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ANÁLISE

Empolgada, Globo precisa evitar 'masterchefização' do Masked Singer

Kelly Fuzaro/TV Globo

Ainda vestida como Jacaré, mas sem a máscara, Mart'nália faz careta e abre os braços

A cantora Mart'nália participou da primeira temporada do The Masked Singer Brasil

LUCIANO GUARALDO

luciano@noticiasdatv.com

Publicado em 20/10/2021 - 6h15

Passada a régua na primeira temporada do The Masked Singer Brasil, a Globo já definiu como será a próxima edição. No fim do programa, Ivete Sangalo anunciou que os mascarados voltam já em janeiro, agora aos domingos. Um retorno tão rápido, porém, mostra-se um risco: o excesso pode acabar saturando o público, como ocorreu com o MasterChef, na Band, ou mesmo com o The Voice (e suas variações).

Apesar de a competição culinária e a disputa musical das cadeiras rotatórias ainda conseguirem bons resultados financeiros para suas emissoras, elas nem de longe representam o fenômeno de anos atrás, quando monopolizavam a atenção do público.

No ano passado, o The Voice Brasil foi superado por A Fazenda 12 no ibope, um vexame para a tradicional líder de audiência. E o MasterChef, que chegava a ficar em primeiro lugar em seus momentos decisivos, atualmente sofre para sair da quarta colocação.

Para manter o interesse do público por mais tempo e evitar uma overdose, a Globo precisa deixar o formato descansar durante pelo menos um semestre. A fome de fazer várias edições em sequência pode resultar na bancarrota dessa galinha de ouros.

Se busca um exemplo fiel de desgaste da fórmula, a emissora pode mirar no próprio Masked Singer dos Estados Unidos. Por lá, a rede Fox exibe a sexta temporada, e o formato estreou em 2019. Ou seja, um novo grupo de mascarados aparece a cada semestre. O resultado disso? Fuga em massa dos espectadores.

A primeira temporada do formato nos EUA teve média de 8,16 milhões de espectadores ao vivo, com 11,47 milhões prestigiando a grande final, que revelou o rapper T-Pain como o famoso por trás do Monstro. A atual edição acumula média de 4,57 milhões por episódio, uma queda de 44%.

O sinal de alerta pisca mais forte ainda porque a terceira temporada da competição conseguiu elevar a audiência em relação à estreia --no primeiro semestre do ano passado, o Masked Singer norte-americano registrou média de 8,64 milhões --o primeiro capítulo, exibido após o Super Bowl, teve 23,73 milhões, o melhor índice do programa até hoje.

Por lá, assim como o The Voice e o MasterChef no Brasil, o formato também foi vítima da overdose. Além das temporadas semestrais, a Fox às vezes exibe o programa duas vezes na mesma semana, ou dois episódios de uma vez. A rede também lançou um programa derivado, o The Masked Dancer, que coloca famosos mascarados para mostrarem seus passos de dança, em vez do gogó.

Para os brasileiros, que já acompanharam essa novela com formatos como MasterChef Júnior (2015), Profissionais (2016-2018), A Revanche (2019), The Voice Kids e The Voice +, o desfecho é conhecido: cansaço absoluto. Se o Masked Singer conquistou o público justamente por ser um formato diferente, por que destruí-lo com muitas temporadas em pouco tempo? Menos, muitas vezes, é mais. E isso, ao contrário da identidade dos mascarados, não é nenhum segredo.

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