PODEROSA PARA O SONO

Sem vilão e sem sexo, nova fase de Jessica Jones parece um filme de 13 horas

Fotos: David Giesbrecht/Netflix

Krysten Ritter volta a interpretar Jessica Jones na segunda temporada da série da Netflix - Fotos: David Giesbrecht/Netflix

Krysten Ritter volta a interpretar Jessica Jones na segunda temporada da série da Netflix

LUCIANO GUARALDO - Publicado em 07/03/2018, às 05h41

[Atenção: este texto contém spoilers]

A segunda temporada de Jessica Jones chega nesta quinta-feira (8) à Netflix, em uma estratégia da plataforma para celebrar o Dia Internacional da Mulher. É uma pena, portanto, que os novos episódios da heroína passem longe da homenagem merecida. Sem nenhum ritmo ou um vilão carismático, a série fica arrastada e cansa o público, mais parecendo um longo filme de 13 horas. Nem mesmo as cenas de sexo intensas voltam para a segunda fase, lançada dois anos e meio depois da primeira, no longínquo novembro de 2015.

Depois de matar o vilão Kilgrave (David Tennant) na primeira temporada, Jessica (Krysten Ritter) precisa conciliar o trabalho de detetive particular com a crise na consciência por ser uma assassina.

Não facilita que os clientes a procurem não por seu trabalho como investigadora, mas como justiceira _um caso de adultério no primeiro episódio quase termina em tragédia quando a traída pede a Jessica que mate o namorado.

Mostrar a heroína em crise é um dos pontos fortes, já que Jessica se destaca justamente por suas imperfeições: ela bebe demais, é grossa com clientes e amigos e não se importa em seguir as convenções sociais.

Com duas indicações ao Oscar no currículo, Janet McTeer (à dir.) é a grande novidade da série

Porém, tudo o que funcionava na primeira temporada desanda nos novos episódios: o lado antissocial da protagonista faz com que ela seja apenas chata, e a maneira como ela trata todos à sua volta faz com que o público pergunte o motivo de os amigos simplesmente não a abandonarem.

As cenas de sexo do ano anterior, muito bem realizadas e que serviam para mostrar que Jessica estava se libertando do relacionamento abusivo com Kilgrave e finalmente assumindo o controle do próprio corpo, também ficaram pelo caminho.

O maior problema, porém, é a falta de um vilão que tenha o peso de Kilgrave. Nos cinco episódios disponibilizados pela Netflix para o Notícias da TV, há uma sugestão de que a vilã da vez seja uma mulher com a superforça de Jessica, mas completamente insana. O nome da personagem de Janet McTeer sequer é citado nesses cinco primeiros episódios.

Mais do que o embate com a poderosa, a temporada é sobre a identidade de Jessica. Ao mesmo tempo que a detetive tenta aceitar que matou uma pessoa, ela começa a investigar seu passado e encontra pistas de que o acidente que matou sua família e acabou dando superforça para ela não foi um acontecimento isolado.

Para isso, ela conta com a ajuda do assistente Malcolm (Eka Darville) e da amiga Trish (Rachael Taylor), que também enfrentam fantasmas do passado para se tornarem pessoas melhores _no caso dos dois, o vício em álcool e drogas.

A advogada Jeri Hogarth (Carrie-Anne Moss) também volta a cruzar o caminho de Jessica, mas além de livrar a barra da detetive com a polícia, precisa lidar com um problema mais atual: sua saúde.

Krysten Ritter e J.R. Ramirez (com Kevin Chacon no colo): par romântico que não dá liga

Falta química
Com a saída de Luke Cage (Mike Colter), que ganhou série própria, Jessica perde não apenas um par, mas um colega que entende o peso de ter superpoderes.

Há uma tentativa de preencher essa lacuna do par romântico com o novo zelador do prédio onde ela mora e trabalha, Oscar (J.R. Ramirez), mas a relação é construída aos poucos, mais romântica e menos explosiva _o latino até recusa um avanço de Jessica quando ela tenta transar com ele.

Mais curiosa é a relação da detetive com o filho de Oscar, o pequeno Vido (Kevin Chacon). Deslumbrado, o menino fica impressionado ao saber que mora no mesmo prédio de uma heroína e até pergunta se ela conhece outros heróis, como o Capitão América. É um ponto de vista interessante mostrar que é possível se deslumbrar com superpoderes em um universo ficcional dominado por superpersonagens.

A série, no entanto, sofre de um mal que parece atingir boa parte das produções da Netflix: a estrutura não é de seriado. Não há ganchos incríveis nem nenhuma sensação de encerramento ao fim de cada capítulo.

Como a plataforma quer que suas produções sejam maratonadas, Jessica Jones se transforma em um filme de 13 horas. Tem, sim, algumas qualidades, mas elas acabam ofuscadas pela falta de ritmo da narrativa.

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