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Púlpito vazio: Regra controversa de debate não foi aplicada a Bolsonaro em 2018

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

dois homens idosos vestem terno e debatem em programa de televisão

Jair Bolsonaro e Lula no debate presidencial de 2022, na Globo; confronto de 2026 foi cancelado

REDAÇÃO

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Publicado em 2/10/2026 - 12h57

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A Globo cancelou o debate com os candidatos à Presidência da República previsto para quinta-feira (1º) alegando interferência da Justiça. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) atendeu a um pedido da coligação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e barrou a regra que previa a manutenção do púlpito vazio e perguntas direcionadas ao candidato ausente. A mesma diretriz não foi aplicada a Jair Bolsonaro em 2018.

Segundo a emissora, o púlpito vazio foi acordado entre todos os partidos, inclusive o PT. Além da identificação do candidato ausente, os outros presidenciáveis poderiam formular perguntas para o faltante, com duração de 30 segundos.

De acordo com a decisão da ministra Estela Aranha, do TSE, a prática traria danos aos candidatos que decidirem não comparecer. "A referida cláusula possui, dada a magnitude das consequências negativas que prevê para o candidato que decide se ausentar, aparente intuito de compelir os candidatos a comparecer ao debate, renunciando à facultatividade de participação assegurada em lei", disse.

Lula já havia declinado o convite da Globo para o debate. O presidente foi dar entrevista ao Flow Podcast no mesmo horário do confronto, e acabou beneficiado pelo cancelamento.

Já em 2018, Jair Bolsonaro também declinou o convite do debate da Globo. O então candidato do PSL alegou questões de saúde para não ir ao confronto. Cerca de um mês antes, ele sofreu o atentado da facada em Juiz de Fora (MG).

Na ocasião, William Bonner abriu o debate esclarecendo a ausência. "O candidato Jair Bolsonaro, do PSL, também foi convidado, mas informou que não poderia comparecer porque ainda se recupera do atentado que sofreu no dia 6 de setembro", explicou.

Para aquele debate, não houve púlpito vazio com o nome de Bolsonaro. Nem a formulação de perguntas ao ex-presidente.

Regras do debate

O motivo da diferença no tratamento dado a Bolsonaro ou a Lula tem a ver com as regras dos debates em 2018 e em 2026. Para a ausência de Bolsonaro, não estava prevista a instalação do púlpito vazio.

Já no caso de Lula, havia o acordo de dispor a cadeira vazia no estúdio. As regras dos debates são alinhadas entre a emissora e os partidos previamente. Segundo a Globo, o PT já havia concordado com a medida antes de entrar na Justiça.

Em outro debate da Globo, em 2006, Lula também não compareceu e teve sua cadeira vazia ao longo do programa. 

No debate da Band, o único que teve na TV em 2026, já havia a prática do púlpito vazio. Apenas os candidatos Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) compareceram ao confronto, enquanto as cadeiras para Lula, Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) permaneceram vazias por conta das ausências.

Não houve, porém, o espaço reservado para fazer perguntas aos candidatos que faltaram.


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