A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
SATURNINO DE BRITO
Reprodução/Instagram e Divulgação/TV Globo

O diretor José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, foi o criador do nome Xou da Xuxa
José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, revelou que milhares de cartas enviadas a Xuxa Meneghel na época do Xou da Xuxa (1986-1992) se transformaram em papel reciclável. O ex-diretor da Globo, que expôs a história em seu perfil no Instagram nesta quinta-feira (3), ainda contou que foi montada uma verdadeira força-tarefa devido ao volume de correspondências que chegavam.
"Você não imagina o que eu tive que fazer com as toneladas de cartas que a Xuxa recebeu no ano de 1987. A quantidade foi tão grande que eu tive que alugar um galpão. Mas não um galpãozinho… Um galpão com empilhadeira, prateleiras, 12 funcionários para cuidar das cartas. Uma coisa brutal", relatou o ex-diretor.
Boni afirmou que teve a ideia de transformar as cartas em papel reciclável para evitar um incêndio. Não existem números oficiais, mas, em 2021, Xuxa declarou no programa Se Joga (2019-2021) que chegou a receber 80 mil cartas em um dia.
"No final do ano, queriam fazer um incêndio. Colocar aquelas cartas, levar para algum lugar qualquer e queimar aquelas cartas todas. A quantidade era tão grande que eu tive uma ideia: vamos pesar isso aí, vender como papel reciclável, pegar o dinheiro e doar para alguma entidade que a Xuxa escolhesse", concluiu Boni, que confirmou que a quantia foi destinada a uma instituição.
Nesta semana, Boni também mostrou o trecho de um memorando interno da Globo, datado de setembro de 1992. No texto, ele defendia que não era uma boa ideia encontrar uma substituta para a loira, que encerraria o Xou da Xuxa naquele ano.
"Investir no formato do Xou da Xuxa sem a Xuxa seria uma bobagem. Inventar uma nova Xuxa seria uma tolice ainda maior", diz um trecho do documento. "A minha ideia era ter alguma coisa preparada para a hora que a Xuxa resolvesse mudar de patamar. Não que ela abandonasse os baixinhos, mas que ela fosse se dirigir a um outro tipo de público. Me parecia que isso aconteceria normalmente", justificou.
Responsável por levá-la para a Globo, Boni foi o criador do nome Xou da Xuxa, contrariando uma ordem da própria emissora, que não queria mais que programas levassem o nome dos apresentadores.
"Acompanho Ibope o dia inteiro e, naquela época, vi o Ibope da Manchete crescendo. E fui ver o que estava acontecendo lá. Liguei e, no primeiro instante que vi, me deparei com a Xuxa e falei: 'Tenho que trazer essa mulher pra cá'. Era linda e tinha mais: não era ela que imitava as crianças, as crianças que a imitavam", lembrou o ex-diretor em Xuxa: O Documentário (2023).
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