A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
MARCELO CASTRO
REPRODUÇÃO/TV ARATU

Marcelo Castro, do Alô Juca, da TV Aratu; jornalista é réu em caso conhecido como golpe do pix
O julgamento do caso do golpe do pix, que envolve o jornalista Marcelo Castro, apresentador do Alô Juca, da TV Aratu (afiliada do SBT na Bahia), ganhou novos desdobramentos nesta quarta-feira (6). O juiz Waldir Viana Ribeiro, da Vara de Organizações Criminosas de Salvador, retirou o sigilo do processo, o que revelou como o esquema criminoso se utilizava de práticas de intimidação que amedrontaram e silenciaram vítimas.
O apresentador Marcelo Castro e o editor Jamerson Oliveira são réus no processo, acusados de envolvimento no esquema de desvio de doações via pix destinadas a pessoas em situação de vulnerabilidade. Segundo o delegado Charles Leão, responsável por presidir o inquérito no âmbito da Polícia Civil, uma das vítimas interrogadas relatou temer pela própria vida.
De acordo com o relato da vítima, o jornalista circulava acompanhado de homens armados, o que era interpretado pelas vítimas, pessoas já em estado de vulnerabilidade extrema, como uma ameaça direta às suas vidas. As informações foram divulgadas inicialmente pelo portal Bnews.
"Houve a ocorrência de uma vítima reportar situação de medo, de perigo, de risco. Medo de ser assassinada em nome de Marcelo Castro", afirmou o delegado em seu depoimento.
Leão ainda descreveu a hierarquia do grupo, colocando o editor Jamerson Oliveira como a peça fundamental para o funcionamento da fraude: "Eu sinto que ele é a função essencial dentro dessa coisa. Sem ele nada aconteceria".
Nessa estrutura, Oliveira contaria ainda com o apoio direto do produtor Lucas Costa Santos. Enquanto Jamerson detinha o poder final de dentro da emissora, escolhendo os casos e autorizando qual chave pix seria divulgada na tela, Lucas era o seu braço direito no "trabalho de rua" e selecionava as famílias vulneráveis e, simultaneamente, recrutava os "laranjas" que emprestariam as contas bancárias.
Já o jornalista Marcelo Castro, na época repórter da afiliada da Record --que o demitiu assim que o caso veio à tona--, era o rosto que pedia as doações e fazia o apelo aos telespectadores. Juntos, eles formavam o núcleo logístico que permitia que o dinheiro doado pelo público fosse desviado antes de chegar ao destino final.
O julgamento seguirá nesta quinta-feira (7) com o interrogatório dos réus. A estratégia atual dos advogados de defesa foca na tentativa de desvincular a imagem dos jornalistas de uma vida de luxo, visto que o editor vive em um imóvel alugado.
Durante um ano e cinco meses, o grupo teria operado um esquema que explorava a solidariedade do telespectador. Ao todo, as campanhas arrecadaram cerca de R$ 543 mil. Desse montante, R$ 407 mil foram desviados. Ou seja, 75% de tudo o que foi doado pelos espectadores nunca chegou aos necessitados.
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