Artigo | José Carlos Aronchi

De qual TV você está falando?

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Família assiste televisão nos primórdios do veículo: uma mídia que precisa ser repensada - Reprodução

Família assiste televisão nos primórdios do veículo: uma mídia que precisa ser repensada

JOSÉ CARLOS ARONCHI - Publicado em 19/09/2013, às 12h27 - Atualizado em 23/09/2013, às 18h03

O lançamento de um novo e revolucionário veículo de comunicação eletrônico no Brasil, na década de 1950, não deixava dúvidas: a televisão é um aparelho “receptor” de imagem e som. Deve ser instalada em local “fixo” e pode ser assistida em “casa”. Exige uma “antena”. Deve ser ligada na “tomada” e precisa de “energia elétrica”. O público é chamado de “telespectador”. Quem trabalha na televisão é “artista, técnico, engenheiro, jornalista ou radialista”. E a estratégia mais envolvente, responsável pela total dependência, o telespectador assiste ao “programa” que “a emissora de televisão produz e transmite”. E de repente, o “modelo” foi criado.

Questionar esses princípios básicos da televisão, 60 anos após sua inauguração leva, naturalmente, a rever o modelo que antes parecia imutável. O receptor, agora também transmite e promove a interatividade. A casa não é mais o único local para assistir TV. Um modem faz papel de antena na smarTV. A tomada pode ser uma entrada USB ou o acendedor de cigarro do carro. Uma bateria resolve. O telespectador virou usuário. Quem trabalha na televisão pode ser qualquer mortal. O programa é definido como conteúdo.

Complicou? Não, melhorou, pois ampliaram os recursos e possibilidades.

De todos esses princípios, o único item desse modelo que mantém uma estrutura de continuidade é o da produção e transmissão. Seis décadas se passaram e as maiores redes brasileiras continuam no mesmo sistema de produção industrial criado por Henry Ford para a indústria automobilística. Produz, põe na grade de programação, transmite... (intervalo comercial)... produz, grade, transmite... (intervalo...)... Mas, até quando?

O desgaste do modelo de negócio da indústria da televisão deixou brechas que viraram uma porta escancarada para a entrada das empresas de telecomunicações.  Elas, curiosamente, nasceram antes da TV e cresceram somente com o serviço de áudio-transmissão, através da telefonia fixa e móvel, analógica e digital, individual e coletiva, restrita e massificada.

Um novo modelo de negócio parece ser o salvador da pátria das redes de televisão. Para descobrir a fórmula com tudo o que precisa ser estudado e revisto, testado e aprovado, está dentro do mesmo conceito que foi criado para repensar as categorias dos programas, os gêneros, os formatos, as formas de gravação, exibição e transmissão, a periodicidade, o dia da semana, o horário e a classificação indicativa da faixa etária.

Esta conceito está na Roda dos Gêneros da Televisão Digital, um aplicativo para você descobrir os elementos que compõem a nova televisão. Mas, em qual TV você está pensando? Aquela instalada na sala, no quarto ou aquela que você assiste no computador e tablet? A que carrega no bolso ou aquela que já vem com o telefone celular? A que recebe pela antena ou pela banda larga wirelless? Entra na roda e vamos descobrir juntos: www.rodadosgenerostv.com.br


JOSÉ CARLOS ARONCHI é autor do livro Gêneros e Formatos na Televisão Brasileira (Summus), doutor em Comunicação e pesquisador de formatos na TV. Recebeu em 2010 o prêmio de Melhor Inovação em Interatividade para a TV digital da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão com o aplicativo Roda dos Gêneros.

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