Golpista?

Análise: Globo é vítima de teorias conspiratórias por erros do passado

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Manifestante pede Diretas Já durante protesto que acabou em tumulto na quarta, em Brasília - Marcelo Camargo/Agência Brasil

Manifestante pede Diretas Já durante protesto que acabou em tumulto na quarta, em Brasília

DANIEL CASTRO - Publicado em 26/05/2017, às 05h29

A delação premiada do empresário Joesley Batista colocou a Globo no meio de um furacão. Primeira rede a noticiar que Michel Temer foi gravado por Batista supostamente dando aval para uma ação de corrupção, a Globo acabou sendo acusada de conspirar contra o presidente da República, de prejudicar a retomada do crescimento e de frear o avanço das reformas da Previdência e das leis trabalhistas.

O próprio Michel Temer reclamou da Globo. Em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada na última segunda-feira (22), se disse vítima de um "bombardeio" promovido pela emissora. Secretário-geral da Presidência, Moreira Franco protestou diretamente à família Marinho, conforme revelou a colunista Mônica Bergamo.

Temer ficou tão irritado com a Globo que chegou a questionar o sistema brasileiro de concessões de TV, de acordo com o site Poder360. Teria indicado a assessores que não acha correto as concessões serem renovadas gratuitamente.

Para boa parte da população, a Globo está mais preocupada em derrubar um presidente que supostamente não atende a seus interesses do que em praticar bom jornalismo. A teia de teorias conspiratórias chega a apontar o apresentador Luciano Huck como candidato da emissora à Presidência da República, em 2018. 

Uma análise criteriosa do Jornal Nacional e do Jornal Hoje desde o dia 24, quando um colunista do jornal O Globo publicou o conteúdo bombástico da gravação de Joesley Batista, mostra que a Globo tem feito apenas bom jornalismo. Ela deu ao assunto a importância que ele tem; afinal, se trata de um presidente da República envolvido diretamente em um escândalo. Não foi bombardeio. Foi cobertura ostensiva e extensiva, com espaço para todos os lados envolvidos.

A Globo também agiu assim nas denúncias envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governo de Dilma Rousseff, que acabou sofrendo impeachment no ano passado. Para os petistas, a Globo foi golpista naquela época. Para os anti-petistas, está sendo golpista agora.

Isso, no fundo, é bom para a emissora e para o telespectador. É alvissareiro que o veículo de comunicação mais poderoso do país esteja ao lado do interesse público, mesmo que isso afete seus interesses particulares, porque a Globo tem muito a perder com a renúncia ou deposição de Temer e eventual paralisação do processo de retomada do crescimento econômico.

A Globo tem sido alvo de teorias conspiratórias por causa de seus erros no passado. O apoio à Ditadura Militar (1964-1985), a tentativa de esconder o movimento pelas Diretas Já (1983-1984) e a edição escancaradamente favorável a Fernando Collor de Mello no debate de 1989 ainda pesam contra a emissora. É difícil acreditar que uma rede com esse currículo hoje seja um veículo com a melhor das intenções.

Há mais de uma década, a Globo vem tentando limpar essa imagem de golpista. A prática de um bom jornalismo é a principal estratégia. Produzir novelas que mostram os defensores do regime militar como vilões maquiavélicos, caso de Os Dias Eram Assim, também faz parte desse esforço. Mas ainda falta muito para a Globo convencer que realmente mudou.

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