A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
OPINIÃO
REPRODUÇÃO/TV GLOBO

A apresentadora Ana Maria Braga à frente do Mais Você: críticas acima do tom nas redes
Praticamente não há um dia em que Ana Maria Braga não viralize nas redes sociais pelo excesso de sinceridade no Mais Você. Recentemente, a veterana comparou as facetas dentárias de um convidado a um "teclado de piano", deu bronca na produção por conta de uma receita e se revoltou ao vivo após tomar um "bolo" de Ronaldinho Gaúcho. Contudo, essa espontaneidade não rende apenas elogios: a apresentadora também tem enfrentado críticas pesadas na web --diferentemente do que ocorria com Silvio Santos (1930-2024), que viu sua sinceridade virar marca registrada e quase imune a cancelamentos nos anos finais de carreira.
O Notícias da TV prefere nem reproduzir a maior parte dos ataques direcionados à apresentadora, marcados por forte teor misógino e etarista. As mensagens menos agressivas (embora ainda pesadas) a acusam de ter "enlouquecido" ou sugerem que a idade avançada afetou o seu julgamento.
Aos 77 anos, Ana Maria encontra um ambiente bem mais hostil do que Silvio Santos na reta final de sua carreira. O dono do SBT geralmente é celebrado por ter sido "politicamente incorreto" durante a sua maturidade profissional, ainda que alguns excessos do comunicador tenham sido rechaçados --como durante o Teleton de 2018 com Claudia Leitte ou o comentário sobre o cabelo da atriz mirim Júlia Olliver em 2014.
A contratada da Globo também comete lá os seus excessos, mas em uma régua bem mais suave do que os deslizes que consagraram o "homem do Baú". O que mais incomoda o público, de forma geral, são os cortes secos dados em convidados e colegas de estúdio --situações que ela própria faz questão de esclarecer no ar, como no recente "mal-estar" com Tati Machado.
Para a sorte do público, e da Globo, Ana Maria já reiterou diversas vezes que não pretende mudar o seu jeito um tanto "sincericida". Afinal, essa é uma característica que tem feito bastante falta não só na TV aberta, mas até mesmo em canais pagos, onde deveria haver uma liberdade maior.
Até mesmo o Saia Justa, historicamente marcado por seu tom iconoclasta, adotou uma postura bem mais moderada nos últimos anos. A impressão é de que a televisão ainda não encontrou o ponto de equilíbrio entre respeitar a diversidade e preservar a espontaneidade.
Ana Maria Braga é uma das poucas que ainda se arrisca nesse limite. Mesmo cometendo alguns deslizes, ela se mantém no topo das manhãs exatamente por isso: num mar de figuras pré-fabricadas e discursos ensaiados, o caos e a imperfeição são o que geram conexão com o público. Por trás das câmeras e dos memes, há ali um ser humano de carne e osso, feito de erros e acertos.
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