ATENÇÃO É OURO
RODRIGO COCA/AG. CORINTHIANS

Memphis Depay em jogo do Corinthians na Sul-Americana: uma das maiores audiências do SBT
A decisão do SBT de adquirir os direitos da Copa do Mundo do ano que vem pode soar arriscada à primeira vista, mas está longe disso. A emissora de Silvio Santos (1930-2024) dificilmente ameaçará a hegemonia da Globo, que é percebida pela audiência como a "casa oficial" do torneio há décadas. O ponto é outro: nos últimos dois anos, a rede dos Abravanel entendeu que o futebol se tornou, mais do que nunca, a tábua de salvação da TV aberta.
Se não houver nenhuma reviravolta rocambolesca até às 23h59 deste 31 de dezembro, o maior ibope da TV brasileira na Grande São Paulo em 2025 terá sido justamente o futebol.
A melhor média veio do empate em 0 a 0 entre Equador e Brasil pelas Eliminatórias da Copa do Mundo em 5 de junho, com 29,6 pontos; o pico (momento em que se atinge a maior audiência durante a exibição) foi na final entre Flamengo e Palmeiras pela Libertadores, em 29 de novembro: 32,4.
Esses números são frutos de uma métrica que é cada vez mais fundamental, ainda que difícil de se medir, para a TV aberta: a atenção. O esporte talvez seja uma das poucas estruturas na contemporaneidade que ainda mantém a capacidade de concentrar os olhares do público --cada vez mais diverso, fragmentado e disperso.
Ou seja: quando o SBT decide exibir partidas da Seleção Brasileira com narração de Galvão Bueno, já não se trata de uma aposta arriscada. É a certeza de que haverá um público --muito maior do que aquele que a emissora costuma registrar no dia a dia-- disposto a acompanhar o combo de transmissão esportiva com nostalgia.
Hoje, o único departamento capaz de monopolizar a atenção do público tanto quanto o de Esporte é o de Jornalismo. A Globo que o diga: a emissora atingiu algumas de suas melhores métricas no Ibope e no digital durante a cobertura da morte do papa Francisco (1936-2025).
A prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi outro exemplo: fez o Jornal Nacional registrar uma boa audiência mesmo em um sábado, dia em que tradicionalmente há menos televisores ligados.
No fim das contas, o movimento do SBT não é sobre competir com a Globo, mas sobre assegurar relevância numa era em que a atenção virou um bem escasso. O futebol --ao lado de grandes coberturas jornalísticas-- continua sendo um dos poucos eventos capazes de unir milhões diante da TV ao mesmo tempo. E, nesse cenário fragmentado, apostar no que ainda mobiliza o país inteiro é menos uma questão de ousadia e mais de sobrevivência.
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