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INFLUENCIADORA
REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Virginia Fonseca no palco do Domingão: influenciadora vai cobrir a Copa do Mundo no programa
A confirmação de que Virginia Fonseca vai cobrir a Copa do Mundo como "repórter especial" do Domingão com Huck tem gerado debates acalorados nas redes sociais. De um lado estão os críticos, que rechaçam ter uma influenciadora ocupando o espaço que poderia ser de um jornalista formado e com experiência. Já os defensores da empresária não acham que essa questão é um problema e alegam até mesmo perseguição contra ela.
O Domingão faz parte da área de Entretenimento da Globo; portanto, não tem a obrigação de cobrir o evento com seriedade, como os departamentos de Jornalismo e Esporte. Se Virginia não fosse a escolhida da vez, o programa poderia escalar alguém de seu elenco para exercer tal função no Mundial, como Lívia Andrade ou Ed Gama, ou até mesmo uma outra celebridade.
Mas usar o termo "repórter" para se referir à cobertura da influenciadora não pegou bem. Até a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) emitiu uma nota contra a escalação de Virginia para o cargo. "Influencer na Copa do Mundo não é jornalista: PEC do Diploma já!", exigiu.
"A decisão expõe um processo cada vez mais evidente de sucateamento da cobertura jornalística de grandes eventos, marcado pela redução drástica das equipes profissionais, pelo corte de investimentos e pela substituição de jornalistas por figuras voltadas exclusivamente ao entretenimento e ao engajamento nas redes sociais", ressaltou a federação.
A nota recordou que um movimento semelhante aconteceu no Carnaval de 2024, quando a Globo colocou influenciadores para mostrar os desfiles das escolas de samba --e passou vergonha, já que eles não tinham a menor expertise sobre o assunto.
"O resultado disso é a desvalorização do trabalho jornalístico e a perda de qualidade da informação veiculada ao público. Grandes eventos, como uma Copa do Mundo, não se tratam apenas de entretenimento: a população brasileira, que acompanha os passos e jogos da Seleção, busca informações confiáveis, que só podem ser reportadas por profissionais preparados com capacidades técnicas e éticas", defendeu a Fenaj, que completou:
A lógica da audiência instantânea e do engajamento algorítmico não pode se sobrepor à necessidade de cobertura jornalística séria, plural e qualificada. Influencer não é jornalista!
Por outro lado, até a jornalista Glenda Kozlowski saiu em defesa da empresária. "Deixa ela ir, deixa ela trabalhar. Se o Luciano Huck escolheu a Virginia, ele tem lá os motivos dele. É um programa de entretenimento. Virginia extrapolou qualquer se é bom ou se é ruim, se está certa ou está errada, se gostou ou não gosto. Tá todo mundo aqui falando da Virginia", afirmou a comunicadora em um vídeo nas redes sociais.
"O adjetivo quem está dando somos nós, o peso quem está dando somos nós. Vai mudar o quê? Fala para mim. Deixa ela trabalhar, ela foi escolhida. Virginia, boa sorte, bom trabalho, arrebenta. Aproveita, Copa do Mundo é o máximo, é incrível. Faça as suas apresentações", aconselhou Glenda.
Pelo que foi divulgado até o momento, a missão de Virginia não esbarra numa cobertura com seriedade. Pelo contrário, ela deve ficar encarregada de mostrar os bastidores do Mundial e a movimentação dos torcedores --num modelo parecido com o "reality show" que já faz da própria vida nas redes.
A presença de influenciadores em funções que demandam formação técnica não é mais novidade na TV. A mesma revolta aconteceu quando Jade Picon foi escalada para a novela Travessia (2022), por exemplo.
Esse movimento evidencia a insistência da emissora em tentar converter o engajamento dessas figuras nas redes sociais em audiência para seus produtos --ainda sem muito sucesso.
Resta esperar para ver se os mais de 56 milhões de seguidores de Virginia Fonseca vão mesmo ligar a TV no Domingão para acompanhá-la na cobertura da Copa --ou se preferirão continuar vendo tudo pelos Stories do Instagram.
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