TV aberta vs TV paga

Operadoras de TV paga cortam sinais e deixam 7 milhões sem Record e SBT

Reprodução/SBT - 29/Mar/17

Braço de Marcelo de Carvalho (RedeTV!) em especial sobre TV digital no SBT antes do apagão - Reprodução/SBT - 29/Mar/17

Braço de Marcelo de Carvalho (RedeTV!) em especial sobre TV digital no SBT antes do apagão

DANIEL CASTRO - Publicado em 30/03/2017, às 00h03 - Atualizado às 00h12

Sem acordo com as emissoras, as empresas de TV por assinatura Net, Sky, Claro e Oi deixaram de transmitir a Record, o SBT e a RedeTV! na Grande São Paulo pouco depois da 0h desta quinta-feira (30), quando ocorreu o apagão analógico na região. Das grandes do setor, apenas a Vivo manteve as redes abertas. As TVs exigem ser remuneradas pelos seus sinais digitais, mas as operadoras resistem a pagar. 

Assim, cerca de 7 milhões de telespectadores da maior metrópole do país ficaram sem a programação das três emissoras, que, juntas, detêm quase 20% da audiência da TV por assinatura.

A estimativa considera dados de pesquisa do Ibope, realizada neste mês, que revela que 35% dos cerca de 22 milhões de habitantes da Grande São Paulo só têm acesso à TV por meio do cabo ou do DTH (direct to home, TV paga via satélite). A Vivo, segundo a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), tinha 1,674 milhão de assinantes em fevereiro. Estima-se que metade deles estão na capital e arredores.

No momento do apagão analógico e do corte de sinal nas operadoras de TV por assinatura, o SBT exibia uma edição especial do Programa do Ratinho sobre o assunto. Participavam da atração o vice-presidente da RedeTV!, Marcelo de Carvalho, e apresentadores como Raul Gil e Celso Portiolli.

O programa de Gugu Liberato, na Record, e o Superpop, na RedeTV!, também discutiam o fim da TV analógica e a disputa das redes com as operadoras.

Na Net e na Sky, no lugar das três redes, apareceram mensagens informando que não houve acordo com as com as redes para manter seus sinais digitais no ar. 

Nas redes sociais, muitos assinantes cobraram suas operadoras pela volta das três emissoras. Usuários pediam à Net, com mensagens direcionadas ao perfil da empresa no Twitter, o cancelamento e o reembolso pelo serviço modificado, por ficarem com três canais a menos. Irritados, alguns assinantes elogiaram a atitude da Vivo, de entrar em acordo com as emissoras, e declararam que passariam a ser clientes da operadora.

À 0h10, a hashtag #QueremosContinuarComVc, campanha criada de Record, SBT e RedeTV! para gerar pressão popular contra as operadoras, tinha cerca de 20 novos tweets por minuto.

Negociação tensa
A Vivo foi a única operadora autorizada pelas três emissoras a distribuir seus sinais porque as negociações avançaram na quarta-feira. Segundo a Simba, empresa que representa Record, SBT e RedeTV!, todas as demais operadoras, com exceção da Sky, estão negociando. A Net e a Claro negam ter recebido proposta.

Com o fim da TV analógica, as emissoras de TV aberta podem cobrar por seus sinais na TV por assinatura, amparadas na lei 12.485/2011. De olho em uma receita potencial de pelo menos R$ 500 milhões por ano, SBT, Record e RedeTV! se juntaram em uma empresa, a Simba, para negociar seus sinais.

A criação da empresa foi duramente combatida por operadoras e programadoras de TV por assinatura durante a tramitação do processo de fusão no Cade (Conselho Administrativo de Direito Econômico).

Desde a semana passada, as emissoras e as operadoras travam uma queda de braço. As emissoras querem cobrar por seus sinais. As operadora não querem pagar. As emissoras vêm fazendo intensa campanha em que acusam as operadoras de se recusarem a negociar um "valor justo" por seus sinais. 

Na sexta-feira passada (24), a Simba enviou às operadoras uma notificação lembrando que elas precisam de autorização das redes para transmitirem seus sinais digitais nas cidades em que não há mais TV analógica. Nenhuma operadora tem essas autorização da Record, SBT e RedeTV!. Baseadas nessa notificação, Sky, Net e Claro decidiram cortar seus sinais de Brasília no início desta semana. 

Brasília foi a primeira grande capital a ter o chamado apagão analógico, em novembro do ano passado. Assim como em São Paulo, mais da metade dos lares do Distrito Federal recebe TV aberta via cabo ou satélite.

Sobre a guerra entre as TVs abertas e operadoras de TV paga, leia também:

Guerra das TVs movimenta interesses milionários: saiba o que está em jogo

Redes fazem teatro de guerra e exageram ao anunciar corte de sinal na TV paga


Colaboraram FERNANDA LOPES e JOÃO DA PAZ

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