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Análise: Com tema clichê, Atypical dá aula de autismo para iniciantes

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Sam (Keir Gilchrist), protagonista de Atypical, passa a série em busca de uma namorada - Divulgação/Netflix

Sam (Keir Gilchrist), protagonista de Atypical, passa a série em busca de uma namorada

ODARA GALLO - Publicado em 15/08/2017, às 05h59

O corredor do colégio, cercado de armários e adolescentes que tentam se encaixar na fase mais conturbada de suas vidas. Nesse ambiente, que é um patrimônio da dramaturgia estadunidense, Sam (Keir Gilchrist) busca uma namorada. O que já seria conflituoso para qualquer jovem, ganha ritmo de gincana por se tratar de um garoto autista.

Atypical, que estreou na Netflix na última sexta-feira (11), mostra em oito episódios de meia hora a estratégia do protagonista, que encontra uma solução quase matemática para alcançar o objetivo, e faz o público olhar por outro ângulo um tema batido: relacionamentos amorosos.

Para situar o espectador do que está por vir e desenvolver os conflitos, a série tem um tom quase didático no início. É como se fosse uma aula de autismo para iniciantes. As lições são dadas pelo próprio protagonista, em suas falas durante a terapia, ou por sua mãe, Elsa (Jennifer Jason Leigh), no grupo de apoio para pais que frequenta.

Há uma preocupação com termos politicamente corretos, as explicações cumprem bem o papel e tratam de não estigmatizar os autistas nem como pessoas que vivem em "um mundo só deles", termo erroneamente usado para tratar do tema, nem como gênios com superpoderes.

Sam é um adolescente inteiro, complexo, que vive ansiedades e dúvidas inerentes à iniciação da sua vida amorosa e sexual. O autismo é uma das camadas do personagem, que apresenta personalidade que vai além do transtorno.

Pessoas que estão dentro do espectro do autismo, por característica, têm dificuldade para entender e praticar traquejos sociais que são naturais nos neurotípicos, e é nessa peculiaridade que a trama se desenvolve. Para driblar isso, o protagonista, por exemplo, anota em um caderninho o passo-a-passo de um flerte: fazer contato visual, desviar o olhar, fazer contato de novo, sorrir sem mostrar os dentes.

Na "gincana" de Sam em busca de uma namorada, o público tem acesso ainda a um exemplo do impacto que uma pessoa com o transtorno causa na família. A insegurança do pai que tende a se afastar, a abdicação da mãe e o companheirismo e implicância da irmã são mostrados sem dramalhão, com pitada assertiva de humor, e cumpre o papel de posicionar o jovem autista como alguém com quem é possível conviver.

O preconceito e a inclusão são abordados sem assistencialismo, há um questionamento pertinente sobre modificar a rotina de muitos para atender poucos, e o ponto alto está exatamente na comovente solução que a namorada irritante de Sam encontra para ele aproveitar o baile de inverno como qualquer adolescente de sua idade.

Em contraponto às dificuldades tão básicas do personagem principal, a trama entrelaça questões mais complexas que envolvem relações, como desgaste no casamento, virgindade, ciúme, traição. Não é difícil para todo mundo, afinal?

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