Rivalidade no horário nobre

Aguinaldo Silva diz que inventou a redenção e cutuca Walcyr Carrasco

Reprodução/Aguinaldo Silva Digital

O autor Aguinaldo Silva em foto publicada em seu site, que leva seu nome - Reprodução/Aguinaldo Silva Digital

O autor Aguinaldo Silva em foto publicada em seu site, que leva seu nome

DANIEL CASTRO - Publicado em 11/12/2013, às 21h46 - Atualizado em 12/12/2013, às 11h20

[Texto publicado originalmente às 7h de 12/12/2013]

Rival de Walcyr Carrasco, o novelista Aguinaldo Silva afirma que foi o "inventor" da redenção de vilões em telenovelas e que, portanto, a reviravolta pela qual esboça Félix (Mateus Solano), em Amor à Vida, não é original no horário nobre.

"Eu inaugurei essa tendência em Duas Caras, faz alguns anos [2007]: o vilão Ferraço, vivido por Dalton Vigh, depois de aprontar muitas e más, aos poucos foi mudando até se transformar num vilão em busca da redenção… Que ele alcança no final da novela, depois de sofrer muito e pagar pelos crimes que cometeu”, escreveu Aguinaldo Silva, respondendo a um comentário de um leitor em seu site, o Aguinaldo Silva Digital.

Silva não cita a novela nem o personagem de Carrasco, mas o leitor, sim. Ele comenta que está sentindo "uma nova tendência nas novelas brasileiras" e que está "gostando de ver Félix experimentar o sentimento do perdão e da solidariedade". A declaração de Silva é uma resposta direta a essa afirmação.

A resposta de Silva, claro, também foi uma alfinetada no autor de Amor à Vida. Os dois já se estranharam publicamente, pelo Twitter, em 2011, quando Silva acusou Carrasco de copiar da sinopse de Fina Estampa o drama da mãe pobre desprezada pelo filho, que seria vivido por Lilia Cabral. Carrasco usou o mesmo argumento meses antes em Morde e Assopra, com personagem da atriz Cassia Kis Magro. 

Desde então, Silva vive cutucando Carrasco. Recentemente, escreveu no Twitter que as novelas trocaram a dramaturgia pela gritaria.

Redenção é um recurso tão antigo quanto o teatro, mas Aguinaldo Silva, por mais pretensioso que pareça, está certo, de acordo com Mauro Alencar, doutor em teledramaturgia pela USP. Segundo ele, Marconi Ferraço foi mesmo o primeiro vilão que começou mal e terminou bom, salvando a mulher e o filho.

Até então, lembra Alencar, grandes vilões _como o Leôncio (Rubens Falco) de Escrava Isaura e o Felipe Barreto (Antonio Fagundes) de O Dono do Mundo_ eram maus do princípio ao fim.

Redenção questionada

Após a publicação deste texto, roteiristas e noveleiros questionaram a informação de que Marconi Ferraço seria o primeiro vilão redimido.

Mario Viana, colaborador de Carlos Lombardi em Pecado Mortal (Record), lembra que Renato Villar, personagem de Tarcísio Meira em Roda de Fogo (1986), "começou como vilão, tentou corromper a juíza Lúcia (Bruna Lombardi), mas se apaixonou por ela. Descobriu que tinha câncer no cérebro e passou a eliminar seus antigos sócios e então inimigos", mas "terminou perdoado pela amada _e morrendo nos braços dela, na última cena".

Raphael Scire, colaborador do Notícias da TV, acrescenta que Carolina (Lucélia Santos), da versão original de Guerra dos Sexos (1983), também se "regenerou", mas por causa da censura.

E o leitor Daniel Pilotto complementa: Yolanda Pratini (Joana Fomm), em Dancin'Days (1977), era "esnobe, preconceituosa, fútil, que fazia mal à própria irmã. No decorrer da novela, ela começou a trabalhar e a ajudar a irmã". "Se isso não é redenção, não sei o que é", diz.

Réplica

Alertado pelo Notícias da TV sobre as críticas, Mauro Alencar defende que Marconi Ferraço foi, sim, o único vilão que passou por uma transformação completa, tornando-se herói. Arguementa ele: 

"A doença transformou transformou Renato Villar, o fez reavaliar a vida, suas atitudes. Renato Villar (Roda de Fogo, 1986) humaniza-se em termo de sentimento e morre ao final da novela. Dentro desse critério, há o Carlão, muito antes, em 1975/76, em Pecada Capital, que também passa por uma processo de redenção no que tange ao seu maior pecado, o monetário. E também morre ao final da novela. Há, ainda, o caso de Chica Newman (Fernanda Montenegro), em Brilhante, 1981, e Dom Lázaro Venturini (Lima Duarte), em Meu Bem, Meu Mal, de 1990. Mas, dentro do folhetim clássico, da estrutura narrativa proposta por Aristóteles, Marconi Ferraço tornou-se, sim, o 'herói da novela', podendo constituir-se no primeiro personagem que, de fato, passou por uma transformação radical: de vilão a herói, daí o título da novela: Duas Caras".


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