121 MORTOS
REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Caco Barcellos foi até o Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, e ficou 'desolado' com o que encontrou
A megaoperação que deixou mais de 120 mortos no Rio de Janeiro na semana passada recebeu uma vasta cobertura da imprensa, com alguns erros de abordagem e excessos no ar. Contudo, entre aqueles que acertaram no tom, está o Profissão Repórter, que na edição da última terça (4) provou novamente sua relevância na TV, mesmo prestes a ser rebaixado na programação da Globo.
O jornalista Caco Barcellos foi pessoalmente até o Complexo da Penha, e presenciou os esforços de moradores para retirar, reunir e reconhecer dezenas de corpos em plena via pública. A operação orquestrada pelo Governo do Estado para desmontar o domínio do Comando Vermelho (CV) na localidade no dia anterior, deixou um rastro de sangue chocante, se tornando a mais letal já registrada na história do Rio.
Barcellos também acompanhou parte das buscas na mata, chamando atenção para o fato de não ver a presença de nenhum representante do poder público para que os corpos fossem recolhidos --apenas um carro da Defesa Civil. O jornalista ainda declarou que em mais de três décadas de profissão, nunca havia vivenciado um cenário tão desolador.
Todavia, o grande destaque da cobertura do Profissão Repórter diante das demais reportagens realizadas pela própria Globo em seus telejornais locais --RJ 1 e 2 -- ou Jornal Nacional, se mostra no posicionamento de Caco Barcellos em fazer perguntas difíceis que poucos tentaram.
Diante do comandante da Polícia Militar do Rio de Janeiro, o jornalista relatou sua ida até o Complexo da Penha, ressaltando que, embora a operação tenha sido declarada como um sucesso, no próprio trajeto até a localidade, mesmo após o confronto, a equipe de reportagem seguiu presenciando criminosos armados transitando e controlando a comunidade. Ou seja, o conceito de sucesso é algo a ser questionado.
Além disso, a edição deu uma atenção especial aos enterros, tanto dos policiais mortos, quanto a dor das famílias que perderam seus filhos para o crime organizado. Tradicionalmente, cada repórter da equipe acompanhou enredos particulares, dando nome, rosto e história para corpos que foram deixados na mata --alguns, com sinais de decapitação.
A cobertura sóbria, respeitosa, ampla, preocupada em ouvir todos os lados e questionar o discurso oficial é um padrão do jornalístico, que diante de um caso que chegou a ser espetacularizado e até celebrado como objeto de recordes de audiência, é algo a ser valorizado.
Com o devido distanciamento do fato quente, o Profissão Repórter consegue fazer uma cobertura quase analítica, indispensável para se compreender eventos históricos como esse, que acabam ultraprocessados dentro da cobertura hard news local --que deixa passar, por exemplo, o uso de adjetivos como bandidos, mesmo ao se referir a pessoas suspeitas e ainda sequer identificadas.
Após rumores de que Caco Barcellos teria pedido demissão por causa de problemas de saúde, a emissora negou sua saída e afirmou que o jornalista seguirá à frente do Profissão Repórter. No entanto, em 2026, o programa voltará a ser um quadro do Fantástico.
"Em 2026, o Profissão Repórter volta com novidades. Em função da grade de programação, que vai trazer a transmissão e a cobertura da Copa do Mundo, as eleições presidenciais e os realities, que vão ao ar de janeiro a outubro e sempre após a novela das nove, o programa retorna com uma temporada especial mais curta e também dará nome a dois quadros do Fantástico, que vão estrear ao longo de 2026", confirmou o comunicado da emissora.
Caco Barcellos entrou na Globo em 1982. O Profissão Repórter foi concebido, dirigido e apresentado pelo jornalista experiente, e estreou como um especial do Globo Repórter e, em seguida, como quadro do Fantástico. Em junho de 2008, ganhou seu lugar fixo na grade da Globo.
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