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Análise | Teledramaturgia

Personagens erradas e inexperiência prejudicam atrizes em 2015

João Miguel Júnior/TV Globo

A atriz Camila Pitanga na novela Babilônia, em que interpretou Regina, uma mocinha capenga - João Miguel Júnior/TV Globo

A atriz Camila Pitanga na novela Babilônia, em que interpretou Regina, uma mocinha capenga

RAPHAEL SCIRE

Publicado em 20/12/2015 - 6h54

Se 2015 foi um ano ruim para os homens na televisão, o mesmo não se pode dizer das mulheres. Até aquelas atrizes que emendam um trabalho após o outro, como Giovanna Antonelli (Atena, de A Regra do Jogo) e Paolla Oliveira (Melissa, de Além do Tempo), mostraram vigor e entrega a suas personagens, emocionaram e encontraram nuances para os tipos aos quais dão vida. Contudo, houve derrapadas que merecem ser lembradas.

Camila Pitanga, a Regina de Babilônia, encabeça o ranking dos erros do ano. Excelente intérprete, Camila foi tremendamente prejudicada pela mocinha capenga que teve de encarar. Fraca e sem química com o par principal, Vinícius (Thiago Fragoso), Regina fez sua intérprete descascar um abacaxi enorme. No começo, Camila Pitanga gritou demais e estourou o tom da personagem, extremamente barraqueira. No final da novela, quando o perfil da mocinha foi completamente alterado, a atriz entrou nos eixos, mas já era tarde demais.

Outro exemplo de atriz prejudicada pelo papel é Adriana Birolli, que atualmente interpreta Lorena, em Totalmente Demais. É a terceira personagem com perfil arrogante e nojenta a que a atriz dá vida e que por isso corre o risco de ficar estereotipada. Assim como a Izabel de Viver a Vida (2009), a Maria Marta jovem e a Amanda de Império (2014/15), sua criação de agora carrega o mesmo jeito “nariz em pé e dona da verdade”. Está mais do que na hora de Adriana escolher melhor seus papéis caso não queira ficar presa a um só tipo de personagem.

A inexperiência também jogou contra as mulheres em 2015. Tatá Werneck, por exemplo, tinha um excelente papel em mãos, mas sua falta de estofo fez com que ela rebolasse muito para encontrar o tom da tresloucada Danda, de I Love Paraisópolis. No começo da história, além da dicção complicada por sua fala rápida, Tatá imprimiu os mesmos maneirismos de sua personagem anterior, a Valdirene, de Amor à Vida (2013). Orientada, conseguiu a tempo reverter o estrago, que não passou batido. Agora é esperar para ver o desempenho da moça em Haja Coração, na pele de Fedora Abdalla.

zé paulo cardeal/tv globo

Em I Love Paraisópolis, Tatá Werneck repetiu trejeitos de personagem da novela Amor à Vida

Encarar uma vilã enlouquecida requer um mínimo de preparo de uma atriz, a fim de causar convencimento nas maldades que a personagem comete. Não foi o que Ana Carolina Dias mostrou na reta final de Império. Ao optar por investir mais na sensualidade da personagem do que no subtexto da vilania, Ana Carolina deixou a desejar. A cena em que a advogada Carmem fica presa em um incêndio e morre, exibida em março, foi um festival de horror. Aqui, cabe um puxão de orelha à direção, que não soube orientar a atriz.

No mais, o ano foi de grandes momentos para atrizes tarimbadas, como Irene Ravache, a Vitória de Além do Tempo, Adriana Garambone, a Yunet de Os Dez Mandamentos, Débora Bloch, a Ligia de Sete Vidas e Glória Pires, que fez o que pôde para não deixar a peteca cair com a Beatriz de Babilônia. Além disso, 2015 serviu para consolidar o protagonismo de duas jovens atrizes: Isabelle Drummond, a Julia de Sete Vidas, e Bruna Marquezine, a Mari, de I Love Paraisópolis.

A novata Camila Queiroz, a Angel de Verdades Secretas, também fez ótima estreia e convenceu em seu primeiro papel. Mas a surpresa de 2015 veio de uma atriz malhada pela crítica em seus papéis anteriores e que, com preparo e dedicação, soube se reinventar: Grazi Massafera mostrou coerência e convenceu como a modelo devastada pelo crack na mesma novela.

Para o próximo ano, a Globo já decidiu que todo seu elenco deve passar por preparação antes da estreia de uma novela, uma prática já adotada por alguns diretores, como Luiz Fernando Carvalho e Mauro Mendonça Filho. É de se esperar que a iniciativa traga benefícios não só para os intérpretes, mas também para o público, que poderá assim embarcar com mais afinco e verdade nas histórias contadas. 


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