Gottsha

Atriz de Senhora do Destino, ex-'rainha gay' critica falta de papéis para gordos

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A atriz e cantora Gottsha, que fez sucesso como a Crescilda de Senhora do Destino - Divulgação

A atriz e cantora Gottsha, que fez sucesso como a Crescilda de Senhora do Destino

FERNANDA LOPES - Publicado em 21/03/2017, às 06h01

Em Senhora do Destino (2004), uma atriz até então iniciante na TV roubou a cena: Gottsha, que interpretou a personagem Crecilda. Convidada pelo autor Aguinaldo Silva, ela chegou a atuar posteriormente em Duas Caras (2007), mas não conseguiu repetir o sucesso.

Aos 47 anos, a ex-"rainha gay" Gottsha é hoje uma atriz consagrada em musicais, mas confessa que sente saudade da teledramaturgia. Recentemente, ela disputou, e perdeu, um papel em A Força do Querer para outra atriz "plus size", Mariana Xavier. Reclama que há poucas oportunidades para atores gordinhos na TV.

"O gordo tem esse problema. A gente não tem o padrão da TV. Realmente, o vídeo engorda um pouco mais, mas acho que quando o ator é bacana tem que ter personagem para ele, sim. Na vida a gente encontra todos os tipos de pessoa, e na TV deveriam explorar isso um pouco mais, mostrar pessoas distintas. Ninguém é idêntico. Estão tentando [diversificar mais os atores], mas, por exemplo, quando o papel é de um gordo, é [estereotipado] de gordo. [Mas] Acho que a TV está tentando mudar e tem que mudar. A realidade é essa. Os diferentes tipos [de pessoa] dão o colorido da vida, isso tornaria a TV mais real", discursa.

O papel que Gottsha teve em Senhora do Destino foi pensado especialmente para ela. Aguinaldo Silva a assistiu em um musical no teatro e decidiu chamá-la para interpretar uma vendedora de materiais de construção que sonhava em (e conseguia) ser cantora. A atriz revela que ainda mantém contato com atores que a apoiavam em momentos de nervosismo antes das cenas, como Leonardo Vieira e Carol Castro.

Divulgação/Globo 

Gottsha como Crescilda em Senhora do Destino

Grande parte das sequências de Gottsha na novela eram com Susana Vieira, que ela considera uma grande amiga. "A Susana estava sempre pronta para a batalha. Chegava com propriedade, sabia tudo. O nervoso era contracenar com ela, mas Susana passava tranquilidade. Foi uma experiência inesquecível, com pessoas que tenho até hoje como amigas, inclusive a Susana. É alguém que, sempre que encontro, a gente tem muito carinho uma pela outra", conta.

Depois de se destacar em Senhora do Destino, Gottsha ainda atuou como uma cantora na novela Duas Caras, também de Aguinaldo Silva, e fez participações em produções como Beleza Pura (2008), Ti Ti Ti (2010) e Acredita na Peruca (2015, do Multishow, a mais recente).

A atriz quer voltar a atuar na TV, quem sabe com uma vilã, e afirma que já conversou com Aguinaldo Silva sobre isso.

"Tenho contato com Aguinaldo, inclusive já me ofereci para a nova novela dele. Sempre me ofereço, estou super disponível. Se tiver uma personagem para mim, acho que ele é capaz de me colocar", torce.

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Gottsha caracterizada para seu show Discotheque, só com músicas da década de 1970

Enquanto não volta para a TV, Gottsha se desdobra em diferentes tipos de trabalho. A atriz também é dubladora e deu voz a alguns personagens da Disney, como a vilã Gothel de Enrolados (2011) e a lesma Roz de Monstros S.A. (2001).

Ela já atuou em cerca de 20 musicais ao longo de 20 anos, e atualmente interpreta a personagem Magenta no espetáculo The Rocky Horror Show, em cartaz em São Paulo.

A trajetória nos musicais começou para Gottsha após o fim de sua carreira como cantora. No início dos anos 1990, ela foi uma estrela do gênero eurodance, que consagrou também Corona, do hit Rhythm Of The Night (as duas faziam parte da mesma gravadora).

"As pessoas achavam que eu era gringa, minhas músicas tocaram na Europa. Fiz muitos shows por aqui, muitos programas de TV, uma música minha era da trilha de Malhação [em 1995]. Foi o máximo. Mas infelizmente isso foi uma moda, em dois anos acabou. O mercado fonográfico caiu numa crise muito ruim e acabei indo para os musicais", explica.

Foi nessa época de cantora solo que, ao se vestir de forma extravagante, Gottsha conquistou a comunidade LGBT e foi considerada a "rainha gay do Brasil".

"Quando comecei minha carreira, era praticamente uma Lady Gaga tupiniquim. Era muito doida, usava muita peruca, cílios postiços, glitter. Fui considerada a rainha gay do Brasil porque eu tenho um jeito meio viada. Acho que gay é sinônimo de alegria. Eu sou festiva, realmente acho que a gente tem que ser feliz enquanto está aqui. Então sou assim, viada", brinca

Há cinco anos, Gottsha faz esporadicamente um show em que canta apenas músicas dos anos 1970, chamado Discotheque. Ela tem planos de lançar novas músicas (em um EP ou em plataformas de streaming) e de desenvolver um novo show, apenas com canções de Roberto Carlos com roupagem mais moderna e dançante.


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