A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
MUDANÇA
REPRODUÇÃO/TV GLOBO

O jornalista William Bonner em chamada de sua primeira matéria para o Globo Repórter
William Bonner deixou o Jornal Nacional em 31 de outubro do ano passado e, seis meses depois, vai usar sua experiência pessoal como força motriz para o novo desafio de sua carreira: fazer reportagens para o Globo Repórter. O jornalista, que começou a apresentar a atração em fevereiro, fará sua estreia no posto na próxima sexta-feira (1º).
A estreia de Bonner ganhou uma chamada especial exibida pela Globo nesta segunda (27). "É o primeiro Globo Repórter com o William na reportagem", anuncia Sandra Annenberg, colega do âncora na apresentação.
Depois, o jornalista aparece caminhando por uma calçada e adianta o tema do especial. "Em qualquer tipo de trabalho, por mais que a pessoa goste do que faz, é normal que surjam questionamentos. 'Será que é hora de mudar?'", diz ele, que depois surge na TV entrevistando outras pessoas que, como ele, decidiram largar a carreira consolidada e tentar algo novo.
O próprio Bonner já havia adiantado que sua primeira reportagem para o Globo Repórter teria esse tema em fevereiro. "Esse momento do Globo Repórter para mim, eu não sei se eu consigo expressar para todos os profissionais, mas às vezes a gente escolhe uma profissão ou sonha com ela, às vezes idealiza a profissão, e as coisas dão certo. Você consegue o curso que te habilita para desempenhar aquela profissão, exercer aquela profissão, e aí exerce, e as coisas dão certo. E você constrói amizades, você constrói uma carreira sólida, de que você se orgulha e que é prazerosa", discursou em entrevista.
"Mas, em algum momento... É um processo possivelmente neurológico, né? É algo da neurolinguística, nós vamos investigar isso na reportagem... Em algum momento, aquilo que te satisfez ao longo de muito muitos anos para de te satisfazer. E não se trata de você passar a não gostar de fazer o que fazia, não se trata disso. Eu amo o que eu fiz o tempo todo, eu tenho enorme orgulho! Eu vejo o que a equipe do JN segue fazendo e isso me enche de orgulho!", disse.
"Mas o Globo Reporter é a saída desse universo que já não estava mais provocando as borboletas no estômago, ele já não me desafiava mais. Ele me dava prazer, é fato, ele me cansava, é fato... Mas trabalho cansa, vamos falar a verdade, não tem trabalho que não canse, né?", brincou. "Mas ele já não me preenchia, eu já não saía de casa com aquela aquela disposição para encontrar alguma coisa nova", admitiu Bonner.
"E o Globo Repórter chega para mim e diz o seguinte: 'Olha, não é só a apresentação', que já seria superlegal. 'É mais do que isso'. Eu vou fazer reportagens também. E eu vou poder fazer reportagens sem nenhum compromisso factual, sem a urgência do factual. Eu não quero citar desgraças, mas pense em qualquer tragédia que eu tenha coberto in loco, aquilo me impõe uma urgência de fazer uma reportagem para aquele dia --e, em geral, é triste, é sofrido", entregou o jornalista.
"Não, é você pensar em alguma coisa como isso que eu estou dizendo agora, o momento em que você que desempenha uma certa atividade se pergunta: 'Será que é hora de mudar? Ou será que é hora de parar?'. Isso é uma questão que atormenta milhões de pessoas, e eu sou só um deles. Então eu eu gostei de propor essa pauta, até para ter uma chance de eu compartilhar com o público, em respeito a esse público, as motivações possíveis de alguém que está lá fazendo o que faz, que gosta do que faz."
"Não tem nenhum personagem que nós estamos garimpando para essa reportagem que diga assim: 'Eu não aguentava mais fazer aquilo porque eu não tolerava'. Não tem. Tem pessoas que escolheram a profissão, gostam da profissão, mas chega uma hora e falam: 'Cara, tá, beleza. E agora?'. E como nós estamos vivendo mais tempo, esta é uma questão que se impõe a um número crescente de brasileiros", provocou.
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