CONVERSA COM BIAL

Wagner Moura faz alerta sobre polarização: 'A maior ameaça à democracia'

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Wagner Moura com as mãos dadas em frente ao corpo, falando com feição séria, usando uma camiseta branca básica em um cenário com árvores e um lago

Wagner Moura no Conversa com Bial; ator falou sobre polarização política e ataques que recebe

REDAÇÃO

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Publicado em 5/8/2026 - 7h49

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Wagner Moura fez um alerta sobre os impactos da polarização política na democracia durante participação no Conversa com Bial, exibido na última terça-feira (4). Na avaliação do ator, o cenário atual é mais preocupante do que em outros momentos de divergência porque os fatos deixaram de ser compartilhados entre os diferentes lados do debate.

  • Entenda a notícia:
  • Ameaça à democracia: Wagner Moura alertou que a polarização política e a negação dos fatos colocam em risco as instituições democráticas.
  • Cansaço de ataques: O ator admitiu exaustão com a hostilidade por seus posicionamentos, mas afirmou que não deixará de opinar.
  • Defesa da trajetória: Moura rebateu críticas ao seu sucesso financeiro, reafirmando seu compromisso com a justiça social e incentivos culturais.

"O que, para mim, é assustador é que a gente não está vendo mais a realidade da mesma forma. Eu lembro de uma época em que a esquerda e direita brigavam e discutiam, mas a gente estava vendo o mesmo fato. Hoje, os fatos não importam mais", disparou ele ao apresentador Pedro Bial.

Segundo Moura, o crescimento da polarização representa um risco direto às instituições democráticas. "Se os fatos deixam de ser relevantes e passam a existir versões da realidade --eu tenho a minha realidade e você tem a sua realidade... A maior ameaça à democracia é a polarização política", avaliou.

O artista explicou que se aprofundou ainda mais nessa questão ao estudar conflitos políticos para o filme Guerra Civil (2024). "Eu estudei muito sobre o que levam países a deixarem de serem democráticos, e a polarização política, o descrédito no governo estão [no topo da lista]", comentou.

"Por isso que governos autoritários tendem a aparecer como caras que não são da política, fora do sistema, e você vai descredibilizando o sistema democrático", analisou ele.

Na conversa, Wagner Moura também admitiu que está cansado da hostilidade que enfrenta por causa de suas posições políticas.

"É um clichê, mas é verdade: no final, o que importa é o amor. É o afeto, o que a gente sente pelas pessoas que estão próximas e, se a gente tiver empatia suficiente, os outros, inclusive os que pensam diferente da gente. Eu vou ficando cansado, eu já estou cansado de ser odiado por uma galera. É cansativo", desabafou.

Apesar disso, o ator ressaltou que não pretende deixar de expor suas opiniões. "Eu vou morrer dizendo as coisas que eu acho. E pode estar errado, mas minha natureza é achar uma coisa e dizer o que eu acho. É cansativo, cara", completou.

Resposta aos ataques

Durante a entrevista, Wagner Moura também rebateu as críticas que recebe por defender pautas ligadas à justiça social mesmo após construir uma carreira de sucesso. O ator disse não compreender o argumento de que prosperar financeiramente seria incompatível com posições políticas de esquerda.

"O cara diz 'você prosperou na sua carreira como ator, conseguiu dinheiro para comprar suas coisas'. Quando eu estava em Rodelas [na Bahia], fui pobre, aí eu poderia ser de esquerda. Parece que tem um portal que você passa. Eu queria saber qual é o teto, quanto você precisa ganhar para você deixar de acreditar em justiça social?", questionou.

O artista afirmou que sua trajetória foi possível graças às políticas públicas de incentivo à cultura. "Eu sou o mesmo cara que estava em Rodelas, onde tinha trabalho escravo. Eu prosperei porque em Salvador, nos anos 1990, tinha Lei de Incentivo à Cultura. Fez com que eu, Vladimir Brichta, Lázaro Ramos, a gente pudesse trabalhar, ter uma história e carreira como ator. Eu prosperei como ator por isso", declarou.

Moura ainda lamentou que o debate político tenha sido substituído por ataques pessoais. Ele afirmou que até gostaria de discutir propostas com a oposição, como o financiamento de políticas públicas, mas costuma ser alvo de críticas relacionadas à sua vida pessoal e profissional.

"A direita faz uma pergunta que eu acho justa: quem vai pagar isso aí? São os contribuintes, a gente vai aumentar os impostos? Essa discussão eu acho muito boa, mas não tem, porque o papo dos caras é 'ele mora nos Estados Unidos, trabalha lá, prosperou na carreira, não pode falar do Brasil'. Ou 'não é gay e defende gay, não é preto e defende preto'", concluiu.


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