ANÁLISE
REPRODUÇÃO/RECORD, GLOBO, SBT E BAND

Repórteres de Record, Globo, SBT e Band: TV foi fundamental em cobertura, apesar de excessos
A megaoperação que deixou mais de 120 mortos no Rio de Janeiro mostrou que, mesmo perdendo espaço para outras mídias nos últimos anos, a TV aberta continua essencial --ou melhor, insubstituível-- em momentos de crise. A cobertura, porém, expôs mais fragilidades do que virtudes. Em praticamente todas as emissoras, erros de abordagem e excessos no ar confirmaram o quanto a violência ainda é explorada como espetáculo pela mídia brasileira –algo que os próprios índices do Ibope ajudam a comprovar.
Ainda assim, é inegável que as grandes redes cumpriram um papel relevante na prestação de serviço à população fluminense. A Globo, por exemplo, se destacou pela cobertura voltada à mobilidade urbana, com informações precisas para quem tentava se deslocar pela cidade. Mostrou a paralisação de ônibus, as medidas emergenciais adotadas por metrô, barcas e trens para reduzir o tempo de espera e até as cenas de moradores caminhando longas distâncias a pé na zona sudoeste, em meio ao caos viário.
Assim como a líder de audiência, a Record derrubou a reprise de A Escrava Isaura e até a edição nacional do Cidade Alerta para acompanhar a operação. Foram quase oito horas direto no ar. A Band também estendeu o Voz do Rio, além de ter antecipado o início do Brasil Urgente --com Joel Datena já dando notícias dentro do Melhor da Tarde.
O SBT abriu espaço no Fofocalizando para que Lívia Mendonça, que apresenta o SBT Rio 2ª edição, trouxesse informações da capital fluminense. Diversas fake news que circulavam foram desmentidas na ocasião.
Não dá para fechar os olhos, porém, para os excessos que se viram em todas as emissoras. A Globo, por descuido, chegou a mostrar um carro chegando à Praça São Lucas, no Complexo da Penha, com corpos à mostra nesta quarta (29); a Record cometeu o mesmo erro e ainda pesou a mão em recursos, especialmente de trilha sonora, que deram um tom de espetáculo à parte de sua cobertura.
SBT e Band teriam acertado mais se tivessem aberto espaço direto para o Jornalismo, suspendendo temporariamente o Fofocalizando e o Melhor da Tarde. Por mais legítimas que fossem as intenções, abordar uma tragédia dessa magnitude dentro de programas de variedades ou de entretenimento acabou conferindo à cobertura um tom de espetáculo --justamente o oposto do que o momento exigia.
Outro ponto que chamou a atenção foi que praticamente todas as emissoras fizeram questão de vender que tiveram crescimento exponencial na Kantar Ibope com a cobertura jornalística. A questão é: cabe realmente comemorar que se alcançou a liderança por alguns minutos ou passou à frente de uma rival em situações como essa? O foco, com certeza, deveria ser de que os dados mostram a importância inegável da TV aberta em momentos de crise.
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