REVOLTA DAS MÁQUINAS

Will-IA-m Bonner: IA vai mesmo apresentar o JN em 5 anos, como disse Augusto Cury?

REPRODUÇÃO/TV GLOBO -- IMAGEM ALTERADA COM IA

William Bonner aparece como ciborgue: o olho esquerdo deu lugar a uma lente vermelha brilhante, revelando placas metálicas e fios sob a pele.

O jornalista William Bonner vira ciborgue em imagem alterada com IA: tecnologia no JN?

DANIEL FARAD

vilela@noticiasdatv.com

Publicado em 2/9/2026 - 9h00

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O escritor Augusto Cury fez uma previsão durante a sua sabatina na Globo, sugerindo que os apresentadores do Jornal Nacional poderiam ser substituídos por inteligência artificial em até cinco anos. O Notícias da TV conversou com diversos profissionais no mercado de tecnologia e nas agências de publicidade, que consideraram a previsão um exagero.

Por considerar que o contexto de eleições é bastante sensível, alguns analistas aceitaram falar com a reportagem apenas em condição de anonimato. Um especialista em IA de uma grande agência de São Paulo avaliou que as declarações de Cury no sábado (29) foram um "chiste". 

A inteligência artificial já é bastante utilizada dentro do mercado publicitário, mas também com severas limitações: os chatbots, por exemplo, são considerados uma grande dor de cabeça. Responder o cliente com ajuda da IA tende a ser malvisto, ainda que seja uma solução para baratear custos.

A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), que representa as maiores instituições financeiras do país, divulgou recentemente uma pesquisa em que 91% dos entrevistados se dizem insatisfeitos com chatbots, principalmente quando o canal não consegue resolver o problema.

Não só as pessoas gostam de ser atendidas por outras pessoas; a pesquisadora australiana Kate Crawford --autora de Atlas da IA: Poder, Política e Custos Planetários da Inteligência Artificial (Edições Sesc)-- lembra que essas ferramentas estão longe de serem "artificiais".

Para a especialista, existe muito trabalho humano --muitas vezes, realizado por indivíduos em subempregos ou precarizados-- por trás das respostas automáticas da IA.

Um beijo, Eva Byte

Uma especialista em computação gráfica nos lembra Eva Byte, a apresentadora virtual que foi lançada pela Globo no Fantástico em 2004. Na época, cerca de 15 profissionais estavam por trás da personagem, incluindo designers, programadores e até mesmo uma dubladora. Hoje, essa equipe até seria menor, mas ainda imprescindível.

Ou seja, a inteligência artificial poderia reduzir as etapas para colocar uma Eva Byte no Jornal Nacional, mas jamais substituiria todo o trabalho humano.

Especialmente em uma atração que é ao vivo e que trabalha justamente com o excepcional. Como programar uma IA para noticiar uma morte que acabou de acontecer e cujas informações preliminares obrigatoriamente vão passar pela apuração humana? O risco de erro é grande --como vários exemplos na imprensa já mostram.

Questões éticas

Outro ponto que foi bastante citado pelos profissionais foi a questão ética, já que o Jornal Nacional precisaria deixar bastante claro quais são os conteúdos produzidos com inteligência artificial --como a Globo já faz hoje, especialmente com simulações. Entretanto, como deixar isso claro quando a IA se torna parte integrante do programa, especialmente num país em que as big techs são pouco reguladas?

Essa reportagem, por exemplo, usou o Gemini para criar uma imagem do jornalista William Bonner como um ciborgue. Esse foi o prompt utilizado: “quero que pegue esta foto e coloque um olho ou uma parte do rosto de William Bonner como um ciborgue". 

Daí, surgem várias questões, mas uma é a principal: como fica a autoria dessa imagem? É uma reprodução da Globo? Basta colocar que a imagem foi modificada com inteligência artificial? E quais as fontes que a IA utilizou para definir o que é um ciborgue, de onde vem essa imagem, ela utilizou quais bancos disponíveis?

Ou seja, trata-se de uma caixa-preta que dificilmente vai ser desvendada sem um marco regulatório.


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