Quinta temporada

Tá no Ar bate na intolerância, mas é criticado por falta de atores negros

Reprodução/TV Globo

Os atores Eduardo Sterblitch, Renata Gaspar e Marcelo Adnet em cena do Tá no Ar - Reprodução/TV Globo

Os atores Eduardo Sterblitch, Renata Gaspar e Marcelo Adnet em cena do Tá no Ar

FERNANDA LOPES, no Rio de Janeiro - Publicado em 23/01/2018, às 05h46

Em sua quinta temporada na Globo, o Tá no Ar reestreia nesta terça (23) prometendo investir na crítica social, com esquetes que deixam clara a posição do programa contra assédio, violência e preconceito. Segundo Marcius Melhem, redator e comediante, o humorístico tem uma conduta oposta à intolerância, de qualquer tipo. No entanto, ele reconhece uma falha do programa: a falta de representatividade negra no elenco.

Durante a apresentação da nova temporada, para jornalistas, alunos e professores de artes cênicas, uma convidada perguntou por que o Tá no Ar ainda não tem um ator negro entre seus 12 comediantes. Melhem ficou surpreso e, mesmo escolhendo cuidadosamente as palavras, não encontrou uma resposta convincente.

"Ter atores negros é sempre uma questão e em toda temporada o [Marcelo] Adnet levanta isso. É até uma dificuldade pra gente, a química de formar o elenco se dá por muitas razões. É óbvio que a gente gostaria de ter um ator negro, por uma questão de representatividade. Quando a gente precisa, a gente traz como convidado, mas talvez seja mesmo uma falha nossa não ter conseguido encontrar alguém e falar 'essa pessoa vai encaixar'. De fato, a gente lamenta", diz.

O comediante ainda conta que a equipe tentou contratar Marcelo Marrom e Roberta Rodrigues para as primeiras temporadas, mas por incompatibilidade de agenda o humorista e a atriz ficaram de fora.

Ainda assim, o Tá no Ar tenta abordar a questão racial em um esquete ou outro, como aconteceu com o Branco do Brasil (sobre privilégios sociais e econômicos da população branca) na estreia da temporada de 2017, um dos que mais gerou "textão" nas redes sociais, de acordo com Melhem.

O redator acredita que o próprio programa é um exemplo da falta de diversidade em cargos importantes no Brasil inteiro, já que na redação e na direção também não há profissionais negros.

"A gente discute muito como a gente vai falar desse assunto, porque não é nosso lugar de fala. Então fazemos um mea-culpa, sempre do ponto de vista do branco. A própria cena [do Branco do Brasil] expunha que nós não tínhamos negros entre nós, era só a figuração. Tentamos lidar com essa ausência sem fingir que essa questão não existe. Na verdade, a gente está dizendo 'olha como até aqui não tem'", defende.

reprodução/tv globo

Em ano de eleições, Tá no Ar faz piada com propaganda política e candidatos bizarros

Crítica e zoeira política
Logo na estreia da nova temporada, o Tá no Ar vai falar (um pouco) sério também sobre assuntos muito controversos na mídia, como assédio sexual, bissexualidade, religião e avanço de ideais conservadores.

"O programa não é agressivo, ele é contundente, levanta questões de forma muito clara. A gente sempre está muito atento à questão da intolerância. Religiosa, comportamental, sexual, de todo tipo. Falar que a gente toma partido parece que partidariza, mas não é isso. Temos um olhar humanista sobre as questões, sobre direitos, liberdade, até onde podem se meter na nossa vida", explica Melhem.

Em 2015, uma autoridade política até tentou se meter na conduta do Tá no Ar, mas o comediante afirma que a equipe ignora as reclamações. O pastor e deputado federal Marco Feliciano ficou bravo ao ver o programa fazer piada com religião no esquete Galinha Convertidinha (paródia de Galinha Pintadinha) e disse em um artigo que isso era uma prática de bullying da Globo contra evangélicos.

"Nós ficamos sabendo se as pessoas gostaram ou não, mas é óbvio que, fazendo um programa muito provocativo, já sabemos que vai agradar aqui e desagradar ali. Tem deputado que fala, mas geralmente nós não respondemos. Não vou ficar dando atenção para reclamaçãozinha de deputado", desdenha.

Nos episódios inéditos, os comediantes também cutucarão políticos. Com a aproximação das eleições de 2018, o humorístico apresentará propagandas partidárias de candidatos bizarros, como a Tia Jacira, representante do Partido do Grupo da Família, e o Professor Baleia, que luta contra o bullying.

"A gente se alimenta de tudo o que é produzido na TV. É um desafio enorme concorrer com a realidade hoje em dia, coisas estranhíssimas acontecem. A televisão é um Black Mirror, é um espelho do Brasil. Tudo o que está no ar a gente pirateia da nossa maneira, para tentar dar a um novo sentido e fazer o telespectador se enxergar dentro desse conteúdo", conclui Adnet.

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