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ATRIZ DE MINISSÉRIE

Como a política e protestos raciais afetam o duelo mais acirrado do Emmy

DIVULGAÇÃO/HBO/FX

Regina King aparece com um vestido verde em Watchmen; Cate Blanchett surge de bege e cabelo curto em Mrs. America

Regina King em Watchmen e Cate Blanchett em Mrs. America; eis a disputa mais intrigante do Emmy

JOÃO DA PAZ

joao@noticiasdatv.com

Publicado em 18/9/2020 - 7h30

De todas as 23 categorias na principal noite do Emmy de 2020, a disputa pela estatueta de atriz de minissérie ou telefilme é a mais acirrada. Isso porque elementos políticos, em conjunto com a onda de protestos raciais nos Estados Unidos, afetaram diretamente a escolha feita pelos integrantes da Academia de Televisão. Eis um dilema e tanto.

Com um Oscar e o status de queridinha do Emmy, dona de um incrível aproveitamento de três vitórias em quatro indicações, Regina King está de um lado desse duelo por sua atuação em Watchmen (HBO).

Na oposição aparece Cate Blanchett, vencedora de dois Oscars, em sua estreia no Emmy por Mrs. America. A minissérie terá uma pré-estreia no Fox Premium 1 neste sábado (19), a partir das 22h15, com a exibição dos dois primeiros episódios.

O confronto que divide apostadores e críticos tem um pouco de tudo, desde as respectivas atuações até o que cada personagem representa. O simbolismo aqui é de suma importância. Em diferentes polos, Regina e Cate protagonizam uma batalha com lugar assegurado na história da TV e do Emmy.

divulgação/hbo

Com um uniforme tipo de freira, a atriz Regina King bancou a durona no drama Watchmen


Heroína negra

Baseada em uma HQ homônima, Watchmen foi lançada em outubro do ano passado como a primeira série de herói da HBO. Embora tenha causado um burburinho naquele período, a trama voltou à tona com força maior em março. A morte do segurança negro George Floyd, assassinado por um policial branco, incitou uma onda de protestos raciais não vista nos Estados Unidos em meio século. Temas como racismo estrutural entraram em debate para ficar.

Rapidamente, Watchmen retornou às manchetes porque mostrou, entre outras coisas, uma heroína negra enfrentando uma seita racista e, de tabela, no combate a todo preconceito sistêmico visto na sociedade contra pessoas não brancas. Regina King deu vida a essa justiceira chamada de Sister Night, com o nome civil de Angela Abar, policial da cidade de Tulsa.

Para muitos especialistas, Regina é a favorita disparada. Além de estar sempre nas graças dos votantes do Emmy, ela conta com uma carga emotiva muito emblemática de sua personagem e com a atuação na série com mais indicações ao prêmio deste ano (26). A trama deu lições históricas sobre racismo desconhecidas do grande público e mostrou a covardia da violência brutal contra negros.

Hollywood, com a tendência de ser progressista e ativista, não deixaria passar a oportunidade de premiar um trabalho como esse e ganhar de brinde um potencial discurso histórico de Regina vitoriosa. Contudo, a sua adversária é muito forte.

divulgação/fx

Vencedora do Oscar, Cate Blanchett busca o primeiro Emmy pela minissérie Mrs. America


Dama antifeminista

A australiana Cate Blanchett tem 28 anos de carreira, venceu o Oscar em duas décadas diferentes e é dona de um currículo invejável. Dito isso, não é exagero dizer que Mrs. America é uma das três melhores atuações de sua vida. Ela encarnou a autora Phyllis Schlafly (1924-2016), tida como a primeira-dama do antifeminismo devido às ideias conservadoras que pregou dos anos 1960 até a morte.

Com todos os trejeitos de Phyllis imitados à perfeição, Cate tem muita coisa a seu favor, como o fato de ser uma vencedora do Oscar e representar uma personagem histórica em uma produção de alto nível, variantes que os votantes do Emmy adoram. Mas pesa contra um detalhe: é viável premiar uma interpretação de uma conservadora radical branca nos tempos atuais?

Mrs. America mostrou como a segunda onda do feminismo nos EUA juntou mulheres a favor do aborto, contra o machismo e pela igualdade dos direitos na Constituição, o que não ocorria. Não havia lei que dava para as mulheres o mesmo direito concedido aos homens, o que as colocava como cidadãs de segunda classe. Marchas feministas tomaram conta do país, pressionando políticos de vários Estados a aprovarem uma emenda à Constituição que igualaria os sexos.

Em um primeiro momento, as integrantes desse movimento ignoraram uma força então minúscula que se levantava. Com base em correspondências via correio, Phyllis buscava mulheres que eram contra as ideias defendidas pelas feministas. Ela acabou formando um exército de apoiadoras da mulher dona de casa, submissa ao marido, exemplar da dita família tradicional.

No fim das contas, Phyllis perdeu a guerra. Mas acumulou vitórias em várias batalhas e fundou uma organização que persiste na luta de conceitos conservadores. Ela fez campanha para o empresário Donald Trump ser eleito presidente dos EUA e, um dia antes de morrer, publicou o derradeiro livro: The Conservative Case for Trump (O Caso Conservador a Favor de Trump).

Será que pegaria bem para Hollywood premiar uma atriz que viveu uma ferrenha apoiadora de Trump, presidente zombado dia sim e outro também no mundo do entretenimento? Ou questões políticas como essa não deveriam interferir no trabalho artístico? Quem quiser arriscar um palpite fique à vontade. Faça sua aposta.

O Emmy de 2020 será realizado neste domingo (20), com transmissão da TNT, a partir das 21h. Toda a cerimônia será feita remotamente.



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