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Reportagem Especial

Emplacar programa na TV paga é mais difícil que vestibular da USP

Fotos Divulgação

Fiorella Mattheis em cena do humorístico Vai Que Cola, realização da Conspiração para o Multishow; grandes produtoras independentes, como a Conspiração, estão emplacando mais projetos com lei das cotas - Fotos Divulgação

Fiorella Mattheis em cena do humorístico Vai Que Cola, realização da Conspiração para o Multishow; grandes produtoras independentes, como a Conspiração, estão emplacando mais projetos com lei das cotas

MÁRCIA PEREIRA

Publicado em 18/10/2013 - 21h01
Atualizado em 20/10/2013 - 6h00

Um ano após a implantação de cotas nacionais na TV por assinatura, mercado vive boom de ofertas de projetos, porém os canais são muito exigentes. Na Fox, propostas quintuplicaram em um ano, mas, de cada 80 projetos, só um vira programa. Pequenos produtores ainda não estão preparados: alguns parecem candidatos a reality show

No final do ano passado, o vestibular de Medicina da USP, o curso mais concorrido do país, registrou 56 candidatos por vaga. Se quiserem emplacar seus projetos na TV por assinatura, roteiristas e produtoras independentes precisam se preparar melhor que os vestibulandos para chegar lá.

A programadora Fox, por exemplo, recebeu aproximadamente 1.200 propostas de novos programas no último ano, mas só 15 foram aprovadas. A cada 80 projetos, só um vingou.

Os canais por assinatura viraram alvo de produtores independentes nacionais por causa da Lei 11.486/2011, que institui cotas de conteúdo brasileiro. Hoje, os canais internacionais de entretenimento têm de exibir três horas e meia por semana de conteúdo nacional no horário nobre. Metade tem de ser produção independente.

Responsável por canais como Cartoon, Warner, TNT e TBS, entre outros, a Turner recebeu somente nas últimas três semanas 52 projetos novos. Mas não deve aprovar nenhum em outubro, já que em setembro quatro programas passaram pelo crivo da programadora.

“Antes da lei, apareciam projetos pingados e somente de grandes produtoras”, lembra Silvia Elias, diretora de conteúdo local da Turner.

Ela revela que nos primeiros quatro meses da vigência da lei, houve uma corrida desenfreada de gente brigando para oferecer suas ideias. Sua sala, conta, parecia o canal de vídeos de candidatos ao Big Brother Brasil.

“Tinha muita gente sem noção, que chegava cantando para mostrar sua ideia ou que achava que o Space era um canal de ficção científica”, comenta Silvia.

Paloma Duarte e Heitor Martinez em cena de Se Eu Fosse Você, produção da Total Filmes para a Fox que estreou quarta (16)

Marcello Braga, diretor de conteúdo da Fox International Channels Brasil, conta que a empresa passou a receber cinco vezes mais projetos depois da lei, ou seja, de 20 para 100 por mês. No entanto, o processo seletivo não visa somente cumprir a cota.

“Buscamos ideias originais, conhecimento sobre o editorial de cada um dos canais do grupo e capacidade comprovada de execução”, diz.

Ebulição

Mesmo assim, não precisa ser expert no assunto para ver que produções brasileiras estão ganhando espaço cada vez mais. Para Andrea Barata Ribeiro, uma das sócias fundadoras da O2 Filmes, é um momento histórico para a produção independente no Brasil.

“A O2, por exemplo, em 20 anos produziu apenas cinco séries e suas temporadas. Desde o início da lei, produzimos 13 séries que estão em diversas fases. Algumas em desenvolvimento, outras filmando, outras em pós e outras já veiculadas”, afirma.

Os protagonistas da série Os Hermanos Perdidos no Brasil, da Medialand, que estreou sábado (19) na BBC Brasil 

Beto Ribeiro, produtor executivo e roteirista da Medialand, produtora que está no mercado há oito anos e só faz produtos para TV, compara o boom de produção nacional na TV paga com o da internet no começo dos anos 2000. “Todo mundo que queria ganhar dinheiro rápido caiu fora, só os guerrilheiros do setor conseguiram ficar”, diz ele.

Ribeiro conta que a Medialand investiu R$ 4 milhões em produções para TV entre 2012 e 2013. A produtora tem 20 séries no ar e sabe que, quando o projeto depende de verba do governo, é bem mais complicado, mesmo para quem mantém relações nessa área há anos.

Em desenvolvimento

Mauro Garcia, da ABPITV (Associação Brasileira de Produtoras Independentes de Televisão), afirma que o mercado de produção independente no Brasil está em desenvolvimento. Processo que vai exigir cada vez mais dos produtores, pois, além de qualidade, os canais precisam de projetos com uma arquitetura financeira sustentável.

“Só um ou dois projetos por ano devem emplacar a partir dos cofres dos canais”, observa ele, que aponta como filtro desse “vestibular de projetos da TV paga” um tripé: alta qualidade, cunho editorial adequado ao perfil do canal e custo.

Por isso, não são só as grandes produtoras, como O2 Filmes e Conspiração, que saem na dianteira. Entre as pequenas do mercado que conseguiram agarrar um filão está a Soul Filmes. A produtora emplacou seu primeiro produto televisivo no canal OFF, Sangue Suor e Javalis. “Existem uns buracos, e quem tiver visão de novos negócios tem oportunidade”, diz Garcia.

Cena da segunda temporada da série Do Amor, da produtora da atriz Maria Flor, que está em cartaz no canal Multishow

A atriz e produtora Maria Flor, da Fina Flor Filmes, conta que a produtora nunca tinha feito ficção. “Com a lei, o estímulo para as pequenas produtoras foi muito interessante e o público está mais bem servido”, declara ela, que acaba de estrear a segunda temporada da série Do Amor, no Multishow, e já escreve o roteiro de um novo seriado para o mesmo canal.

Mauro Garcia diz que o número crescente de taxas pagas no setor, como CPB (Certificado de Produto Brasileiro), demonstra evolução. A ABPITV também sente o reflexo do crescimento, pois no começo do ano passado tinha 175 produtoras associadas. Agora, são 362.


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