A partir das 20h, serão exibidos episódios da Escolinha do Professor Raimundo e do Chico City. Relembre alguns dos personagens mais marcantes de Chico Anysio e seus bordões inesquecíveis:

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O Professor Raimundo Nonato, que sabatinava alunos nada estudiosos em sua Escolinha

Professor Raimundo: "E o salário, ó"
Chico Anysio criou o personagem em 1952, na Rádio Mayrink Veiga, e em 1957 o levou para a televisão como um quadro do programa Noites Cariocas, da TV Rio. Na época, Professor Raimundo sabatinava apenas três alunos. A Escolinha migrou para a Globo em 1973, dentro do Chico City, e a sala ganhou mais alunos em 1982, no Chico Anysio Show. Mas foi em 1990, quando virou um programa independente, que a Escolinha teve os esquetes mais divertidos, com dezenas de comediantes.

Anysio interpretava Raimundo Nonato, que tratava com muita paciência seus alunos dispersos e nada estudiosos. Para chamar os comerciais, ele dizia: "É vapt, vupt". Para encerrar o programa, lembrava o problema da baixa remuneração para professores: "E o salário, ó".

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Com bigode vasto, o político Justo Veríssimo só abria a boca para destilar preconceitos

Justo Veríssimo: "Quero que pobre se exploda"
Político corrupto e populista, Justo Veríssimo ostentava um bigode impecável e enchia a boca para destilar seu ódio a quem não era rico e poderoso como ele. O parlamentar apareceu em Estados Anysios de Chico City (1991) e no Zorra Total (1999), como alguém que estava sempre pronto para tirar vantagem das situações e expor seu preconceito: "Quero que pobre se exploda", declarava.

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Bento Carneiro, o vampiro brasileiro, atrapalhado, medroso e azarado de Chico Anysio

Bento Carneiro: "Minha vingança sará maligrina"
"Bento Carneiro, o vampiro brasileiro" era como ele se apresentava _seguido por uma cusparada. Com sotaque caipira, ele tentava, mas nunca conseguia assustar um mortal e conseguir sangue. O vampiro nacional era medroso, fraco e representado com maquiagem tosca. No final de seus ataques frustrados, ele dizia o bordão "Minha vingança sará maligrina".

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O personal trainer Haroldo tentava manter uma pose de "machão", mas não conseguia

Haroldo: "Eu sou hetero machão"
Nos anos 1980, quando era personagem do Chico Anysio Show, Haroldo P. Brasão tinha decidido voltar para dentro do armário. Personal trainer, ele tentava esconder sua homossexualidade e passar a imagem de macho alfa. "Eu sou Haroldo, o hétero machão", dizia para as mulheres, até ser desmascarado por um amigo do passado. Em todo esquete, Leon (Eduardo Martini) chamava Haroldo pelo codinome Luana e o incentivava: "Solta essa franga!".

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Bozó, o suposto funcionário da Globo que sempre usava a emissora para tentar se dar bem

Bozó: "Eu trabalho na Globo, tá legal?"
Grande malandro, Bozó, personagem do Chico Total (1981), gostava de contar vantagem e se gabar para as mulheres. "Diz que trabalha na Globo, mas isso não é confirmado. O pessoal da Globo nega. Mas ele descobriu que o crachá abre algumas portas", explicou Chico Anysio em um depoimento na emissora. Sempre que uma bela dama se aproximava, Bozó começava a se vangloriar, e tinha certeza de que era um bom partido ao dizer: "Eu trabalho na Globo, tá legal?".

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O personagem Nazareno não gostava da mulher e sempre mandava que ela ficasse "Caaalada"

Nazareno: "Caaalada!"
Na segunda versão de Chico Total, em 1996, Chico Anysio interpretou Nazareno, um funcionário público dividido entre duas mulheres. Casado com Sofia (Leila Miranda), ele a considerava feia, a maltratava e a censurava. O maior bordão desse esquete era o ultimato de Nazareno para Sofia: "Caaalada!". Quando ela estava longe, ele aproveitava para tentar seduzir a bela empregada da casa (interpretada por Monique Evans).

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Chico Anysio em cena como o personagem Painho, o pai de santo mais concorrido da Bahia

Painho: "Affe, eu tô morta"
Um pai de santo homossexual altamente requisitado pela alta sociedade baiana era o protagonista desse esquete, do programa Estados Anysios de Chico City. Painho era Ruy de Todos os Santos, que vivia cercado de ajudantes e lia a sorte e o futuro de celebridades nos búzios. Quando os clientes saíam, ele confessava: "Affe! Eu tô morta".

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Chico Anysio em 2011, quando fez um esquete especial da personagem Salomé no Zorra Total

Salomé: "Barbaridade"
A grande amiga e confidente do ex-presidente do Brasil João Figueiredo (1918-1999) era a senhora Salomé. Gaúcha, ela jurava que conseguiria fazer a cabeça do militar e, durante suas conversas com ele por telefone, sempre exclamava: "Barbaridade". Em 2011, Chico Anysio gravou um esquete especial para o Zorra Total em que Salomé ligava para a então presidente Dilma Rousseff.

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Chico Anysio e Zezé Macedo em cena; personagens dos dois brigavam por causa de bebida

Tavares: "Derrama meu sangue, mas não derrama meu uísque"
O personagem Tavares era um malandro carioca que gostava muito mais de uma garrafa de bebida alcóolica do que de sua própria mulher. Sempre com um copo na mão, Tavares vivia bêbado e brigando com a companheira, a endinheirada Elisabeth (Zezé Macedo). Durante as discussões, ele deixava claro: "Derrama meu sangue, mas não derrama meu uísque".

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Tim Tones, o pastor hipócrita e mau caráter criado por Chico Anysio na década de 1980

Tim Tones: "Podem correr a sacolinha"
Um pastor evangélico que pregava sempre vestido de branco dos pés à cabeça e com óculos escuros. Tim Tones, personagem do Chico Anysio Show, foi inspirado em Jim Jones, fanático religioso norte-americano que organizou um suicídio em massa.

Racista, o pastor enriqueceu sua família com os lucros da seita. Na sátira, o humorista fazia graça com as contribuições (caras) que muitos pastores pedem até hoje a seus fiéis. Em seus cultos, Tim Tones sempre ordenava a seus "afilhados": "Podem correr a sacolinha [para arrecadar dinheiro]".

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