Menu
Pesquisar

Buscar

Facebook
X
Instagram
Youtube
Pesquisar

Buscar

ROSE LEONEL

Série da HBO finalmente dá voz à vítima de um dos primeiros crimes digitais do Brasil

DIVULGAÇÃO/HBO MAX

Rose Leonel na HBO

Rose Leonel na HBO; vítima de crime digital se tornou uma voz ativa para mudanças na legislação

GIOVANNA RIBEIRO

giovanna@noticiasdatv.com

Publicado em 11/3/2026 - 16h00

Exatos 20 anos após ter a vida atravessada pela exposição de sua intimidade, Rose Leonel finalmente retoma o controle da própria narrativa na série documental Nua na Rede: A Verdade Sobre Rose Leonel. A produção, já disponível na HBO Max, mergulha em um dos casos mais emblemáticos de violência digital no Brasil, que se transformou em um marco jurídico.

Para a "protagonista" da história, a série funciona como uma reparação histórica. "É emocionante, porque eu estou me sentindo realizada pelo nosso trabalho na ONG Marias da Internet estar em evidência e por ela estar mais acessível às vítimas. Eu sei que vai ser muito acessado pelas mulheres que precisam, e isso é muito gratificante", diz a jornalista paranaense, em entrevista ao Notícias da TV.

Dividida em cinco episódios, a produção busca retratar a batalha travada por Rose contra um sistema que, em 2006, não tinha ferramentas para protegê-la. Após o fim de um relacionamento, um ex-companheiro passou a divulgar suas fotos íntimas na internet. Com mais de 400 fotos divulgadas, além de montagens, Rose enfrentou um julgamento público devastador.

Rose Leonel destaca a importância de desmascarar na série, 20 anos depois, a "personagem" montada pelo ex-companheiro. Através da exposição de fotos íntimas, ele vendeu a imagem de uma "garota de programa" em sua cidade.

"Meu ex, durante anos a fio, criou uma personagem, vendeu essa personagem na internet como se fosse eu. Ele criou uma pessoa, um ser que na verdade não era eu. Essa é a oportunidade de eu mostrar a verdade, a minha verdade, mostrar o que aconteceu de fato, que ele trabalhou de forma vingativa porque eu simplesmente optei por terminar o relacionamento", conta ela.

O caso foi fundamental para a alteração da Lei Maria da Penha (Lei nº 13.772), reconhecendo a violação da intimidade como crime. A mudança ficou conhecida justamente como Lei Rose Leonel. Contudo, segundo a própria, o caminho até ali foi árduo.

"O sigilo, que é um instituto conferido pelo direito para proteger a vítima, se voltou contra a vítima. Outra coisa que aconteceu é que, em determinado momento, eu fui pedir a protetiva, e o juiz queria dar protetiva para ele, para o meu agressor. Gente, até hoje eu não consigo acreditar", desabafa Rose.

Diretora da série, Bia Vilela ressalta a dificuldade de se debater crimes digitais na época do fato. "Quando aconteceu o crime com a Rose, lá no começo de 2006, a gente fala que a internet era mato, não tinha marco civil. Então ela chegava na delegacia, as pessoas não entendiam muito do que ela estava reclamando. Achavam que a culpa era dela. Não tinha a regulação da internet e não tinha nem a tipificação penal", conta ela.

Bia Vilela, que também possui formação em Direito, destaca ainda a lentidão da Justiça. "A lei demora mesmo para chegar. Quando ela vem para regular o sistema, não vou dizer que é tarde demais, mas muitas tragédias já aconteceram", diz ela.

A produção enfrentou ainda o estigma social que persistiu durante duas décadas. "Tivemos que fazer um trabalho de pesquisa intenso. Era difícil recrutar as pessoas para participarem da série, porque muitos deles ainda estavam ligados àquela narrativa antiga que o agressor disseminou. Era uma narrativa da fofoca e a narrativa machista colocando a Rose como uma mulher da qual você não quer ficar perto", explica Bia Vilela.

À reportagem, Luciana Soligo, representante da Warner Bros. Discovery, também pontua o valor pedagógico do projeto, lançado poucos dias após o 8 de março, Dia Internacional da Mulher.

"A gente entende que é uma data que leva todos a repensarem um pouco o tamanho dessa desigualdade de gênero que a gente vive hoje em dia. Acho que a gente atende a uma função muito pedagógica, muito esclarecedora e uma função de justiça de dar voz à vítima, de dar voz a Rose que, até então, na nossa visão jornalística e editorial, tinha sido silenciada", defende ela.

Apesar da conquista legislativa, Rose permanece vigilante. Após quase uma década de batalhas judiciais, ela também fundou a ONG Marias da Internet, que oferece apoio e orientação a vítimas de crimes digitais.

"Eu percebo, sim, que muitas coisas melhoraram, temos condições legais de atuar, porém a nossa evolução tem sido muito pequena e morosa. Lamentavelmente, eu percebo que existe uma safra de adolescentes muito machistas, tanto homens quanto mulheres, muito misóginos. E eu entendo isso com muita preocupação", declara. 

Os três primeiros episódios de Nua na Rede: A Verdade Sobre Rose Leonel, já estão disponíveis desde esta terça-feira (10) na HBO Max. Os dois episódios finais chegam à plataforma em 17 de março.


Mais lidas


Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.