ROLON HO

Professor revela bastidores tensos e notas que 'não batem' na Dança dos Famosos

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Rolon Ho na Dança dos Famosos, batendo palmas, usando uma roupa azul com detalhes em prata

Rolon Ho na Dança dos Famosos; professor falou sobre bastidores e expectativas da competição

GIULIANNA MUNERATTO

giulianna@noticiasdatv.com

Publicado em 30/8/2026 - 20h00

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Campeão da Dança dos Famosos em 2023, Rolon Ho está de volta ao quadro do Domingão com Huck. O professor e dançarino paraense retorna à competição com uma bagagem maior depois de também ter participado do programa como especialista em 2024. Mais experiente, ele fala sobre os bastidores da disputa na Globo, detalha a rivalidade entre os participantes e aponta como lida com contradições nas avaliações do júri técnico e artístico.

Atualmente na disputa pelo Grupo C ao lado de Giovana Cordeiro, Kenya Sade e Breno Ferreira, o profissional explica que a experiência acumulada nas temporadas anteriores mudou a maneira como encara o desafio.

"Eu acredito que essa experiência que eu tive em 2022 e 2023 me trouxe hoje, em 2026, com muito mais maturidade. Também em 2024 eu tive a oportunidade de voltar como especialista no programa e ver tudo como acontece de fato: a produção como pensa, os competidores, o processo de cada um", conta em entrevista ao Notícias da TV.

Para Rolon Ho, o período como especialista também serviu para ampliar sua visão sobre o funcionamento da atração. "Eu tive muito aprendizado e eu trago essa bagagem para este ano de 2026, sabendo ter muito mais calma, muito mais tranquilidade, menos expectativa em algumas coisas e mais confiança em outras. Eu acho que isso faz a gente ter uma posição diferente", avalia.

A experiência, porém, não faz com que ele encare uma eventual nova vitória como uma obrigação. Ho afirma que ainda não sente pressão por ter já conquistado o troféu e atribui boa parte do desempenho de um professor à pessoa famosa que estiver ao seu lado.

Para ele, o histórico de cada participante com a dança pode pesar bastante na competição. "A gente depende muito de quem vai estar dançando com a gente, quem são essas pessoas que vão estar ao nosso lado, para que a gente consiga prever um futuro mais distante --quer dizer, mais tempo na competição ou menos tempo na competição", explica.

Mais do que buscar repetir o resultado de 2023, o dançarino afirma que aprendeu uma lição importante naquela temporada com Priscila Fantin: o foco do professor precisa estar no famoso.

"A competição não é sobre mim, Rolon Ho, professor de dança, o que eu quero, os meus objetivos. É sobre o meu famoso, é sobre essa pessoa que vai estar ali junto comigo e fazendo com que ela possa ter um destaque, evoluir, crescer e se destacar dentro do cenário. Então, a competição não é sobre nós, é sobre eles", resume.

DIVULGAÇÃO

Rolon Priscila

Rolon Ho e Priscila Fantin após vitória em 2023

Bastidores e rivalidade

O dançarino conta que a convivência entre os professores começa de maneira mais colaborativa na fase de grupos, mas muda conforme a competição avança. Segundo Rolon Ho, o cenário fica mais competitivo quando cada um passa a defender sua própria dupla.

"Existe uma troca e existe amizade, principalmente nesse momento em que estamos na fase de grupo, onde os quatro professores que estão dentro desse grupo se conectam bastante. Mas depois, quando a gente começa a ir para o plano individual e de dupla, a competição de fato começa: cada um por si, correndo atrás do seu", conta.

Dentro dos grupos, a dinâmica também envolve uma aproximação maior entre os participantes. O paraense explica que o objetivo, num primeiro momento, é conquistar a confiança dos famosos para que eles estejam dispostos a seguir as escolhas feitas pelos professores.

"Os grupos se fecham. Cada um busca o seu, melhora o seu e se une. Uns se conectam mais, outros menos; nós estamos bem conectados, tendo uma parceria bem bacana, e os outros grupos também devem estar nessa mesma conexão", afirma.

"A gente entende que esse momento é super importante para ganharmos a confiança dos nossos famosos e para que eles embarquem nas nossas decisões e nas nossas loucuras", completa.

A relação entre professor e aluno também é colocada à prova durante os ensaios. Rolon Ho afirma que é necessário identificar os pontos de dificuldade de cada parceiro e encontrar maneiras de fazer com que o participante ultrapasse seus próprios limites, inclusive nos momentos de maior desgaste físico e mental.

"A gente precisa extrair o melhor do nosso parceiro, da nossa parceira. A gente percebe o quanto que, muitas vezes, alguns estilos eles gostam, outros estilos eles odeiam, não gostam da dança, mas o quanto a gente precisa, de fato, fazer com que eles possam dar o máximo", explica.

Questionamentos sobre as notas

A competição também continua nos bastidores depois que os participantes deixam o palco. Ho admite que os concorrentes fazem comparações entre as apresentações e as notas recebidas, embora evitem transformar as discordâncias em confrontos públicos.

"A gente faz muito esses comparativos. Óbvio que a gente não expõe ninguém publicamente --assim, a gente não chega falando 'ah, eu não concordo com a nota do fulano, foi melhor ou pior do que a minha'. Mas a gente chega a perceber o quanto algumas notas foram contraditórias, quando as coisas não batem", afirma.

REPRODUÇÃO/TV GLOBOGrupo C

Grupo C ao receber nota mais baixa por ausência de Otaviano Costa

Segundo o professor, as dúvidas aparecem principalmente quando ele percebe diferenças técnicas entre as coreografias que não se refletem necessariamente nas pontuações.

"Às vezes, o nível técnico de uma coreografia é muito maior do que o da outra e as notas são semelhantes, então a gente sempre fica nesse lugar de dúvidas sobre os jurados", aponta.

Apesar dos questionamentos, Rolon Ho faz questão de destacar o respeito que mantém pela banca. Para ele, os jurados conseguem observar aspectos que os próprios competidores não têm condições de enxergar enquanto estão no palco.

"Porém, nós temos a maior admiração por eles e confiamos no que estão ali visualizando, algo que nós na pista não conseguimos enxergar. É muito pelo que eles enxergam e não pelo que nós vemos", pondera.

Pressão e vontade de desistir

A experiência de professor de dança também inclui momentos de forte desgaste emocional. Rolon Ho revela que já pensou em abandonar o programa diante da pressão da competição, que, segundo ele, exige muito mais do que preparo físico e domínio dos passos.

"É uma competição muito mais psicológica do que, de fato, de dança", resume. Segundo ele, um contratempo pode mudar completamente o estado emocional de quem está envolvido na disputa e exige controle para que o participante consiga continuar.

"Já tive momentos ali de querer desistir do programa, de querer parar de fazer aquilo, porque a pressão estava muito grande e a gente não conseguia lidar com certas coisas. A vontade de desistir foi grande, mas automaticamente a gente respira, faz a sua oração, acredita e segue em frente", desabafa.

Por isso, para esta temporada, Rolon prefere não transformar a possibilidade de um segundo troféu em uma cobrança pessoal. Ele escolhe concentrar a atenção em cada etapa da competição.

"Eu vivo um dia de cada vez. Ajudar a evitar essa ansiedade é fundamental, porque vejo muitos profissionais dizendo 'eu preciso ser campeão' o tempo todo e acabam nunca conseguindo, batendo na trave sempre", afirma.

"Talvez esse seja um caminho que eu não queira seguir: colocar essa pressão em mim. Quero ir fazendo o meu trabalho devagarzinho, aproveitando as oportunidades, batalhando e lutando a cada etapa para conseguirmos chegar lá", completa.


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