RETROSPECTIVA
REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Maria Fernanda Cândido e Raul Cortez viveram um dos casais queridos de Terra Nostra (1999)
Em um ano simbólico, marcado pela celebração dos 60 anos da Globo, foi justamente o passado que impediu a emissora de atravessar 2025 com um saldo constrangedor em sua dramaturgia. Enquanto as novelas inéditas decepcionaram ou ficaram muito aquém das expectativas, as reprises assumiram um protagonismo inesperado na programação.
O desempenho de A Viagem (1994) no Vale a Pena Ver de Novo, além de História de Amor (1995) e Terra Nostra (1999) na faixa Edição Especial, mostrou que a velha máxima segue atual: panela velha é que faz comida boa.
O público não demonstrou qualquer resistência ao fato de essas produções terem imagem de baixa qualidade, estética datada ou ritmo distante dos padrões atuais. Ao contrário. O que pesou foi a força das histórias, a construção consistente dos personagens e a capacidade de prender o telespectador do começo ao fim.
Esse movimento expõe a fragilidade de suas apostas inéditas. O remake de Vale Tudo chegou sustentado pelo peso da versão original. Mas tantas alterações de texto, ajustes em desenvolvimentos ultrapassados e tentativas de atualização descaracterizaram a obra a ponto de ela se aproximar de uma trama inédita --e, ironicamente, perder a potência que justificava a revisitação.
O alívio veio com Garota do Momento (2024), um acerto claro da emissora, que conseguiu equilibrar narrativa, personagens carismáticos e apelo popular. Foi a exceção em um cenário predominantemente irregular. Já Êta Mundo Melhor!, continuação de Êta Mundo Bom! (2016), até manteve os bons números, porém sem chegar perto do sucesso da original.
Enquanto novelas novas lutam para criar identificação, as reprises conquistaram o público com facilidade. Tramas escritas décadas atrás conseguiram fazer em 2025 o que muitas produções atuais não entregaram na Globo: manter o telespectador interessado, emocionalmente envolvido e disposto a acompanhar diariamente.
Atenta aos números, a Globo também derrubou um dogma antigo. O Vale a Pena Ver de Novo deixou de ser um espaço exclusivo para novelas mais recentes ou tecnicamente "bem acabadas".
A emissora passou a resgatar títulos antigos, principalmente os da década de 1990, e colheu resultados positivos. O mesmo ocorreu na faixa de Edição Especial, que se consolidou como um refúgio para folhetins do passado.
Em tempos de múltiplas telas, streaming e consumo fragmentado, não é a qualidade da imagem ou o ano de produção que define o sucesso de uma novela. É a boa história.
Em 2025, as reprises entenderam salvaram o aniversário de 60 anos da Globo de um vexame maior na dramaturgia. No próximo ano, fica a dica para a emissora investir mais em tramas antigas, talvez até da década de 1980.
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