A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
COLUNA DUH SECCO
Reprodução/SBT

Luis Ricardo à frente do Viva a Noite; programa do SBT peca por excesso de passado
"Nova velha aposta" do SBT para as noites de sábado, o Viva a Noite tem se saído bem na audiência. Em suas primeiras edições, o programa de Luis Ricardo registrou índices superiores aos do antecessor, o Sabadou com Virginia (2024-2026) --o que sugere uma preferência do público da emissora pela tradição da TV aberta a fenômenos das redes sociais. Há, no entanto, um "excesso de passado" que, a longo prazo, pode comprometer a atração.
O Viva a Noite é feito para nostálgicos. Elementos presentes na versão apresentada por Gugu Liberato (1959-2019), entre as décadas de 1980 e 1990, dividem espaço com convidados que atingiram o auge da fama no mesmo período. Os espectadores têm apreciado brincadeiras simples, como adivinhar títulos de filmes, e "reencontros" como o da banda Polegar, exibido na edição do último sábado (11).
Só que, ao focar totalmente naquilo que já foi, o Viva a Noite desperdiça a oportunidade de levar outros talentos para a tela do SBT. Nomes em alta no momento, que poderiam contribuir com a audiência e que, certamente, também se envolveriam com naturalidade nas dinâmicas do programa. Ou figuras hoje ligadas aos convidados habituais.
Há um apelo nostálgico excessivo até mesmo nos figurinos e na presença de personagens como a galinha azul, criada por um antigo patrocinador. As bailarinas exibem, durante os musicais, LPs e CDs, sem mencionar plataformas de áudio --que podem impulsionar os artistas presentes no palco. Os concursos focam em imitações de figuras que estão esquecidas há tempos e que os imitadores, quase todos novos, certamente não conhecem.
Cabe à equipe do Viva a Noite entender que a atração não pode se escorar em lembranças. Encontrar um equilíbrio entre passado e presente deve evitar que o programa, daqui a um tempo, vire apenas mais uma boa recordação.
Projeto realizado há mais de 30 anos por alunos da Faculdade Cásper Líbero, e exibido mensalmente pela Gazeta, o Edição Extra atingiu o quinto lugar no ranking de audiência da TV aberta no último dia 5.
Entre 23h e 23h30, a atração registrou 0,39 de média e 1,03 de pico na Grande São Paulo. Na mesma faixa, 0,34 para a Band, 0,31 da Record News e 0,07 para a TV Cultura. Em destaque, matérias sobre o suporte a refugiados, jogos de tabuleiros na era digital e premiações a talentos da arte e da comunicação.
Excelente a escolha de Além do Tempo (2015) para a faixa Edição Especial. A novela de Elizabeth Jhin, com um salto temporal de mais de 100 anos, foi um dos últimos sopros de criatividade do horário das seis. Já era hora também de a Globo apostar em títulos ainda não reprisados na TV aberta.
Desnecessária a volta da Banheira, que já foi de Gugu e Ratinho, no Domingo Legal. A brincadeira era adequada à última virada do século, época em que a televisão brasileira transitava entre a ousadia e a vulgaridade. Agora, sem apelo, a dinâmica só serviu para quebrar o ritmo da atração de Celso Portiolli e prejudicar a audiência.
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